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Armas, crise, golpe, política

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           Esta semana foi particularmente crítica na onda de crises que assolam o governo Bolsonaro. A saída de seis ministros. Mas a saída dos três ministros das três armas e a do ministro da Defesa abriu uma brecha de raciocínios dentro das Forças Armadas e a sua relação com o governo. Contudo, ao analisar todos os fatos, acende-se uma luz no fim do túnel. Confesso que vinha até aqui muito pessimista. Passo a prestar atenção a partir de agora.

            Vamos pela ordem didática, na tentativa de montar um raciocínio realista:

  1. O presidente Bolsonaro sempre foi contou com o apoio das forças armadas para eventualidades políticas na sua gestão. Até mesmo para um eventual movimento de força. Os militares que se afastaram do governo disseram que as Forças Armadas estão acima de governos e são órgãos de Estado. Posição muito lúcida:
  2. Em 1964 foram levados ao poder pela força das circunstâncias políticas e da ingovernabilidade do presidente João Goulart. Fortíssimo apoio da sociedade na época. Vivi essa época como estudante em Brasília;
  3. Em 2001 e 2002 dei palestras para oficiais da Escola de Comando e Estado Maior do Exército em Cuiabá. Nas duas vezes, jovens oficiais majores e tenentes coronéis me indagaram longamente como foi o período dos governos militares. Conheciam muito pouco e se sentiam desconfortáveis a respeito. Concluo que a geração de generais atuais se formou nas três armas depois do fim do regime militar que acabou em 1985. Estudaram outro tipo de ação como armas de apoio do Estado e não como armas da política. Resumo: nada de governar de novo! Isso explica a saída dos militares do governo Bolsonaro e o desejo de  restringir as forças armadas aos quarteis. Portanto, não existe mais o risco de um golpe militar na atualidade:
  4. Ora, o presidente Bolsonaro vem de conflito em conflito com um mundo adverso dentro do próprio governo, com o Congresso, com o STF, com os partidos de oposição e com a mídia. Sem a possibilidade de contar com as forças armadas, terá que se acertar com o mundo da política. É um exercício longo e difícil. Cheio de voltas e vindas;
  5. Agora a parte que me anima neste imbróglio. O omisso Congresso Nacional percebeu que agora ou nunca ele pode ser o mediador da democracia, do governo e da estabilidade nacional. Dois presidentes mineiros na Câmara dos Deputados e no Senado. Ambos conhecem a engenhosa cultura mineira tradicional do diálogo, dos vais-e-vens da política e trazem a história da mediação em tempo de crises. Numa boa e obrigatória articulação com o Congresso salva-se o governo Bolsonaro. Volta a estabilidade política ao país. Recoloca-se o ambicioso STF no seu lugar de judiciário e não de político-ideológico. Acalma a mídia que não sai do samba de uma nota só, e restabelece um diálogo que o presidente sozinho não consegue restabelecer;
  6. Com esta pacificação política, com o amansamento do presidente Bolsonaro, com o afastamento das forças armadas do cenário político, com a barreira do Congresso ao STF, a mídia não terá outro caminho senão enxergar a realidade da nação e sair da trincheira anti-Bolsonaro;
  7. Esta seria uma das poucas formas de se reconstruir a democracia de forma natural. Sem aventuras políticas. Em política não existe arma mais eficiente e poderosa do que a conversa. Mesmo que seja longa e penosa.

Me animei de novo com o Brasil!

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

[email protected]   www.onofreribeiro.com.br

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Ruptura

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           Há algum tempo escrevi neste espaço sobre a possibilidade do Brasil entrar num processo irreversível de ruptura política. Com desdobramentos, sociais, econômicos, institucionais e outras consequências graves como prejuízos à imagem internacional do país. Ontem me perguntaram o que entendo por ruptura. Na outra vez recebi um enorme tiroteio me classificando até de terrorista, não importando a argumentação usada no texto.

            Ruptura significa o uso de algum instrumento de força tanto por parte do governo, quanto por parte da sociedade.  Temos um quadro muito complexo neste momento rondando o Brasil. Parte vem da pandemia. Parte vem do uso político da pandemia. Parte vem da ruptura econômica e do mercado vinda junto com a pandemia. Temos partidos de oposição, temos o Supremo Tribunal Federal agindo como partido político e governando de fato o país, partindo de propósitos de projeto de poder. Temos a mídia em bloco direcionada contra o governo. Temos o Congresso Nacional paralítico fazendo de conta que está compreendendo o jogo e tem algum protagonismo. Que, de fato, não tem.

            A mídia mais as redes sociais e o corporativismo dos poderes do Estado faziam a população crer que o presidente da República estava acabado. De repente, no simbólico Dia do Trabalho, as manifestações vieram às ruas fora de uma possível organização tão eficiente que juntasse tanta gente. Os propósitos das manifestações repetiram a lição das outras vezes desde junho de 2013. Combate à corrupção, combate ao STF, combate à possibilidade de uma candidatura Lula em 2022. Vamos lembrar: em 2013, foram os estudantes e colocaram o governo Dilma de joelhos. Depois foi com Temer. Agora repetem a mesma cantiga. Desta vez foram basicamente três as posições: combate à corrupção, ao nefasto papel que o STF vem exercendo e apoio explícito ao presidente Jair Bolsonaro.

            No cenário temos a pandemia com as suas mortes e o discurso político anti-governo que ficou tão grande quanto a doença. Desdobrando  veio a CPI da Pandemia, com objetivo claramente político de obter o impeachment do presidente Jair Bolsonaro. O povo na rua antecipou à CPI que se ela for nessa direção terá novas manifestações de resultado imprevisível. De outro lado, o STF está a um passo de comprometer o juiz Sergio Moro. Outra chance de irritação coletiva. Moro é um símbolo no combate à imensa corrupção nacional.

            Numa última hipótese não se pode deixar de admitir a possibilidade de uma cartada forte do governo. Se for quebrada a ordem institucional, aí nada mais segura os confrontos entre pessoas, confrontos na política, confrontos na economia, confronto nas instituições públicas. Preocupa muito a imagem do Brasil no mundo. Especialmente num mundo completamente interligado, dentro do qual somos interlocutores comerciais na exportação, nas relações diplomáticas e na troca de interesses.

            Encerro este artigo afirmando que as manifestações de sábado trouxeram uma agenda completamente cheia de recados. Leia-os que souber ler…

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

[email protected]   www.onofreribeiro.com.br

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