ARTIGOS

2021

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            Já disse aqui que de tempos em tempos a humanidade completa uma volta no grande círculo da civilização e se reencontra consigo mesma. São tempos difíceis. Sempre.

            Desta vez se repete o ciclo da roda do tempo. Os indus chamaram de samsara. O ciclo atual é o mais complexo de todos. Reúne milhares de anos de vivências e esbarra em alguns pontos muito graves:

            1 – a população do planeta aproxima-se de 8 bilhões de pessoas. Isso é um  imenso complicador. Do ponto de vista de alimentação, de produção alimentar, de uso dos recursos naturais do planeta, orgânicos e inorgânicos;

            2 – do ponto de vista ambiental. A produção de alimentos é profundamente consumidora desses recursos. O uso deles complica a água, o ar, o solo, as árvores, os minerais. Todos causam ansiedade no ser humano;

            3  – a tecnologia derrubou em menos de 30 anos, todos os fundamentos do convívio humano secular. De que forma?: pelo volume de conhecimentos gerados, pela sua rapidíssima disseminação através da mídia sem limites e sem fronteiras;

            4 – a construção e a desconstrução dos valores históricos tradicionais, destemperou a capacidade de julgamento e do discernimento humano. De um ser gregário e da agricultura histórica, das pequenas vilas e cidades, a vida passou a fazer sentido em grandes aglomerações. Perdeu-se o sentido do coletivo, da individualidade e, de repente, todas as pessoas se tornaram extensão dependentes das tecnologias;

            5 – a manada. O saldo dessa coletivização pela tecnologia construiu uma manada de seres humanos gravitando em torno de si mesmos, ou de provocações vindas de fora. Seres sem causa girando em  torno de estímulos externos. Desiguais, loucos por uma hipotética igualdade.

            Claro que tudo isso é só uma síntese breve. Tudo é muito maior.

            A pandemia é a porta de entrada desse fechamento de um ciclo. O ciclo atual. A História registra que os ciclos são cruéis. Ainda mais quando as informações circulam sem limites entre as pessoas. As iguais e as desiguais. Terror!

            Encerro este artigo com uma conclusão dura e óbvia.  Não se muda sem dor. A dor ensina e redime. Sem a dor não se olha pra dentro. O vírus é um mero passageiro do tempo cumprindo uma missão…

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

[email protected]    www.onofreribeiro.com.br

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ARTIGOS

O mundo econômico desperta

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            Na semana passada o relatório Perspectivas Econômicas Globais, do Banco Mundial, trouxe informações muito positivas, principalmente considerando-se que elas vem depois da ressaca mundial do corona vírus.

            Segundo o relatório, a economia mundial deverá crescer 4,5% em 2021. Em  2020 foi de 3,5% negativos. Se confirmado, estamos falando de um crescimento de fato, de menos 3,5 mais 4,5, que dá 8% de crescimento.

            O Brasil cresceu 1,2% no primeiro trimestre de 2021 e tem estimados 4,5% neste ano. Somando os 4,1 negativos  de 2020 com esses 4,5 previstos, soma um crescimento efetivo de 9%. Só mesmo na década inicial de 2000 o Brasil cresceu tanto. Depois, em 2010, que foram 7,5%.

            O mesmo relatório mostra a China crescendo 18,3% no primeiro trimestre de 2021 e um crescimento final no ano de 6%. Alguns países sul-americanos crescerão bem, Chile, 5,5%, Colômbia 5%. Os EUA crescerão 6,8%.

            Vamos nos deter no Brasil. O setores que estão crescendo e darão a performance esperada pelo Banco Mundial são a agropecuária, os transportes e a construção civil. Todos são bons geradores de empregos. Lembro, a título de ilustração. Em 1964 os militares assumiram o poder num país de poucos empregos e de forte recessão. Com dinheiro emprestado no exterior oriundo dos chamados petrodólares, eles abriram uma enormidade de frentes de construção na infraestrutura de rodovias e energias, e na construção de conjuntos residenciais através do Banco Nacional de Habitação. O volume de desempregados urbanos era muito grande porque a urbanização do país se deu entre 1950 e 1970 num país sem empregos. A construção fez uma revolução na economia do momento e futura do país. A mão de obra existente de baixa instrução, porque era oriunda do meio rural.

            Ainda no campo dos exemplos. Com os recursos dos petrodólares tomados no exterior, Mato Grosso recebeu a universidade federal, o linhão de energia elétrica vindo de Cachoeira Dourada em Goiás, e a pavimentação das rodovias BR-163 de Campo Grande a Cuiabá e a BR-364 de Goiânia a Cuiabá. Mais a abertura da rodovia Cuiabá-Santarém.

            O crescimento da agropecuária se dá num momento de retomada mundial em tempo de busca por alimentos em ambiente de radicalismo ambiental. Antes produzir era só plantar e colher. Agora não. É preciso respeitar políticas ambientais rigorosas no país e nos mercados externos compradores. Até porque 70% da produção brasileira é exportada. Tirando a China que ainda não é tão exigente, os países europeus são chatíssimos. Logo, só quem tiver tecnologias e parâmetros ambientais sustentáveis conseguirá produzir e vender a sua produção.

            O interessante desses setores que estão crescendo no Brasil é que eles são geradores de outras cadeias econômicas que, por sua vez, se desdobram. Isso é o crescimento econômico.

            Contra a onda, temos o Estado brasileiro. Formado por corporações caras, gigantescas e pouco úteis, mais um funcionalismo gigantesco, consome próximo da metade de tudo que se produz, sem retorno. Consertar isso é a tarefa das tarefas no Brasil. Sem o Estado do jeito que é, o crescimento alcançaria com facilidade os 10% de outras épocas. Mas para isso a política teria que perceber a nação. Muito difícil. Também é  uma corporação pouco útil.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

[email protected]   www.onofreribeiro.com.br

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