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    Médicos e pacientes cobram na Câmara aprovação de política nacional para imunodeficiência genética rara

    Cristiane Monteiro: "O sistema de saúde não estava

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    Médicos e pacientes pediram, em audiência na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (23), a aprovação urgente do Projeto de Lei 1778/20, que cria a Política Nacional de Atenção Integral às Imunodeficiências Primárias.

    O projeto já foi aprovado pela Comissão do Trabalho e está em análise na Comissão de Educação, mas ainda será avaliado pelas comissões de Saúde e de Constituição e Justiça.

    A médica Natasha Ferraroni, doutora pela Universidade de São Paulo, explicou que a condição é hoje chamada de erros inatos da imunidade.

    “É um problema no sistema imunológico. São mais de 550 doenças genéticas raras que aumentam o risco de infecções graves e recorrentes, além de doenças autoimunes e câncer. Pacientes precisam de acompanhamento contínuo e podem ter internações frequentes e alta mortalidade”, disse.

    Pacientes ouvidos durante o debate relataram uma série de dificuldades:

    • falta de especialistas;
    • ausência de protocolo padronizado;
    • diagnóstico tardio;
    • medicamentos de alto custo;
    • necessidade, em alguns casos, de transplante de medula óssea.

    No mundo, a condição afeta uma em cada 1.200 pessoas, segundo a Sociedade Europeia de Imunodeficiência. No Brasil, a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia estima 170 mil casos, com 70% sem diagnóstico correto.

    Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
    Audiência Pública - Política nacional de atenção integral às imunodeficiências primárias. Vivendo com Erros Inatos da Imunidade, Cristiane Monteiro.
    Cristiane Monteiro: “O sistema de saúde não estava preparado”

    A paciente Cristiane Monteiro, fundadora de um grupo de apoio, relatou a experiência com a doença.

    “Antes do diagnóstico, passei anos entre hospitais e internações. O sistema não estava preparado. Eu sobrevivi, mas muitos não.”

    O projeto prevê:

    • atendimento ambulatorial e hospitalar humanizado;
    • acompanhamento multidisciplinar;
    • assistência farmacêutica;
    • criação de centros de referência no SUS.

    Impactos do projeto
    A médica Franciane de Paula da Silva destacou os impactos da proposta.

    “O projeto representa diagnóstico precoce, acesso ao tratamento, organização do sistema e redução da mortalidade.”

    O médico Leonardo Mendonça, do Hospital das Clínicas da USP, afirmou que a medida terá grande impacto social e sanitário.

    A líder de pacientes Daniela Bianchi também pediu rapidez na análise. “Não podemos mais esperar.”

    Próximos passos
    Autora do projeto, a deputada Erika Kokay (PT-DF) lamentou a demora na análise, que já dura seis anos, e anunciou nova estratégia.

    “Vamos atuar em duas frentes: acelerar nas comissões e buscar o regime de urgência para levar o texto ao Plenário.”

    Ela também cobrou ações dos gestores públicos.

    Representantes dos ministérios da Saúde, da Educação e do Trabalho apresentaram medidas em andamento. O coordenador nacional de doenças raras, Natan de Sá, citou avanços na criação de centros de referência e na triagem neonatal, mas destacou desafios. Atualmente, o país tem cerca de 2,2 mil alergistas e imunologistas para atender toda a população.

    Reportagem – José Carlos Oliveira
    Edição – Geórgia Moraes

    Fonte: Câmara dos Deputados

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