A ativista e assessora de políticas públicas para inclusão dos direitos autistas de Várzea Grande, Priscila Lima, defende a necessidade de ampliar a conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) para além do Dia Mundial do Autismo, celebrado hoje, 2 de abril.
Avó de uma criança autista de seis anos, ela ressalta a importância de políticas públicas que garantam diagnóstico precoce, acesso a tratamentos na rede pública e inclusão social. O Abril Azul foi instituído em 2007, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) criou a data para ampliar o debate sobre os direitos e desafios enfrentados pelas pessoas autistas em todo o mundo.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 2 milhões de pessoas no Brasil estão dentro do espectro autista. O autismo é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por desenvolvimento atípico, manifestações comportamentais, dificuldades na comunicação e interação social, além de padrões de comportamento repetitivos e um repertório restrito de interesses e atividades.

“A falta de diagnóstico e as dificuldades no acesso ao tratamento na rede pública são grandes desafios. Mesmo quem possui plano de saúde enfrenta barreiras devido ao alto custo. Com o aumento da conscientização, os diagnósticos têm crescido significativamente, mas a quantidade de profissionais especializados não acompanha essa demanda”, afirmou Priscila.
Inclusão escolar: desafios e avanços
A educação inclusiva é essencial para garantir uma sociedade mais justa e igualitária. Apesar da legislação brasileira prever a inserção de alunos autistas em escolas regulares, ainda há um longo caminho a percorrer. A falta de professores capacitados, a carência de mediadores e o preconceito são algumas das barreiras enfrentadas pelas crianças com (TEA) e suas famílias.
“Minha neta não tem condições de ir à escola sem um acompanhante. Na semana passada, nosso plano de saúde entrou com um pedido na Justiça para retirar a acompanhante terapêutica que a leva para a escola, alegando que não tem obrigação de custear o serviço fora da clínica”, relatou Priscila.

Diagnóstico e tratamento
Especialistas alertam que a identificação precoce do autismo é fundamental para garantir um melhor desenvolvimento das habilidades sociais e cognitivas.
A psicóloga Maiara Abreu destaca a importância de um ambiente educacional adaptado “a inclusão precisa ser efetiva e sair do papel. Por exemplo, na escola, não é a criança que deve se adaptar ao ambiente, mas a escola que deve se ajustar às necessidades das crianças com espectro autista. Além disso, é essencial estar atento aos sinais. Quanto antes o diagnóstico for feito, melhor será para o desenvolvimento da criança”, enfatizou a psicóloga.
Terapias comportamentais, fonoaudiologia e apoio multidisciplinar são fundamentais para o desenvolvimento de crianças e adultos com o Transtorno do Espectro Autista (TEA). No entanto, muitas famílias enfrentam dificuldades para conseguir atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o que as leva a buscar alternativas particulares – muitas vezes inacessíveis financeiramente.
Mercado de trabalho
Outro grande desafio enfrentado pelas pessoas autistas é a inserção no mercado de trabalho. Muitas empresas ainda desconhecem o potencial produtivo dos profissionais com (TEA), limitando suas oportunidades. Iniciativas como o Programa de Inclusão Profissional para Autistas, promovido por algumas instituições, buscam mudar essa realidade, demonstrando que a diversidade no ambiente corporativo traz benefícios tanto para os trabalhadores quanto para as empresas.
Conscientização e combate ao preconceito
Campanhas de conscientização são essenciais para combater a desinformação e o preconceito em relação ao autismo. Movimentos como o Abril Azul têm sido fundamentais para ampliar o debate e incentivar políticas públicas mais eficazes. Para que a inclusão seja efetiva, é necessário um esforço coletivo entre governo, sociedade e iniciativa privada. Apenas assim será possível garantir um futuro mais justo para todas as pessoas dentro do espectro autista.
Adaptação de espaços públicos para autistas
A vereadora Nadir Santana (União) destacou alguns projetos voltados para adaptar espaços públicos às necessidades das pessoas com TEA e suas famílias.

“A Câmara de Vereadores de Lucas do Rio Verde fez uma indicação ao Executivo Municipal para que sejam feitas adaptações em locais públicos e praças, visando atender o público autista. Sabemos que os espaços de lazer devem ser acessíveis para garantir maior qualidade de vida e inclusão de fato”, afirmou a vereadora.






























