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Com crédito mais rigoroso e quase 24 mil inscritos, mercado imobiliário de Mato Grosso mantém expansão, afirma Rodrigo Lucena

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Mesmo diante dos juros elevados, do encarecimento da construção civil e de uma análise mais rígida dos financiamentos habitacionais, o mercado imobiliário de Mato Grosso continua crescendo e atraindo novos profissionais. A avaliação é do presidente em exercício do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Mato Grosso (CRECI-MT), Rodrigo Lucena, que também defendeu a valorização da categoria, alertou para os riscos da atuação de falsos corretores e destacou o processo de aproximação do conselho com profissionais do interior do estado.

 

Durante entrevista ao programa Espaço Aberto, Lucena afirmou que o setor atravessa um momento de adaptação às condições econômicas do país, mas ainda encontra sustentação na demanda por moradia e nos programas habitacionais.

 

“A concessão do crédito está um pouquinho mais apurada. O banco está analisando de uma forma muito especial o risco da operação, mas tem acontecido, tem liberado bastante crédito. As instituições financeiras ainda possuem recursos para manter uma boa liberação de financiamentos”, afirmou.

 

A declaração reflete um cenário que tem sido observado em todo o país. Embora o acesso ao financiamento imobiliário tenha se tornado mais seletivo, o crescimento econômico de Mato Grosso e o déficit habitacional continuam impulsionando a procura por imóveis, especialmente entre famílias que buscam a primeira moradia.

 

Segundo Lucena, os programas habitacionais seguem sendo fundamentais para sustentar esse movimento.

 

“Quem tem necessidade de moradia continua comprando. As melhorias nos enquadramentos do Minha Casa Minha Vida têm ajudado bastante o mercado imobiliário”, destacou.

 

O crescimento do setor também aparece nos números da profissão. De acordo com o dirigente, Mato Grosso está próximo de atingir a marca de 24 mil corretores inscritos no conselho, sendo entre 16 mil e 17 mil profissionais efetivamente atuantes.

 

“Todo mês nós recebemos novos pedidos de credenciamento de corretores que já concluíram sua formação e buscam ingressar oficialmente na profissão”, explicou.

 

A expansão da categoria acompanha o avanço do mercado imobiliário em cidades que vivem ciclos de crescimento impulsionados pelo agronegócio, pela industrialização e pela expansão urbana.

 

Outro fenômeno observado pelo conselho é o aumento da participação feminina na corretagem. Para Lucena, as mulheres têm assumido protagonismo crescente dentro do setor.

 

“As mulheres têm um toque especial de cuidar do mercado, de atender o cliente e de buscar conhecimento. O crescimento da participação feminina é muito positivo para o mercado imobiliário”, afirmou.

 

Segundo ele, o CRECI-MT tem investido em iniciativas específicas para fortalecer a presença das mulheres na atividade, acompanhando uma tendência observada em todo o país.

 

Além dos desafios econômicos, Lucena apontou a atuação de falsos corretores como uma das principais preocupações da categoria. Segundo ele, a fiscalização tem papel fundamental na proteção dos consumidores e na credibilidade do mercado.

 

“O CRECI existe para proteger a sociedade. Temos um problema nacional com pessoas que se passam por corretores e conseguem ludibriar clientes que desconhecem como funciona o mercado imobiliário”, alertou.

 

O dirigente destacou que os prejuízos causados por esse tipo de fraude costumam atingir justamente pessoas que investiram anos de trabalho e economia para adquirir um imóvel.

 

“Esses falsários acabam usando o mercado imobiliário para tirar recursos de famílias que sonham com a casa própria”, disse.

 

A entrevista também abordou casos recentes de empreendimentos que tiveram obras interrompidas, deixando compradores em situação de insegurança. Para Lucena, a alta dos custos da construção civil e a escassez de mão de obra ajudam a explicar parte dessas dificuldades enfrentadas por algumas empresas.

 

“O material de construção aumentou demais e a mão de obra está escassa. Algumas construtoras tiveram dificuldades porque a conta simplesmente deixou de fechar durante a execução da obra”, afirmou.

 

Diante desse cenário, ele defendeu que os compradores busquem orientação profissional antes de fechar negócio e que os corretores aprofundem a análise sobre a saúde financeira e documental das empresas responsáveis pelos empreendimentos.

 

“O corretor precisa conhecer profundamente a construtora, a incorporação e o registro do empreendimento para direcionar o cliente ao melhor produto”, ressaltou.

 

À frente do conselho durante o afastamento temporário do presidente licenciado Claudecir Contrera, Lucena afirma que uma das prioridades da atual gestão tem sido ampliar o diálogo com os profissionais do interior do estado. Segundo ele, o projeto Conecta CRECI Mob MT foi criado justamente para ouvir corretores e imobiliárias em diferentes regiões.

 

“Estamos visitando imobiliárias, ouvindo suas dificuldades e aproximando esses profissionais do conselho. Muitos corretores do interior se sentiam distantes da instituição e estamos trabalhando para mudar essa realidade”, afirmou.

 

O dirigente também saiu em defesa da gestão de Contrera ao comentar críticas direcionadas ao conselho. Sem entrar em questões específicas, ele afirmou que eventuais denúncias devem seguir os canais competentes e criticou acusações sem comprovação.

 

“As pessoas têm direito de questionar e buscar esclarecimentos, mas é importante que qualquer acusação tenha fundamento. O conselho está de portas abertas para prestar informações a quem tiver dúvidas”, declarou.

 

Ao encerrar a entrevista, Lucena fez um apelo pela união da categoria e reforçou a necessidade de fortalecer a ética profissional dentro do mercado imobiliário.

 

“Uma pessoa consegue fazer a diferença, mas quando todos trabalham juntos conseguimos transformar o mercado, proteger a sociedade e valorizar a profissão de corretor de imóveis”, concluiu.

 

 

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