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Uma das últimas matriarcas do Pantanal

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Na última semana, recebi do amigo Lauro Eubank, de Poconé,  a notícia da morte de dona Isa Falcão Dorileo, uma das últimas matriarcas do Pantanal. Lembra ele que matriarcas são aquelas mulheres pantaneiras legítimas, que ali nasceram, cresceram, casaram e tiveram os seus filhos no Pantanal. Mais que isso. Viveram o dia a dia do Pantanal ao longo de tantas décadas e ajudaram a construir a preciosa cultura pantaneira. Hoje tão ameaçada e sofrida.

Dona Isa era casada com o ilustre líder pantaneiro Zelito Dorileo, um querido amigo que conheci em Poconé, e nos deixou há alguns anos. Tivemos muito boas conversas sobre a necessidade da região ter vozes políticas que conhecessem as lutas e as demandas do Pantanal mato-grossense. Estive no seu velório e me recordo da força que seu vida trazia pra região. Fui de Cuiabá me despedir dele. Vi um gigante partindo. Falei rapidamente com dona Isa, ao lado do seu caixão com a extraordinária firmeza do forte caráter das mulheres pantaneiras.

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Ela saiu da região do Cambarazinho pra casar com Zelito Dorileo. Na região do Santa Isabel fincaram as suas vidas e as de sua família. Ambos nasceram  no Rio Alegre, berço das famílias Dorileo, Falcão, Gomes de Arruda e Silva, Proença, Mamede, entre tantas de destaque no Pantanal.

Dona Isa e Zelito Dorileo desenvolveram forte liderança nos temas do Pantanal. Ele, apoiado pela mão forte típica das mulheres pantaneiras, defendeu o Pantanal enquanto viveu. Conversamos muitas vezes e sabia da suas preocupações e angústias.  Ele enxergava o Pantanal empobrecendo com a mudança das pastagens da região para os pastos de braquiarão nos cerrados de Mato Grosso, numa nova economia de gado nelore. O tradicional gado pantaneiro desenvolvido na região ao longo de séculos estava lentamente sendo ameaçado de extinção genética e econômica por uma pecuária desamparada.

            Só pra registrar. Graças a essa visão política, o Pantanal recebeu a visita de dois presidentes da República: Ernesto Geisel em 1975, e João Baptista Figueiredo em 1979.

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            A morte de dona Isa ocorre num momento em que o Pantanal atravessa uma curva de problemas com polêmicas e contradições ambientais, econômicas e falta de vozes políticas. Pior. Num mundo diferente daquele Pantanal histórico. Dona Isa leva um pouco da história, parte importante da memória da cultura, das origens familiares pantaneiras e dos sonhos de todos os pantaneiros construídos por tantas gerações. E mais: memórias de um saudoso velho Mato Grosso de heróicos, pioneiros naquele mundo das águas. Vai em paz, Dona Isa!

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

[email protected]    www.onofreribeiro.com.br

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Esperanças

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            Nesse ambiente de terror do pós-pandemia e agora do ômicron, imaginei que poderia falar nesse artigo sobre esperança. Poucos sentimentos são tão fortes e abrangentes como a esperança. Nas passagens difíceis ela é quem garante a coragem de seguir em frente.

            A pandemia e os seus desdobramentos acabará em breve. E daí? Viveremos nesse baixo astral eternamente? Gostaria de resgatar algumas percepções a respeito de Mato Grosso, que venho acumulando ao longo do tempo e tive a oportunidade de me aprofundar nelas. Assinalo a baixo algumas delas.

            PROFECIA DE DOM BOSCO – sacerdote católico italiano, previu no  fim do século 19 o surgimento de uma nova civilização no Centro-Oeste brasileiro, a que classificou de “a terra onde jorrará o leite e o mel. Terra de uma riqueza inconcebível”. A construção de Brasília se inspirou muito nessa percepção. Assisti isso lá.

            DALAI LAMA – O atual Dalai Lama deixou o Tibete em 1959, a pátria do nascimento do budismo. Fugia da pressão chinesa que ocupara militarmente o país. Junto com centenas de monges transferiu-se para a Ìndia. Na partida disse: “com a  saída do Dalai Lama do Tibete, o coração espiritual do mundo transfere-se para o coração da América do Sul”.  Casualmente é no Centro-Oeste brasileiro.

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            CHICO XAVIER – No livro “Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho”,  psicografado em 1939 pelo pregador espírita Chico Xavier, ele prega a mesma percepção.

            PRESIDENTE ERNESTO GEISEL – Ao comunicar ao governador José Garcia Neto em 26 de abril de 1977, que Mato Grosso seria dividido ainda naquele ano, o presidente da República, General Ernesto Geisel disse essa frase. Transcrevo a frase exatamente como me disse o governador Garcia Neto. “Doutor José Garcia: eu decidi dividir o Mato Grosso porque o Estado tem tantas potencialidades que um dia, no futuro, poderá ameaçar a soberania nacional como fez São Paulo  na Revolução de 1932”.

            PRESIDENTE JUSCELINO KUBITSCHECK  – “Deste Planalto Central, desta solidão que em breve se transformará em cérebro das altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada com fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino”. Já é um fato.

            MISTURAS RACIAIS – Do ponto de vista das miscigenações culturais e genéticas a região é um caldeirão de misturas humanas. Cito Mato Grosso. Os migrantes ocuparam o Estado em sucessivas ocasiões desde os bandeirantes. A partir da década de 1970 migrantes de todas as regiões do país, em especial do Sul e do Sudeste. A mistura cultural e humana que se deu, multiplicou a população  de 580 mil em 1970 para os atuais 3 milhões e meio de habitantes, nos últimos 52 anos. A maior parte é resultado do crescimento vegetativo entre mato-grossenses nascidos e os migrantes. Já se completou o ciclo humano e espiritual.  O ciclo econômico previsto pelo presidente JK e por Dom Bosco está em pleno desenvolvimento.

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            CONCLUSÃO – O nosso olhar pro futuro não pode ser outro do que não o de absoluta ESPERANÇA. Só lidarmos com o tempo. O futuro nunca deixará de vir.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

[email protected]    www.onofreribeiro.com.br

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