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Estão errando de novo

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           Os caciques dos partidos políticos de Mato Grosso estão à caça de candidatos pra ocuparem as vagas de disputa que serão ofertadas em 2022: um governador, 1 senador, 8 deputados federais e 24 deputados estaduais.

            Em meio ao mais profundo descrédito, os políticos estão se articulando do jeito que podem pra não perderem o poder. Ou pra montarem plataformas que preservem a velha e antiga forma de fazer a política no Estado. Nesse sentido, o que se vê são os velhos caciques e os seus envelhecidos partidos buscando se articularem na busca do poder.

            È preciso entender a raiz disso. Pra obter a reeleição em 1998 para um segundo mandato, o presidente Fernando Henrique Cardoso vendeu a alma e a mãe.  A lei que possibilitou a reeleição criou as coligações gerais em todos os níveis. Com isso, os partidos morreram como fonte ideológica de vertentes da sociedade, e viraram balcão de negócios nas coligações. Dinheiro pra lá, dinheiro pra cá, na troca de tempos no horário eleitoral gratuito e a divisão do poder depois de eleitos. Nessa divisão, valia o slogan cínico “ajudei a eleger quero ajudar a governar”.  Traduzido, isso significa a repartição da gestão entre os interesses de quem governa e os interesses menores e mais cínicos dos partidos coligados. Nada mais podre do que isto!

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            A pandemia deixou as pessoas em casa com tempo livre pra entenderem a podridão da política no seu sentido mais abrangente. Portanto, a pandemia mexeu na cabeça dos cidadãos. Eles querem algo novo e mais sustentável na ética, na moral, nos objetivos finais e no respeito a quem trabalha cinco meses por ano pra pagar os impostos que mantém o sistema político nacional funcionando.

            Mas os políticos não mudaram, não entenderam o recado da sociedade e nem parecem dispostos a mudarem os seus métodos de montar as máquinas de poder. A conexão entre a gestão, a política a o Estado com a sociedade mudou. As pessoas querem  uma razão pra votar e não votar em quem está cuidando de candidaturas pessoais ou do próprio interesse. Os coronéis demoram muito pra entender esse novo normal, porque preferem seguir a cartilha dos velhos métodos. Não cabem mais candidatos avulsos ou os free-lancers de ontem.

            Tenho acompanhado os velhos coronéis antigos e velhos coronéis da nova geração com esse discurso em velhas frases: “o povo está comigo”. Não se pode generalizar o discurso de que toda sociedade entendeu o novo normal. Mas, igualmente, a sociedade mais preparada pra pensar, não quer mais candidatos de si mesmo ou escolhidos por partidos que já estão no caixão esperando a hora do enterro.

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            Não vi nada sustentável até agora quando se fala em eleições de 2022. Por sustentável, entenda-se alguém que fale com a nova sociedade eu viu formar o novo normal depois da pandemia. Engana-se pensar que a pandemia foi só um evento sanitário. Foi um evento de transformação social mundial! Leia-o, quem souber ler!

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

[email protected]    www.onofreribeiro.com.br

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Tempo ferroviário – 1

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            Neste momento Mato Grosso está começando a lidar objetivamente com a solução do seu cruel problema de logística. Três ferrovias estão na pauta objetiva do país: Ferrovia estadual, Fico e Ferronorte. Somam 2.016 quilômetros de extensão e investimentos de 36 bilhões e 200 milhões de reais.

            Estamos falando de uma nova era no Centro-Oeste e particularmente em Mato Grosso, que será pra sempre o maior produtor de alimentos do país e um dos maiores no mundo. Uma nova era significa a complementação do sistema de transportes rodoviário com as ferrovias, justamente no eixo das principais área de produção de alimentos. Com transporte adequado, Mato Grosso completará a terceira profecia do sacerdote católico Dom Bosco, em 1895, segundo a qual “entre os graus 15 e 20, existia um seio de terra bastante largo e longo, que partia de um ponto onde se formava um lago. (…) Surgirá aqui a Terra da Promissão, fluente de leite e mel”. Uma série de outras percepções na mesma linha foram previstas nos dois últimos séculos, incluindo o atual Dalai Lama. Segundo ele, “com a saída do Dalai Lama, do Tibete, em 1960, o coração espiritual do mundo transfere-se para o coração da América do Sul”.

            Esta série de três artigos fara uma trajetória pelo tema ferrovias na percepção de Mato Grosso e na percepção brasileira iniciada no século 19. Os cafezais de São Paulo, de Minas e do Espirito Santo até os anos 1960 foram apoiados por ferrovias. Na segunda metade do século, o Paraná entrou forte na produção de café, mas já usando o rodoviarismo. Na década de 1960 as ferrovias perderam espaço pros caminhões. Desde então, a decadência dos trilhos foi total.

            Hoje, por questões ambientais de emissão de carbono, por outros problemas ambientais, pelos custos do caminhão, pelos custos do frente de longa distância, pelas limitações desse transporte diante da produção, por questões de segurança e pelo custo altíssimo das rodovias, dos fretes e dos pedágios, dos combustíveis, o rodoviarismo está com os dias contados. Até mesmo a mentalidade pós-pandemia não comportará mais o rodoviarismo nos moldes atuais.

            Para Mato Grosso expandir-se as ferrovias farão uma diferença enorme. Hoje o frete entre Sorriso e o porto de Santos, em SP, custa R$ 278,00 por tonelada. Além da irracionalidade da distância percorrida com todos os riscos e custos agregados, o produtor perde muito do seu esforço pagando o transporte.

            Antes de discutirmos as ferrovias uma a uma e de recuperar a história do ferroviarismo no Brasil nos próximos artigos, é preciso dizer que será inevitável a substituição do sistema de transporte rodoviário de longa distância por ferrovias. Na verdade, os sistemas rodoviário, ferroviário e hidroviário se completam. Exemplo, os portos de Mirititiuba e Santarém, no chamado Arco Norte.

            Com as ferrovias, surge um mundo completamente novo que vem premiar o pioneirismo dos produtores do centro-Oeste, e de Mato Grosso em particular, que desbravaram os cerrados desconhecidos e fizeram deles oásis de altíssima produção de alimentos nessas últimas 4 décadas.

            Para o Brasil e para Mato Grosso, é bem claro, que as ferrovias serão o futuro. E está bem claro, também, que o país será o que se chamou lá atrás, de “celeiro do mundo”. Isso pede eficiência nos transportes. Continua amanhã.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

[email protected]   www.onofreribeiro.com.br

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