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Aeroporto geodésico

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          Há décadas a Receita Federal vem fazendo corpo mole e dificultando burocraticamente o alfandegamento do Aeroporto Marechal Rondon. Pura má vontade. Na década de 1990 chegou a existir um vôo diário da LAB – Loyde Aéreo Boliviano,  entre Cuiabá e Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. Era um avião Boeing 707 pra 103 passageiros. O avião não enchia todos os dias, mas tinha sustentação econômica  por conta das cargas que transportava. Mas foi a burocracia da Receita Federal quem impediu a continuidade do vôo.

            Desde então o assunto foi levantado inúmeras vezes e a mesma gloriosa Receita Federal fez corpo mole. Hoje ela restringe por acusa do espaço físico que considera pequeno.

            Pois bem. O aeroporto foi privatizado e a empresa Centro-Oeste Airport, a nova concessionária, está prometendo transformar o aeroporto Marechal Rondon em um  hub  que é a designação dada ao aeroporto utilizado por uma companhia aérea  como ponto de conexão  para transferir os seus passageiros e carga para o destino pretendido da América do Sul. O diretor da empresa, Marco Antonio Migliorini, afirma: “Entendemos que o Aeroporto Marechal Rondon será um hub da América Latina, pela sua potencialidade e  e posição estratégica dentro do continente”.

            Essa é a vantagem da empresa privada. Sem propósito estratégico nenhum, a Infraero que administra os aeroportos há muito focou exclusivamente na arrecadação em todos os aeroportos e nuca olhou pro futuro como um lance possível. É a visão caótica do Estado. Quando a LAB operou aquele vôo, ficou muito fácil viajar muito mais barato para os EUA, porque em Santa Cruz o preço das passagens era muito menor. Hoje a ligação com a América Latina se faz na maioria das vezes através de conexões com São Paulo. A Infraero olha pra arrecadação de São Paulo e se esqueceu desses aspectos regionais.

            Ninguém duvida do crescimento futuro de Mato Grosso e das demandas de passageiros, de cargas e de negócios que utilizarão a aviação regional no continente e mesmo com a Europa e EUA. Como o centro geodésico da América do Sul, o Aeroporto Marechal Rondon poderá se transformar num imenso centro de convergências econômicas, comerciais e de negócios.

            Quem duvida da importância das privatizações veja esse primeiro sinal. A mesma empresa vai administrar os aeroportos de Alta Floresta, Sinop e Rondonópolis.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

[email protected]  www.onofreribeiro.com.br

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Não sei o que dizer

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            Entrei pela primeira vez numa redação em 3 de fevereiro de 1973, no Jornal de Brasília, em Brasília. De lá pra cá já se passaram mais de 47 anos diariamente ali na velha máquina de escrever ou no computador. Milhares e milhares de páginas. Comecei a escrever artigos diariamente em 29 de junho de 1990, no jornal A Gazeta. Lá se vão 30 anos, completos ontem. Durante 26 anos escrevi diariamente. Hoje, uma vez por semana. Mas escrevo também pra uma série de sites da capital e do interior.

            Conto isso, porque quero fazer um desabafo. Nunca tive dificuldades pra escrever. Sempre li muito. Isso ajuda a dar norte aos temas. Mais um banco de viagens muito grande. Muitas entrevistas conceituais ao longo desses anos. Só em Mato Grosso são 44 anos. Dirigi muitos veículos de comunicação. Etc.etc.

            Porém, neste momento, não sei o que escrever!

            Por mais que uma série de assuntos pareça nos atropelar, pouco enxergo de útil neles. Ah. O vírus. Difícil porque está politizado e mergulhado no campo das incompetências públicas e privadas. Ah. A política. Nunca esteve em nível tão baixo. Ah. O futuro. Nunca esteve tão escuro como agora. Ah. Falar das pessoas. Nunca estiveram tão perdidas como agora. Ah. A juventude. Nunca esteve tão perdida como agora. Com a imensa responsabilidade de construir o seu futuro e o da humanidade, mas temos tão pouco a lhe ensinar.

            Puxa vida! Escrever o que, então? Juro que não sei. Em tempos de guerras formais, surgem líderes que conduzem o povo até as coisas se arrumarem. Hoje não se vê no mundo esse tipo de líder. Mesmo vivendo uma guerra. Mas é uma guerra estranha. De nós contra nós mesmos. Pra isso não tem líder que seja capaz de liderar.

            Encerro. Não virá mais de fora o sentido que deverá nos guiar. Virá de dentro de nós. Mas é preciso que se encerre essa fase política pra que tenhamos a consciência de que nada de fora nos ajudará. Cada um será o mestre de si mesmo. Sem cartilhas, sem manuais e sem líderes.  Ditado chinês diz: “quando o discípulo está pronto, o mestre aparece”. Só nós mesmos!

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

[email protected]     www.onofreribeiro.com.br

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Trabalho, responsabilidade e transparência no combate à COVID-19

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Meus irmãos e minhas irmãs luverdenses.

Uma pandemia provocada pelo novo Coronavírus chegou com tudo em Mato Grosso. É um momento muito delicado de nossa história e um momento que exige calma, comprometimento de todos, muito trabalho e ação, para que nosso município consiga enfrentar essa dificuldade.

Desde o mês de março fomos obrigados a tomar decisões duras, fomos obrigados a trabalhar mais, a perder o sono e quase abrir mão de nossas vidas pessoais para voltar a nossa atenção exclusiva às necessidades da população.

