A Escola Estadual Militar Tiradentes “Sd PM Adriana Morais Ramos” realizou nesta quarta-feira (16), em Lucas do Rio Verde, uma das cerimônias mais simbólicas da rotina escolar: a troca de cordel.
O evento aconteceu às 19h, em frente ao 13º Batalhão da Polícia Militar, e reuniu alunos, familiares e autoridades.
O diretor da unidade, tenente-coronel Crystiano Vasconcelos, destacou o alcance da cerimônia e o envolvimento da comunidade escolar.
“950 alunos participaram da solenidade da cerimônia de troca de cordel. É um momento de muita emoção para os alunos e para todos que estiveram presentes”, afirmou.
Segundo ele, a participação dos pais reforça a importância do evento dentro do projeto pedagógico da escola. “A gente, na condição de gestor escolar, fica muito feliz em ver a participação das famílias nesse momento único da escola Tiradentes.”
Ele também explicou que a troca de cordel simboliza uma virada na rotina dos estudantes, especialmente para os mais novos.
“A troca de cordel é o momento que marca o encerramento daquele período de adaptação dos novos alunos, do sétimo ano, principalmente. Então, hoje, todo mundo fardado. O ‘lindoforme’ [camiseta branca e calça jeans utilizada pelos novatos] deixa de existir a partir de hoje e agora a cobrança com apresentação pessoal e as regras normais da escola voltam à rotina”, disse.
Sobre o processo de adaptação às normas, o diretor ressaltou que a base começa ainda no ato da matrícula.
“Todo pai, toda mãe, quando vai fazer a matrícula, já toma conhecimento de um documento com um resumo das principais regras da escola. O aluno já vem sabendo o básico”, explicou.
Segundo ele, o restante é assimilado no dia a dia. “À medida que ele vai convivendo com os outros alunos, vai aprendendo por imitação, por convivência. Não tem muito segredo, eles aprendem rápido.”
Para além de um detalhe do uniforme, o cordel carrega significado dentro do modelo cívico-militar.
A mudança desse elemento representa um avanço na trajetória dos estudantes — é o momento em que eles deixam de ser apenas recém-chegados e passam a assumir, de forma mais consolidada, os valores e responsabilidades da instituição.
Na prática, a cerimônia funciona como um rito de passagem. É quando o aluno mostra que conseguiu se adaptar à rotina disciplinar, às regras e à cultura da escola. E isso não acontece só dentro da sala de aula: envolve postura, convivência e compromisso no dia a dia.
O modelo das escolas militares aposta justamente nessa formação mais ampla. Além do conteúdo pedagógico tradicional, há um foco claro em disciplina, organização e respeito à hierarquia.
A troca de cordel, nesse contexto, ajuda a materializar esses conceitos — transforma valores abstratos em algo visível, reconhecido publicamente.
Outro ponto importante é o envolvimento da comunidade. A presença dos professores, das famílias e de representantes da Polícia Militar reforça a conexão entre escola e sociedade.
É uma forma de mostrar, na prática, o resultado de um processo educativo que vai além das notas.
Para os estudantes, o momento costuma ser carregado de expectativa. É reconhecimento, mas também responsabilidade. A partir dali, a cobrança aumenta — e o próprio ambiente escolar passa a exigir mais maturidade.
Já para os pais, a cerimônia representa um retorno concreto: ver o filho avançando dentro de um modelo que prioriza disciplina e formação cidadã.
Rituais como a troca de cordel ajudam a dar sentido à trajetória escolar — é uma forma de marcar etapas, criar pertencimento e reforçar, na prática, o tipo de cidadão que a escola pretende formar.































