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Direita, centro, esquerda

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Desde a fundação da República habituou-se no Brasil a terceirizar decisões do interesse da sociedade. Um marechal com diarreia foi tirado da cama pra carregar uma espada e saiu na rua do Rio de Janeiro pra derrotar o Império. Foi uma caricatura de terceirização.

Em 1930, Minas, Rio Grande do Sul e Paraíba comandaram uma revolução. O que se queria era acabar com a República Velha, também conhecida como monopólio de Minas e de São Paulo na condução do Brasil. Foi outra terceirização.

Em 1964, outra terceirização. Apoiado por massas de milhares de pessoas nas ruas das principais capitais o país, o Exército derrubou o presidente João Goulart.

Em 1984 a emenda das Diretas Já levou milhões de pessoas às praças públicas pedindo eleições diretas em 1985 e o fim do regime militar. E ficou nisso, na medida em que a emenda não passou. O fim do regime militar foi terceirizado ao PMDB, OAB, CNBB e Associação Brasileira de Imprensa. Nada de povo!

Em 1994 o país delegou ao presidente Fernando Henrique Cardoso a terceirização de recuperar um país completamente falido. Em 2002 terceirizou ao Partido dos Trabalhadores, mesmo sob forte desconfiança, a responsabilidade de conduzir o país. No governo, fez o que quis e a sociedade manteve a terceirização mesmo sabendo que caminhava pro suicídio que viria nos anos seguintes e ainda dura até hoje.

Neste momento o país navega em águas muito turvas. Uma separação entre esquerda e direita, sem que nenhuma das duas realmente é o que diz ser. Ambas são vertentes da velha política que desejam o poder pelo poder. No Brasil, o discurso público vendido à sociedade fala em coletividade, desenvolvimento, etc. Mas na verdade quer-se é a tomada do poder pelo poder. Desde o Império o poder sempre foi tomado e usado pelas elites de todas as naturezas do país pra elas progredirem.

Só que neste momento, a decadência moral da política é absoluta!

Não existe mais a possibilidade de sair uma candidatura presidencial pra as eleições de 2022, vinda dos meios políticos, hoje completamente sucateados. O governo Bolsonaro sonha com a sua reeleição e outros grupos também. Não perguntaram se a sociedade os deseja.

A única saída seria se a chamada sociedade organizada, liderada por instituições privadas, fizesse um movimento dizendo o que deseja. Começaram nas três últimas semanas alguns ensaios de economistas de prestígio, de partidos de esquerda e de governadores iniciando conversas.  É pouco. Muito pouco!

É tal o grau de destruição do Estado brasileiro e da economia, que jamais poderia sair de qualquer partido político uma palavra sequer sobre o futuro do Brasil. Qualquer movimento eleitoral pra 2022 teria que vir de uma ampla coalização da sociedade na direção do que efetivamente ela precisa. Jamais de dentro do Estado ou vinda da política, dos políticos e dos partidos políticos. Esses estão mortos na mesa de necropsia.

A conclusão é que o país não pode mais terceirizar-se para os tradicionais dirigentes políticos que vieram desde o Império até agora. Uma nova terceirização em 2022, no mundo veloz de hoje será o fim do Brasil como país moderno.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

[email protected]   www.onofreribeiro.com.br

 

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Ruptura

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           Há algum tempo escrevi neste espaço sobre a possibilidade do Brasil entrar num processo irreversível de ruptura política. Com desdobramentos, sociais, econômicos, institucionais e outras consequências graves como prejuízos à imagem internacional do país. Ontem me perguntaram o que entendo por ruptura. Na outra vez recebi um enorme tiroteio me classificando até de terrorista, não importando a argumentação usada no texto.

            Ruptura significa o uso de algum instrumento de força tanto por parte do governo, quanto por parte da sociedade.  Temos um quadro muito complexo neste momento rondando o Brasil. Parte vem da pandemia. Parte vem do uso político da pandemia. Parte vem da ruptura econômica e do mercado vinda junto com a pandemia. Temos partidos de oposição, temos o Supremo Tribunal Federal agindo como partido político e governando de fato o país, partindo de propósitos de projeto de poder. Temos a mídia em bloco direcionada contra o governo. Temos o Congresso Nacional paralítico fazendo de conta que está compreendendo o jogo e tem algum protagonismo. Que, de fato, não tem.

            A mídia mais as redes sociais e o corporativismo dos poderes do Estado faziam a população crer que o presidente da República estava acabado. De repente, no simbólico Dia do Trabalho, as manifestações vieram às ruas fora de uma possível organização tão eficiente que juntasse tanta gente. Os propósitos das manifestações repetiram a lição das outras vezes desde junho de 2013. Combate à corrupção, combate ao STF, combate à possibilidade de uma candidatura Lula em 2022. Vamos lembrar: em 2013, foram os estudantes e colocaram o governo Dilma de joelhos. Depois foi com Temer. Agora repetem a mesma cantiga. Desta vez foram basicamente três as posições: combate à corrupção, ao nefasto papel que o STF vem exercendo e apoio explícito ao presidente Jair Bolsonaro.

            No cenário temos a pandemia com as suas mortes e o discurso político anti-governo que ficou tão grande quanto a doença. Desdobrando  veio a CPI da Pandemia, com objetivo claramente político de obter o impeachment do presidente Jair Bolsonaro. O povo na rua antecipou à CPI que se ela for nessa direção terá novas manifestações de resultado imprevisível. De outro lado, o STF está a um passo de comprometer o juiz Sergio Moro. Outra chance de irritação coletiva. Moro é um símbolo no combate à imensa corrupção nacional.

            Numa última hipótese não se pode deixar de admitir a possibilidade de uma cartada forte do governo. Se for quebrada a ordem institucional, aí nada mais segura os confrontos entre pessoas, confrontos na política, confrontos na economia, confronto nas instituições públicas. Preocupa muito a imagem do Brasil no mundo. Especialmente num mundo completamente interligado, dentro do qual somos interlocutores comerciais na exportação, nas relações diplomáticas e na troca de interesses.

            Encerro este artigo afirmando que as manifestações de sábado trouxeram uma agenda completamente cheia de recados. Leia-os que souber ler…

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

[email protected]   www.onofreribeiro.com.br

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