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Clariana Barão assume pré-candidatura do DC à Presidência e aposta em renovação política para romper polarização

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A advogada e empresária Clariana Barão, presidente do Democracia Cristã (DC) em Mato Grosso, passa a ocupar um espaço inédito no cenário político nacional ao ser confirmada como pré-candidata à Presidência da República nas eleições de 2026. Moradora de Várzea Grande e sem experiência em mandatos eletivos, ela assume a cabeça de chapa da legenda após a desistência do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, tornando-se um dos nomes que buscarão romper a polarização que tem marcado as últimas disputas presidenciais.

 

A escolha encerra um período de indefinição dentro do Democracia Cristã. Antes de oficializar Clariana, o partido tentou viabilizar as candidaturas do ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo e, posteriormente, de Joaquim Barbosa. Com a desistência deste último, a direção nacional optou por apostar em uma liderança formada dentro da própria legenda, que já comandava o diretório estadual em Mato Grosso.

 

Questionada sobre assumir a candidatura depois de outras tentativas do partido, Clariana rejeitou a ideia de que sua indicação seja circunstancial.

 

“A disputa presidencial não começa igual para todo mundo. Alguns candidatos já largam com muito mais estrutura, visibilidade e reconhecimento. Isso faz parte da realidade política. É natural que um partido converse primeiro com nomes de maior alcance, mas nós sempre discutimos outras possibilidades caso isso não se concretizasse. A diferença é que eu não estou aqui como um plano B. Estou aqui porque acredito no projeto e porque não vou desistir.”

 

Embora reconheça as dificuldades enfrentadas por uma legenda de menor porte, Clariana afirma que pretende transformar justamente essas limitações em um diferencial da campanha. Sem tempo de propaganda eleitoral na televisão e com estrutura reduzida, ela aposta nas redes sociais e no contato direto com os eleitores.

 

“Vamos usar aquilo que hoje aproxima as pessoas: as redes sociais, o contato direto e a mobilização popular. Quero entrar na casa das pessoas pelo celular, conversar olhando nos olhos, sem intermediários.”

 

A estratégia busca compensar uma das principais fragilidades do Democracia Cristã diante de adversários que deverão contar com grandes coligações partidárias, maior financiamento eleitoral e amplo espaço na propaganda gratuita.

 

Durante a entrevista, Clariana também procurou construir sua candidatura como uma alternativa ao ambiente de forte divisão política observado no país nos últimos anos. Sem se posicionar em um dos polos que dominam o debate nacional, ela afirma que pretende dialogar com os brasileiros que não se sentem representados pelas principais forças políticas.

 

“O Brasil merece ter uma alternativa a essa polarização que já cansou tanta gente.”

 

Em outro momento, reforçou esse posicionamento ao afirmar:

 

“Não me coloquem em um campo. Eu me coloco à disposição do povo brasileiro. Daquele que perdeu a esperança, daquele que está decepcionado e até daquele que pensa em nem votar mais.”

 

Ao apresentar as prioridades de um eventual governo, Clariana coloca a proteção às mulheres entre os primeiros compromissos da gestão. Segundo ela, medidas protetivas precisam deixar de ser apenas instrumentos burocráticos para se tornarem mecanismos efetivos de prevenção à violência.

 

“Medida protetiva vai valer de verdade. Boletim de ocorrência não pode ser apenas um papel. Quem ameaçar uma mulher vai entender que o Estado está ao lado da vítima, e não do agressor. Vamos integrar as forças de segurança, usar tecnologia e agir com rapidez para salvar vidas. Mulher não pode viver com medo.”

 

Além da segurança pública, a pré-candidata defende a ampliação de políticas voltadas às mulheres, como creches próximas às residências, fortalecimento das redes de acolhimento e criação de oportunidades que ampliem a autonomia econômica feminina.

 

Outro eixo apresentado por Clariana é a educação. Ela afirma que pretende investir na melhoria das condições das escolas públicas, defendendo que uniformes, material escolar e infraestrutura adequada representam instrumentos importantes para reduzir desigualdades sociais.

 

“Toda criança merece uniforme de qualidade, material escolar digno e uma educação que lhe dê oportunidades. Isso parece simples, mas faz uma diferença enorme na vida de milhões de famílias.”

 

A reforma política também aparece entre as prioridades defendidas pela pré-candidata. Segundo ela, é necessário reduzir o distanciamento entre Brasília e a população, tornando o funcionamento da máquina pública mais eficiente e voltado às necessidades dos cidadãos.

 

Por ser mato-grossense, Clariana foi questionada sobre um dos temas mais sensíveis para o Estado: a relação entre produção agrícola e preservação ambiental. A resposta procurou afastar a ideia de conflito entre as duas agendas.

 

“Eu venho de Mato Grosso e conheço de perto a força do agronegócio. O agro movimenta a economia brasileira, gera empregos e ajuda a colocar comida na mesa de milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, também acredito que cuidar do meio ambiente é uma obrigação. Não precisamos escolher entre um e outro. O caminho é produzir com responsabilidade, preservar nossos recursos naturais e investir em tecnologia.”

 

Ao longo da entrevista, Clariana também destacou sua trajetória fora da política profissional. Advogada, empresária e mãe, ela afirma que desenvolveu ações sociais em comunidades de Várzea Grande e participou de iniciativas de apoio às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, experiências que, segundo ela, influenciaram sua visão sobre gestão pública.

 

“Eu me apresento como aquilo que sou: uma empresária, advogada, mãe e uma outsider. Alguém que decidiu aceitar esse desafio porque acredita que o Brasil precisa ouvir novas vozes.”

 

Sua candidatura, entretanto, começa cercada por desafios significativos. Além da baixa estrutura partidária e da ausência de tempo na televisão, Clariana terá a missão de tornar seu nome conhecido nacionalmente em uma disputa que tende a concentrar atenções sobre candidatos apoiados por grandes partidos e lideranças já consolidadas.

 

Ainda assim, sua entrada na corrida presidencial possui relevância política por colocar Mato Grosso novamente no centro do debate nacional e levar ao cenário eleitoral uma candidatura construída fora dos tradicionais eixos de poder. Ao defender uma alternativa à polarização, fortalecer políticas públicas para mulheres, investir em educação e conciliar desenvolvimento econômico com preservação ambiental, Clariana Barão inicia uma campanha cujo principal desafio será transformar projeção regional em competitividade nacional.

 

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