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Dois milhões e quatrocentos mil eleitores decidem futuro de Mato Grosso neste domingo após campanha acirrada entre candidatos

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Em Mato Grosso, as eleições de 2022 terão 6,2% eleitores a mais que o último pleito, realizado em 2022, segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Ao todo, 2.469.414 milhões de eleitores estão aptos para irem às urnas neste domingo (2).

A maioria é mulher (51%), a faixa etária com maior número de eleitores é de 45 e 59 anos (12,74 %), 54,20% são solteiros e 26,48% têm o ensino médio completo (26,48%). Apesar de ser maioria no número de eleitores, o contingente feminino não tem a predominância nos cargos eletivos. 

Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), a atual legislatura conta com apenas uma deputada. A cadeiraocupada pela parlamentar representa menos de 10% do total de vagas da Casa de Leis. Cientista político e doutor em Ciências Sociais, Raimundo França explica que o fator gênero feminino não é determinante em termos de quantidade de voto para eleger uma candidata. Segundo ele, há, na verdade, uma relação contrária.

“Mulher tende a não votar em mulher”. Segundo Raimundo, é possível apontar raízes -no plural – para o problema. “Começa pela nossa formação patriarcal em que os postos de comando são historicamente de homens. As máquinas partidárias reproduziram isso ao longo do tempo”. Nem mesmo a obrigatoriedade do percentual feminino foi capaz de virar esse jogo.

“Isso é apenas meramente formalidade . Na hora da distribuição dos recursos para as campanhas elas recebem baixo orçamento para que, de fato, elas sejam menos competitivas. Essa é uma das raízes”, afirma.  Lutando contra este pensamento enraizado,

Rosane Beatriz Lemos, 50, solteira e com o ensino médio completo, vai às urnas para votar em candidatas. “Meu voto é em mulher, incentivo o voto nas candidatas e estou colocando isso até no WhatsApp para todo mundo ver”, conta. Rosane ainda sente falta de sororidade, que significa o sentimento de irmandade, empatia, solidariedade ou união entre as mulheres.

“Só a mulher sabe a dor que é ser mulher. Também é preciso entender a condição de mulher como potência”, acrescenta. Para o cientista político, o caminho é, de fato, este, que as mulheres tomem para si cada vez mais os lugares de poder para, ao longo do processo , assumirem os lugares de representação.

“É preciso ter autorepresentação e representação de todos os segmentos sociais. Por mais que um candidato seja sensível às minhas pautas, não é a mesma coisa quando é o próprio sujeito do processo argumentado”, acrescenta Raimundo.

Otavio Ventureli(da redação com GD)

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