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Os avós pós-pandemia

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           O mundo moderno construiu uma imagem muito dura contra as pessoas maduras. Ignorou o seu protagonismo na construção da história atual e na montagem do mundo em que hoje vivemos. De repente, quem não frequentar freneticamente as academias. Não tiver corpo construído, sorriso de plástico, smartfones fantásticos, tênis de hipermarcas, roupas de grife poderosas, não tem habilitação pra vida moderna.  Gente fora desse padrão deixou de ser enxergada.

            O mundo dividiu-se entre tribos. Nelas não cabiam os avós. Domingo passado foi o dia dos avós. Mesmo tendo sido eles que trouxeram os últimos 70, 80 anos do mundo atual até aqui, a modelagem de agora não cabe gente madura.

            Logo, os avós ficaram fora de moda e mal vistos pela sociedade. Esqueceu-se do seu poder de referência de valores e das normas naturais da vida baseadas na convivência, na compaixão e no bem viver.

            Avô de hoje viveu os duros anos das décadas de 1950, 1960, 1970 e 1980, principalmente. Tempos difíceis. Ou faltava bens de consumo pro conforto, comida pouca, faltava energia elétrica, carros, educação….coisas assim!

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            Os tempos de hoje são muito mais bem estruturados. Mas a sociedade de consumo de bens, tornou-se também uma sociedade predadora dos mais fracos e dos maduros.

            Os avós saíram do campo do bem querer das famílias e foram transferidos por bairro, pro apartamento solitário, pro condomínio distante ou pro asilo mesmo. Vidas corridas e cheias de compromissos com o consumo e com a vida de plástico. Os que permaneceram nas casas tinham lugar de pouca ou nenhuma importância. Como se vivessem no porão da casa e a família jovem no andar de cima. Separando-os por com fechadura do lado de cá.

            Domingo foi o dia dos avós. Com os home office e o trabalho em casa, o medo do vírus covid, os maduros estão sendo redescobertos e convidados a frequentar o andar de cima. Sabe por que? Na hora da incerteza, sempre buscamos que conhece incertezas e entende de certezas. Oferece segurança e paz guardados na imagem serena dos cabelos grisalhos….

            Viva os avozinhos que estão voltando a ser reconhecidos como gente conhecida!

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Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

[email protected]   www.onofreribeiro.com.br

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M de Maria

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“Mas o que eles não sabem/ não sabem ainda não/ é que na minha terra/ um palmo acima do chão/ sopra uma brisa ligeira/  que vai virar viração” ( Kleiton e Kledir)

Lá no longíncuo fevereiro de 339 a.C., Sócrates era condenado à morte, sob a acusação de “corromper” a juventude ateniense.  Os seus algozes o obrigaram a tomar o veneno cicuta, ele teve a oportunidade de fugir, mas jamais conseguiria trair seus próprios ideais e crenças. Analogamente, a vereadora Maria Eugênia, a Maria Prefeita, foi “aconselhada” a se calar sobre  sua pré-candidatura à prefeitura de Diamantino. Maria humilde, assim como Sócrates, com o seu “Só sei que nada sei”; Maria, assim como o filósofo ateniense, nas palavras de Xenofonte: “Tinha sempre presente no espírito os caminhos que conduzem à virtude e não se cansava de lembrá-los a quantos o frequentavam”; Maria que, assim como Sócrates, “Viram-no alguma vez fazer ou dizer algo contrário à moral, ou à religião?” (Xenofante). Sócrates foi julgado  por 501 juízes (e condenado: 280 a 221); Maria, por apenas uma promotora, ao arrepio da Lei. Sócrates precisava ser um bode expiatório; Maria, mulher sábia (aprendeu com o auxílio de muitos silêncios necessários), precisa ser impedida de devolver aos diamantinenses o direito de sonhar que outra Diamantino é possível.

Diamantino – um misto de passado e presente; de ontem e de hoje: uma mistura de ouro, diamante e milho e soja, por muito pouco não virou a capital da província –  faltou um rio caudaloso para que D. Pedro I a erigisse como a capital mato-grossense.   A família Vasconcellos está na cidade desde 1942 e a Maria – funcionária concursada do INSS, por 35 anos, mulher, mãe, esposa, vereadora carrega em si sonhos e angústias de sua gente. E tem em João Cabral de Melo Neto sua maior inspiração, daí o motivo da paráfrase: “Uma Maria sozinha não tece uma manhã:/ Diamantino precisará sempre de outras Marias. /De uma que apanhe esse grito que ela/ e o lance a outra; de uma outra Maria/ que apanhe o grito de uma Maria antes/ e o lance a outra;/ e de outras Marias/ que com muitos outros Mários se cruzem/ os fios de sol de seus/ gritos de Mários e de Marias,/ para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os diamantinenses.//E se encorpando em tela, entre todos os diamantinenses,/ se erguendo tenda, onde entrem todos os diamantinenses,/ se entretendendo para todos os diamantinenses,/ no toldo (a manhã) que plana livre de armação./ A manhã, toldo de um tecido tão aéreo/ que, tecido, se eleva por si: luz balão”. (A Educação pela pedra).

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 Dra Maria Coeli, será que, em nenhum momento, vossa excelência não percebe os desmandos da atual gestão? Será que a douta operadora do Direito não se deu conta da campanha sórdida e antidemocrática promovida pelo atual gestor? Será que vossa excelência não percebe as intimidações, as indicações políticas para a direção escolas? Será a lídima representante do interesses jurídicos e sociais faz vistas grossas aos desmandos do Alcaide? Gostaria de pensar que Vossa Excelência equivocou-se ao silenciar a Democracia e a Liberdade de Expressão de uma parlamentar democraticamente eleita. Doutora, que maneira de entrar para a história de Diamantino, como a que cerceou aquela que fala pelo povo. Nem na Ditadura Militar presenciei tamanho absurdo.

Já presenciei muitas estultices em meus 59 anos de existência, poucos como o seu e é por isso, oh! diamantinenses, que gostaria que ouvissem “Maria Maria, de Milton Nascimento: “É o som, é a cor, é o suor/ É a dose mais forte e lenta/ De uma gente que ri/ Quando deve chorar/ E não vive, apenas aguenta//Mas é preciso ter força/ É preciso ter raça/ É preciso ter gana sempre/ Quem traz no corpo a marca /Maria, Maria/ Mistura a dor e a alegria”.

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Sérgio Cintra é professor de Redação e de Linguagens em Mato Grosso

[email protected]

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