A entrega da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher na última quinta-feira (2) representa, para mim, muito mais do que a inauguração de um novo espaço público. Ela simboliza um compromisso com a vida, com a dignidade e com a esperança de mulheres que, por muito tempo, enfrentaram a violência em silêncio.
Ao olhar para essa conquista, vejo o resultado da união de muitas pessoas e instituições que nunca desistiram de acreditar que era possível oferecer um atendimento mais humano, mais acolhedor e mais digno às mulheres do nosso município. Nada disso seria possível sem o trabalho conjunto do Governo do Estado, da Prefeitura, da Rede de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, da Polícia Civil, do Poder Judiciário, do Ministério Público, da OAB e de tantos parceiros que abraçaram essa causa.
Acredito que a maior transformação não está nas paredes da delegacia. Ela precisa acontecer dentro de cada um de nós.
A violência contra a mulher não é um problema privado. Não é uma “briga de família”. É um problema social e, justamente por isso, exige o compromisso de toda a sociedade. Enquanto enxergarmos essa realidade como responsabilidade apenas das vítimas ou das instituições de segurança, continuaremos chegando tarde demais.
Precisamos educar nossas crianças para o respeito, para a igualdade e para a paz. Precisamos ensinar, desde cedo, que ninguém tem o direito de controlar, humilhar, ameaçar ou agredir outra pessoa. O combate à violência começa dentro de casa, passa pelas escolas e se fortalece quando cada cidadão compreende que também tem um papel nessa transformação.
Desejo que esta delegacia seja um lugar onde o medo dê lugar à coragem. Onde o silêncio seja substituído pela escuta. Onde a dor encontre acolhimento. E onde a justiça deixe de parecer distante para se tornar uma presença concreta na vida de quem mais precisa.
Também desejo que cada mulher que entrar por aquelas portas saiba que sua vida importa. Que ela será recebida com respeito, privacidade e humanidade. Que ali existe uma rede preparada para acolher, proteger e ajudá-la a recomeçar.
Ainda temos muitos desafios pela frente. Os números da violência continuam nos lembrando de que precisamos avançar cada vez mais nas políticas públicas de proteção, prevenção e conscientização. Não podemos aceitar que mulheres continuem vivendo com medo dentro de suas próprias casas.
Há uma frase que faço questão de repetir: a vergonha precisa mudar de lado. Quem deve sentir vergonha é quem pratica a violência, nunca quem tem a coragem de denunciá-la e de buscar ajuda.
Que essa conquista seja apenas o começo de uma sociedade mais justa, onde nenhuma mulher precise escolher entre a própria segurança e o silêncio. Continuarei acreditando que, quando caminhamos juntos, somos capazes de transformar realidades e construir um futuro em que respeito, igualdade e paz deixem de ser apenas ideais e se tornem parte do nosso cotidiano.
Porque, no fim, o que todas nós queremos é algo muito simples: viver com liberdade, dignidade e sem medo.
Por: Janice Ribeiro
Janice Ribeiro é primeira-dama e secretária de Assistência Social e Habitação de Lucas do Rio Verde






























