Imagine uma rotina que vai além das atividades comuns do dia a dia: acordar cedo, cuidar da casa, dos filhos e do trabalho, gerenciar pendências domésticas, ir ao mercado, garantir a limpeza e alimentação da família, além de acompanhar pais e filhos em consultas médicas e exames. Essa é a realidade de muitas mulheres brasileiras, imersas no fenômeno conhecido como “geração sanduíche”, onde se encontram no epicentro de um cuidado multigeracional.
A médica paliativista e intensivista, Carol Sarmento, alerta para a sobrecarga emocional, financeira e física enfrentada por essas mulheres, ressaltando que a responsabilidade pelo cuidado dos mais velhos e mais novos pode levar a estresse crônico e transtornos psicológicos. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio Contínua (Pnad Contínua) do IBGE revelam que mais de um terço da população brasileira está envolvida nesse fenômeno, sendo 51% mulheres.
A escritora e educadora emocional, Dani Moraes, destaca que essa responsabilidade multigeracional recai principalmente sobre mulheres de 35 a 49 anos, que compartilham o lar com crianças, jovens e idosos. A convivência multigeracional pode trazer benefícios, mas o fardo do cuidado é uma obrigação imposta às mulheres, resultando em exaustão física e mental.
Diante desse cenário, surge a necessidade de uma transformação estrutural. Carol Sarmento, idealizadora do projeto Cuida, enfatiza a importância de que a geração sanduíche atual seja a última a enfrentar essa realidade. Isso requer preparação financeira para suportar as demandas dos pais e filhos em crescimento, estabelecimento de limites e a busca de ajuda de outros familiares. Além disso, a revisão das políticas públicas relacionadas ao cuidado torna-se essencial, conforme aponta Dani Moraes, para garantir condições adequadas não apenas para a criação de crianças, mas também para os cuidados específicos com idosos.
Num olhar para o futuro, a esperança é que as próximas gerações de mulheres não herdem o fardo da geração sanduíche, rompendo com o ciclo de sobrecarga. A busca por um equilíbrio entre autocuidado, apoio familiar e transformações sociais torna-se crucial para garantir uma qualidade de vida digna para aquelas que dedicam suas vidas ao cuidado dos outros.





