Cancele o Show Safra e fomos um dos primeiros municípios do Estado a definir restrições com o objetivo de impedir o avanço do COVID 19. Desde o início, antes de obter EPIs, álcool gel, medicamentos, respiradores, porque sabíamos que esses insumos estavam perdidos no mercado. Criamos também um plano de contingência que conforme a necessidade, estamos usando na prática.

Ainda em março é criado o Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus, composto por profissionais da saúde, representantes dos verificadores, Ministério Público, Defensoria Pública e representante do Hospital São Lucas. Também cria um Comitê Econômico, com o objetivo de reduzir a perda de empregos e postos de trabalho em Lucas do Rio Verde.

Então fomos ouvindo os clamores das empresas, da ACILVE, da CDL, dos vereadores e as medidas foram sendo flexibilizadas. Nós entendemos o apelo porque não se tratava mais de macroeconomia, como no Show Safra, mas de empregos e salários que impactam nos menores, no autônomo, nos pequenos chefes de família que precisam garantir o alimento na mesa.

Mas os casos aumentaram e as medidas que tomamos nos últimos 15 também foram duras, mas entendemos que foram acertadas, tanto é que os outros municípios da região e até a capital seguiram a liderança de nosso município e também instituíram toque de recolher depois de nós.

O problema dessas medidas é que quanto mais resultado elas apresentam, mais dão a sensação de que são desnecessárias ou de que foram feitas cedo demais.

10 novas UTIs – Único município da região que abriu leitos por conta própria

O plano de contingência envolvia a criação de 10 leitos de UTI em Lucas do Rio Verde, que seriam abertas caso a rede estadual estivesse sendo toda ocupada. O serviço de UTI é de alta complexidade e é regulado pelo governo do Estado. Isso porque a maioria dos municípios não tem nem os profissionais necessários para atender em UTI, existem poucos médicos intensivistas em Mato Grosso.

Conforme a pandemia avançou no estado, abrimos esses novos 10 leitos no hospital, que só foram possíveis graças aos 5 respiradores custeados pelo município e outros 4 custeados pela sociedade, que se uniram em uma campanha organizada pela CDL.

Além das UTIs, Lucas conta com 22 leitos de enfermaria para COVID-19 e respiradores de emergência no PAM. Implantamos o Teleatendimento que está realizando cerca de 150 atendimentos por dia.

Estabelecemos desde 20 de maio o protocolo de fornecimento de medicamentos em estágio inicial dos sintomas (Kit COVID), antes mesmo da confirmação do exame. Hoje Lucas conta com estoque de medicamentos suficientes, isso porque fomos atrás de adquirir os remédios ainda no início do problema.

Fomos buscar profissionais da saúde que estão em falta em todo o Mato Grosso e conseguimos trazer médicos para a abertura de novas unidades sentinela. Hoje contamos com 3 unidades atendendo pacientes com sintomas gripais.

Realizamos o aporte de mais de R$ 2 milhões no Hospital São Lucas exclusivamente para COVID, além dos repasses tradicionais do contrato de gestão e complemento da tabela SUS.

Estamos realizando uma parceria com o Instituto Federal de Lucas do Rio Verde para que nosso município possa realizar os exames RT – PCR aqui mesmo, sem necessidade de enviar para o Laboratório Central do Estado e com isso ganhar celeridade nos resultados.

Conseguimos viabilizar dois mil testes rápidos e estamos testando constantemente profissionais da saúde e da segurança.

Distribuímos cestas básicas para as pessoas em situação de vulnerabilidade, Kits merenda e também demos assistência aos moradores em situação de rua, fornecendo dormitórios, refeições e recolocação no mercado de trabalho.

Nossas equipes também se reinventaram e os nossos professores inovaram com aulas online e deram um show. Nossos professores da cultura também conseguiram dar aulas à distância e nossos bravos guerreiros do esporte gravaram vídeo aulas e ajudam até mesmo na fiscalização. Até um campeonato de E-sports desenvolvemos no município.

O problema não é de falta de investimento ou recursos, mas de falta de profissionais e insumos indisponíveis no mercado, o sedativo que é utilizado para entubar um paciente está em falta em todo o país.

Mas estamos trabalhando muito, nossos profissionais da saúde são incansáveis, seja da secretaria, seja das unidades de saúde ou do HSL. Nossa valente Guarda Municipal está se desdobrando para conseguir fiscalizar e infelizmente estamos encontrando muitas aglomerações, principalmente em casas e eventos particulares, se não nos cuidarmos vai faltar leitos, vai faltar vagas e o sistema de saúde não vai dar conta de absorver a demanda.

Acompanho diariamente a situação, juntamente com o Secretário de Saúde e com os comitês, para a elaboração dos decretos e para avaliação das medidas necessárias.

Temos plena convicção de que nosso município é um dos que mais bem se preparou para o enfrentamento desse desafio e nossa porcentagem de óbitos em relação aos contaminados é menor do que a do Estado e a do País. Nenhum desses óbitos ocorreu por falta de atendimento ou falta de medicamento. Nenhum desses óbitos aconteceu por falta de leitos ou falta de UTI.

Mas cada um desses óbitos tem um rosto, um nome e uma saudade que dói no coração de seus familiares e amigos. Em respeito a essas pessoas e a todos os profissionais da linha de frente, seja da saúde, da limpeza ou da segurança, peço a todos que se cuidem. Cuidem das pessoas a sua volta e entendam que esse vírus mata.

Rogo a toda a sociedade civil, que sempre será um problema quando houver um problema resolvido, que poderá fazer isso novamente. Que pode colocar a mão na consciência e pensar no próximo. O momento é de união! União em defesa da vida, união a favor de Lucas do Rio Verde.

Um forte abraço a todos

Luiz Binotti

Prefeito Municipal de Lucas do Rio Verde

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