Após quase quatro meses convivendo com a falta de água, mais de 500 famílias da comunidade Formigueiro, em Várzea Grande, voltaram a ter o abastecimento restabelecido. O poço artesiano que atende a região foi reativado na noite de sexta-feira (7) e, no sábado (8), o governador Otaviano Pivetta esteve pessoalmente no local para acompanhar a retomada do serviço e anunciar o reforço das ações de perfuração de poços no município.
A visita expôs, mais uma vez, a dimensão de um problema que deixou de ser pontual para se transformar em uma das principais questões de infraestrutura de Várzea Grande: garantir que a água tratada chegue de forma regular à população.
Na comunidade Formigueiro, a realidade é ainda mais complexa. Cerca de 400 chácaras abrigam mais de 500 famílias, que passaram meses enfrentando dificuldades para ter acesso a um serviço básico. Segundo os moradores, a presença de um governador na comunidade também teve um significado simbólico, diante da distância histórica entre o poder público e aquela região.
“Para nós é muito importante receber o Pivetta aqui. Nunca um governador tinha vindo até a comunidade. Estávamos há quase quatro meses enfrentando esse problema com a água e ontem o poço foi reativado. A gente agradece pela sensibilidade de vir aqui, ouvir os moradores e conhecer a nossa realidade”, afirmou o morador João Bosco.
Além da água, os moradores aproveitaram a presença do governador para apresentar outras demandas, principalmente relacionadas às condições de acesso e ao asfaltamento da estrada que atende a comunidade. Pivetta, porém, sinalizou que a prioridade imediata é consolidar o abastecimento antes de avançar sobre as demais reivindicações.
“Esse é o início de uma nova era. Primeiro vamos colocar água, depois vamos organizar o acesso e resolver as outras demandas. Nós estamos virando essa página da falta de água em Várzea Grande”, afirmou.
A declaração sintetiza a estratégia adotada pelo Governo do Estado diante da crise: atuar diretamente na estrutura do Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE-VG) e ampliar a capacidade de produção de água por meio da perfuração de novos poços.
Segundo Pivetta, a atuação estadual não deve ser apenas emergencial. “O Governo do Estado entrou para dentro do DAE para ficar. Isso é um compromisso, é uma política de Estado”, declarou o governador, acrescentando que a intenção é manter equipes acompanhando de perto as necessidades do município.
Como parte da ofensiva, uma nova perfuratriz que atualmente está na região do Araguaia deve chegar a Várzea Grande a partir desta segunda-feira (10). Com o equipamento, duas perfuratrizes passarão a atuar simultaneamente no município, ampliando a capacidade de abertura de novos poços artesianos.
A medida busca atacar um dos pontos mais sensíveis da crise: aumentar a oferta de água em regiões onde a estrutura existente não consegue atender adequadamente à demanda.
A agenda de Pivetta também incluiu a região do Distrito Industrial e da Praia Grande, onde equipes técnicas do Governo do Estado e do DAE trabalham em ações para ampliar a oferta de água tratada.
Na área existem três poços artesianos que integram a estratégia de reforço do abastecimento. A atuação conjunta entre Estado e município ocorre no âmbito da chamada Aliança pela Água, criada para enfrentar de maneira mais ampla os problemas históricos do sistema de abastecimento de Várzea Grande.
Mais do que a reativação de um poço específico, o movimento sinaliza uma tentativa de mudar a lógica de enfrentamento da crise. Em vez de atuar apenas quando bairros ficam sem água, a proposta apresentada pelo Estado é ampliar a produção, reforçar a estrutura e aumentar a capacidade de resposta do sistema.
Na Formigueiro, entretanto, a população sabe que a retomada da água é apenas o primeiro passo. Depois de quase quatro meses de espera, a expectativa agora é que o abastecimento se mantenha regular e que as demais demandas apresentadas ao governador também avancem.
“Se faltava atitude, nós tomamos. Não vamos mais sair daqui sem resolver esses problemas”, afirmou Pivetta.
A promessa coloca o Governo do Estado diante de um desafio que vai além da solução emergencial: transformar a recuperação do abastecimento em uma mudança permanente na relação de Várzea Grande com um dos serviços públicos mais básicos — e, há anos, mais problemáticos do município.





























