ARTIGOS

Vôo de galinha

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            Qualquer pessoa que tenha um mínimo de sensibilidade, percebe que o Brasil político caminhou pra se confrontar com o Brasil humano.

            O Brasil político é esse em que dos 513 deputados federais, apenas 27 se elegeram com o seu próprio voto. Os outros 486 foram carregados dentro dos mecanismos eleitorais criados pra evitar que todo mundo enfrente eleições difíceis. Sublegendas, coligações e quocientes eleitorais criaram um sistema eleitoral paralelo. Esse sistema elege quem os dirigentes dos partidos políticos desejam eleger. Já para os 81 senadores, o sistema é de eleição direta, sem o uso de quocientes eleitorais. Mas o sistema partidário é o mesmo. Ele representa interesses do sistema político, das elites econômicas, políticas, acadêmicas e sindicais.

            Um parlamentar eleito, representa garantias de favorecimentos aos setores econômicos, corporativos públicos e partidários, de tal modo que o país legisla aparentemente em nome da sociedade, mas todos os grandes esforços legislativos tem o endereço desses conjuntos da elite.

            Por sua vez, o Poder Judiciário protege o Poder Legislativo e ambos governam o país rigorosamente dentro dos parâmetros da Constituição federal. Aliás, construída com esse fim pelos antecessores dos atuais sistemas políticos. O Poder Executivo caminha bêbado entre um e outro poder, tendo ainda como “força auxiliar” dos outros dois poderes, o Ministério Público. Uma anomalia nacional que não serve a ninguém e diz servir à sociedade.

            Esse conjunto de gestão nacional não é novo. Ele já existia antes da atual constituição. A de 1946 era menos cínica, porque foi construída num momento de inflexão com a saída do Estado Novo para uma nova democracia no pós-guerra mundial de 1939.

            No restante da história brasileira, a herança portuguesa cuidou de burocratizar as nossas constituições ao extremo. Uma vez burocratizada, fica fácil de construir um sistema de Estado burocratizado onde o poder é distribuído à sociedade no gota a gota. O conjunto da burocracia que administra a limitação dos poderes dos cidadãos, um sistema parlamentar caro que reduz as leis a outro conjunto de interesses. E um judiciário que se perde no emaranhado das leis propositalmente conflitantes. Por sua vez, o judiciário exerce a sua burocracia como um poder paralelo de justiçamento social oferecendo uma justiça que nunca chega aos cidadãos.

            Nessa virada da pandemia parece que ela contribuiu de algum modo pra um senso crítico social. Percebeu que o Estado dessa forma como está construído é escravizador. Num ambiente de conflito total entre os três poderes, a sociedade percebeu que, somados com os partidos políticos e o corporativismo do funcionalismo público, criou-se um país pra poucos: eles próprios! Pior: sustentado por todos.

            Penso que não importa qual fosse o presidente da República neste momento, o ambiente nacional estaria tóxico do mesmo jeito.

            Encerro repetindo a frase da abertura deste artigo: Qualquer pessoa que tenha um mínimo de sensibilidade, percebe que o Brasil político caminhou pra se confrontar com o Brasil humano.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso 

[email protected] www.onofreribeiro.com.br

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ARTIGOS

Ambiental in-correto

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            Desde a primeira conferência mundial para discutir o meio ambiente, em Estocolmo, na Suécia, em 1972, sucessivamente a questão busca encontrar caminhos e rumos. A recente conferência COP 26 em Glasgow, na Escócia, trouxe mais uma vez, mais perguntas do que respostas. O meio ambiente continua sendo a maior equação humanista do mundo. A pandemia ajudou a confundir o tema. Trouxe medo e reflexão para uma sociedade mundial que não tinha o planeta do primeiro pano.

            A COP 26 foi marcada mais pelas posições políticas e ideológicas do que pela efetiva vontade de resolver os problemas ambientais. Mas colocou discussões muito eficientes e efetivas no ar. Uma delas e vejo-a como absolutamente relevante. Meio ambiente no sentido de proteger o planeta não é mais assunto para amadores. Outra questão também relevante que se concordou lá nas conversas diplomáticas: as discussões ambientais mundiais não terão seguimento efetivo se não tiverem o de acordo do Brasil.

            Vamos por partes. A questão do amadorismo. Nas últimas décadas, em especial depois da conferência Rio 92, o tema entrou na pauta brasileira. E já entrou como pauta política. De repente, tornou-se pauta privativa de ideologia à esquerda. Aí entrou para o campo de partidos ideológicos, para os campi das universidades públicas ideologizadas, para a educação, para os sindicatos do serviço público. Mas teve um agravamento muito pior: entrou politizado ideologicam4ente nos ministérios públicos federal e estaduais.

            De lá para cá as discussões são acaloradas, mas são rasas. No caso de Mato Grosso, que deveria estar no primeiro plano das discussões científicas, está no campo ideológico.  As corporações públicas que deveriam estudar não estudam. As universidades tem produzido documentos rasos e de conteúdo discutível. Os ministério públicos do estado e a unidade federal, encaram o estado de Mato Grosso como um problemas e não enxergam nenhum mérito no estágio alcançado pelos sistemas produtivos. Não reconhecem a tecnologia como ferramenta de uso protetivo do meio ambiente. Encaram junto com os adversários a velha equação do capital demonizado.

            Encerro este artigo trazendo de novo a visão geral da COP 26. Meio ambiente é economia e sustentabilidade fundamentada na gestão humana e econômica. Não é assunto para ser discutido neste mundo totalmente disruptivo como assunto de diretório acadêmico, de sindicatos ou de salas de aula ideologizadas. Muito menos corporações públicas que ainda se baseiam em teses de 30 ou 40 anos atrás, em detrimento de conhecimentos mais modernos e mais efetivos. Sem falar nas ONGS oportunistas que vivem do terrorismo ambiental em busca de centavos do primeiro mundo.

            A ciência contemporânea desafia as universidades, setores da educação, sindicalismo público, setores ambientais dos governos a compreenderem que o mundo mudou. Com terrorismo o único ganho é espantar investimentos correntes no mundo moderno, e empobrecer um país que vem de vôo em vôo de galinha. Meio ambiente é tema de adultos contemporâneos.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

[email protected]   www.onofreribeiro.com.br

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