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Pivetta abre campanha à reeleição em Lucas do Rio Verde e transforma trajetória pessoal em símbolo de um projeto para Mato Grosso

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O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) escolheu Lucas do Rio Verde, cidade onde construiu sua vida empresarial e iniciou a trajetória política, para dar o primeiro passo oficial na campanha à reeleição ao Governo de Mato Grosso.

Na manhã deste domingo (16), o Lago Ernane José Machado recebeu o lançamento da campanha “Pivetta 10”, em um ato que reuniu familiares, aliados e apoiadores e teve como um dos principais elementos a apresentação do jingle que acompanhará a disputa eleitoral.

 

A escolha do município não foi apenas geográfica. Lucas do Rio Verde ocupa um lugar central na narrativa política construída por Pivetta ao longo de mais de quatro décadas em Mato Grosso, sendo reconhecida nacionalmente pelo seu IDH, sua cadeia produtiva na agroindústria e seu programa de preservação da mata ciliar.

Foi onde Pivetta se estabeleceu em 1982, vindo do Rio Grande do Sul, acompanhou a emancipação do município em 88, lutou pelo seu crescimento, desenvolveu sua trajetória no setor produtivo e entrou para a vida pública.

Exerceu em Lucas do Rio Verde três mandatos como prefeito, em períodos distintos, antes de ampliar sua atuação para a política estadual.

 

Ao abrir a campanha justamente na cidade que considera sua base política, Pivetta procura associar sua candidatura a uma história de construção, trabalho e desenvolvimento.

O jingle lançado neste domingo segue exatamente essa linha. Em vez de apresentar apenas um slogan eleitoral, a composição recupera episódios da trajetória familiar do governador, sua chegada a Mato Grosso e a relação construída com o Estado.

 

A música utiliza a imagem do pai, caminhoneiro, da mãe, dos irmãos e dos valores de educação, trabalho e família para construir uma espécie de biografia política em poucos minutos.

O recurso aproxima o candidato de uma narrativa conhecida no interior de Mato Grosso: a do migrante que chega ao Estado, encontra oportunidades, trabalha, produz e participa do processo de transformação econômica da região.

 

O refrão, por sua vez, abandona a dimensão biográfica e assume claramente o discurso eleitoral. A mensagem é de continuidade, crescimento e prosperidade, com a ideia de que Mato Grosso deve “seguir em frente” e “para cima”. O número 10, identificação eleitoral de Pivetta pelo Republicanos, aparece como elemento central da comunicação da campanha.

 

A escolha da sanfona também não é um detalhe secundário. O instrumento aparece associado à identidade pessoal do governador, que sabe tocar o instrumento, e ajuda a dar à peça uma sonoridade mais popular e regional.

A estratégia combina a história pessoal do candidato com uma linguagem simples, procurando transformar a biografia em identidade de campanha.

 

O lançamento revela a linha narrativa que Pivetta pretende levar para a disputa: a de alguém que conhece Mato Grosso não apenas pela política, mas pela experiência de quem chegou ao Estado, empreendeu, ajudou a construir uma cidade e posteriormente ocupou diferentes posições na administração pública.

 

A trajetória política ajuda a sustentar essa construção. Pivetta foi prefeito de Lucas do Rio Verde em três ocasiões — de 1997 a 2004 e novamente de 2013 a 2016 — e também exerceu mandato de deputado estadual.

Posteriormente, foi eleito vice-governador na chapa de Mauro Mendes em 2018 e novamente em 2022. Em março deste ano, assumiu o Governo de Mato Grosso após a renúncia de Mendes, que deixou o cargo para disputar uma vaga ao Senado.

 

A passagem da vice-governadoria para o comando do Estado tornou a eleição de 2026 particularmente importante para Pivetta. Pela primeira vez, ele disputa o Governo como titular do Palácio Paiaguás, tentando transformar a experiência acumulada ao lado de Mauro Mendes em um projeto próprio de continuidade administrativa.

 

Nesse cenário, começar a campanha em Lucas do Rio Verde também permite ao candidato explorar uma dimensão política que vai além do simbolismo pessoal. O município é uma das referências do agronegócio mato-grossense e integra uma região que se tornou um dos principais motores econômicos do Estado. A história de Pivetta se confunde, em parte, com esse processo de expansão.

 

A campanha começa em um ambiente de disputa aberta. Pesquisa divulgada nesta semana mostra Wellington Fagundes (PL) e Pivetta entre os nomes mais citados para o Governo de Mato Grosso. No cenário espontâneo, Fagundes aparece com 14% e Pivetta com 10%, enquanto metade dos entrevistados declarou ainda não saber em quem votar. O dado revela, ao mesmo tempo, a existência de uma liderança na corrida e um elevado grau de indefinição do eleitorado.

 

É justamente nesse eleitor ainda não decidido que a campanha terá uma de suas principais batalhas, para conquistá-lo, a escolha de Gisela Simona como vice se apresenta como uma estratégia sólida para aqueles que cobram uma presença mais significativa das mulheres na política.

O lançamento deste domingo sinaliza que Pivetta pretende apresentar sua candidatura não apenas como uma alternativa eleitoral, mas como continuidade de um modelo de gestão associado ao desenvolvimento econômico, à infraestrutura e à expansão da capacidade produtiva de Mato Grosso.

 

O momento também ocorre em meio a articulações políticas para a formação da chapa e consolidação das alianças. Nos últimos dias, o entorno de Pivetta passou a concentrar movimentações relacionadas à composição da candidatura, incluindo discussões sobre a vaga de vice e a manutenção ou não de determinados grupos na aliança governista.

Ao optar por uma largada com forte componente emocional e familiar, Pivetta evita iniciar a campanha exclusivamente pelo discurso institucional. O candidato apresenta primeiro a própria história para, a partir dela, defender uma ideia de futuro.

 

A mensagem é relativamente direta: Mato Grosso mudou, cresceu e prosperou; Pivetta afirma ter participado dessa transformação e agora pede ao eleitor a oportunidade de conduzir o Estado por mais um ciclo.

 

O lançamento em Lucas do Rio Verde, portanto, funciona em duas frentes. Para a população local, representa o retorno político de uma liderança cuja trajetória está profundamente ligada ao município. Para o restante de Mato Grosso, é o início formal de uma campanha que tentará converter essa história pessoal em credencial para permanecer no comando do Estado.

 

Depois de décadas de atuação empresarial e política, Pivetta começa sua campanha exatamente de onde, segundo a narrativa construída pela própria equipe, tudo começou: em Lucas do Rio Verde. E faz da própria trajetória a primeira peça de uma disputa que, a partir deste domingo, entra oficialmente em uma nova fase.

 

 

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