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    “Delegacia da Mulher ficou mais de 12 anos no papel”, relembra Virginia Mendes

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    A ex-primeira-dama de Mato Grosso, Virginia Mendes, falou nesta manhã sobre o trabalho desenvolvido em defesa das mulheres vítimas de violência e relembrou as dificuldades enfrentadas para implantar a Delegacia 24 Horas da Mulher no estado.

    Segundo Virginia, a criação da unidade especializada era uma demanda antiga do Judiciário e de movimentos ligados à proteção feminina, mas o projeto permanecia sem avanços há mais de uma década.

    “Nós trabalhamos com as mulheres que são vítimas de violência. Tinha de 10 a 12 anos que eles queriam fazer uma delegacia específica para as mulheres, mas não conseguiam”, afirmou.

    Ela contou que desembargadoras, representantes do Tribunal de Justiça e outras lideranças femininas tentaram, ao longo dos anos, viabilizar a delegacia sem sucesso. De acordo com Virginia, o grupo a procurou logo no início de sua atuação como primeira-dama.

    “Quando elas me chamaram para uma reunião, eu fiquei até assustada, porque eu tinha acabado de entrar e ainda não sabia direito como funcionava tudo”, relatou.

    Virginia disse que o principal pedido feito durante o encontro foi para que ela ajudasse a tirar o projeto do papel. A proposta previa uma delegacia voltada exclusivamente ao atendimento feminino, com delegadas e equipes formadas apenas por mulheres.

    Para ela, esse modelo de acolhimento faz diferença no momento em que a vítima busca ajuda.

    “A mulher entende melhor a outra. Muitas chegam machucadas, emocionalmente abaladas, e às vezes enfrentam situações de machismo até na hora de denunciar”, destacou.

    A ex-primeira-dama afirmou que o processo para implantação da unidade foi complexo, mas que o projeto conseguiu ser concretizado e segue funcionando atualmente.

    “Foi difícil, eu confesso que não foi fácil, mas conseguimos tirar do papel. A delegacia funciona até hoje e as pessoas dão um retorno positivo sobre o atendimento”, disse.

    Virginia também chamou atenção para o fato de que a violência doméstica atinge mulheres de todas as classes sociais. Segundo ela, muitas vítimas ainda sentem vergonha de denunciar os casos de agressão.

    “Tem gente que pensa que só mulheres humildes passam por isso, mas não. Acontece em todos os níveis sociais”, afirmou.

    Ela revelou ainda que já recebeu relatos de amigas que procuraram a delegacia após episódios de violência envolvendo familiares e elogiaram o acolhimento recebido na unidade especializada.

    Ao final, Virginia reforçou a importância de políticas públicas voltadas à proteção das mulheres e afirmou que o combate à violência doméstica precisa continuar sendo tratado como prioridade.

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