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Escola Politécnica da UFRJ recria emoção em colação de grau virtual

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O isolamento social não impediu o advogado Maurício Cunha e Silva, de 59 anos de idade, de vestir um terno para assistir a sua filha Gabriela Leal, de 24 de idade, se formar em engenharia ambiental. Só que, em vez da cadeira de um auditório, ele estava no sofá da sala de sua casa, acompanhando a cerimônia por um aplicativo na televisão. Na tela, Gabriela e outros 57 universitários formavam um mosaico com representantes do corpo docente da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), todos transmitidos ao vivo de suas casas para a cerimônia oficial de colação de grau.

“Eu estava em casa com meus pais, eu acompanhando pelo computador, com fone de ouvido, e eles, pela TV”, lembra Gabriela, que, assim como muitos colegas, chamou os pais para aparecerem no vídeo na chamada final dos formados. “Na hora do juramento, eles me filmaram, e depois a gente comemorou junto na hora que chamaram o nome de cada um”.

Cerimônia

A cerimônia foi a primeira de uma série de quatro colações de grau que a Escola Politécnica fará até sexta-feira que vem, com 193 formandos de 13 cursos de engenharia. Ontem (20), se formaram estudantes de engenharia ambiental e engenharia civil. A segunda formatura está marcada para amanhã (22), e mais duas colações serão realizadas nos dias 27 e 29 de maio.

Para Gabriela, faltou apenas o abraço dos amigos de faculdade no momento da formatura. “A emoção foi a mesma. Não deu para descrever. Até alguns colegas, que relataram que estavam desanimados, depois viram que foi tudo igual à colação presencial e ficaram felizes”.

Apesar de remota, a cerimônia contou com os tradicionais discursos de oradores e professores homenageados e cumpriu todas as formalidades, como o Hino Nacional, o juramento de cada formando e a imposição do grau. A transmissão durou cerca de uma hora e 40 minutos, e foi assistida por mais de 2,7 mil pessoas.

A diretora da Escola Politécnica, Cláudia Morgado, conta que a escola precisava cumprir as formalidades para realizar uma colação de grau válida, e decidiu incluir os discursos e momentos de descontração para que as famílias pudessem se emocionar e festejar.

“Foi emocionante, porque vimos que os pais e amigos ficaram muito felizes. Ficamos bastante alegres de ter proporcionado esse momento”, comemorou a diretora.

“E está tudo gravado, para eles terem essa recordação. Foi o que pudemos fazer de mais próximo do que seria [no auditório], para pelo menos nesse momento em que só tivemos notícias ruins, termos um pouco de alegria e esperança”.

Como as aulas estão suspensas na Escola Politécnica, os alunos que conseguiram se formar são aqueles que não estavam dependendo de nenhuma disciplina e cumpriram em 2020 as últimas obrigações do curso, como horas de estágio e entrega do trabalho de conclusão.

Crise

Cláudia Morgado disse que, em momentos de crise, é comum que os universitários posterguem sua formatura para continuar tentando uma boa colocação no mercado de trabalho.

“Estou há 20 anos na escola, e esse movimento a gente percebe. Quando há um momento de aquecimento da economia, eles fazem de tudo para se formar e aproveitar as oportunidades que estão no mercado”, explicou, acrescentando que “agora, se o aluno está em um estágio, está conseguindo se manter com sua família, e está vendo que não há emprego e que vai cair numa condição pior, ele desacelera. Isso é natural. Às vezes, a universidade tem mais oportunidades do que do lado de fora”.

A professora lamenta que o mercado de engenharia já se encontrava em uma situação ruim antes da pandemia, como consequência da crise econômica no país. “Já estávamos em uma crise econômica muito forte, no caso da engenharia. Já vínhamos em um desinvestimento”, disse.

Ela relaciona problemas enfrentados durante a pandemia com a falta de investimentos. “Estamos agora percebendo que não tínhamos infraestrutura, não tínhamos respiradores, não tínhamos máscaras, não tínhamos urbanização. E tudo isso que não tínhamos foi o não investimento em engenharia. Ela já estava se ressentindo há muito tempo. Já estava asfixiada, em um nível muito baixo de nosso potencial de produção”.

Já empregada desde janeiro, Gabriela Leal disse que a situação econômica é uma preocupação dela e dos colegas. A engenheira teme que, com a crise, empresas decidam cortar suas ações na área ambiental. “Vai ser um momento difícil para nós que estamos nos formando agora. Teremos muitos desafios pela frente nesse cenário de pandemia”.

Edição: Fernando Fraga

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Pesquisa da UFPel estima subnotificação de casos de covid-19 no Brasil

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Para cada caso confirmado de covid-19 segundo as estatísticas oficias, existem sete casos reais na população dos principais centros urbanos brasileiros, de acordo com levantamento sobre a pandemia do novo coronavírus no Brasil realizado em 90 municípios. O dado é resultado da primeira fase do estudo Evolução da Prevalência de Infecção por Covid-19 no Brasil: Estudo de Base Populacional (Epicovid19-BR), coordenado pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), em parceria com o Ministério da Saúde.

“De cada sete pessoas com o coronavírus, apenas uma sabe que está ou esteve infectada. Isso é preocupante, visto que as demais seis pessoas que não sabem da infecção podem, involuntariamente, transmitir o vírus para outras pessoas”, disse o coordenador geral do estudo e reitor da UFPel, Pedro Hallal.

Para os pesquisadores, a comparação dos números estimados pela pesquisa e os números oficiais aponta para uma grande subnotificação do número de infectados pela covid-19. 

A pesquisa testou se as pessoas tinham anticorpos para a doença, o que significa que já foram ou estão infectadas pelo novo coronavírus, podendo se tratar de casos assintomáticos. As estatísticas oficiais incluem pessoas que foram testadas, em geral, a partir da apresentação de sintomas.

No dia 13 de maio, véspera do início da pesquisa, essas 90 cidades somadas contabilizavam 104.782 casos confirmados e 7.640 mortes, conforme divulgado pelo estudo. No entanto, estimativa da pesquisa, realizada entre os dias 14 e 21 de maio, mostra que 760 mil pessoas estariam infectadas pelo novo coronavírus nessas cidades. “Os casos confirmados, que aparecem nas estatísticas oficiais, representam apenas a ponta visível de um iceberg cuja maior parte está submersa. Para conhecer a magnitude real do coronavírus, é obrigatória a realização de pesquisas populacionais”, disse Hallal.

Nesta primeira fase, foram testadas e entrevistadas 25 mil pessoas pelo país nas 133 cidades selecionadas, chamadas sentinelas. Elas são os maiores municípios das subdivisões demográficas intermediárias do país, de acordo com critérios do Instituto Brasileiros de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, os dados analisados nesta etapa abrangem 90 cidades, incluindo 21 das 27 capitais, em que foi possível testar pelo menos 200 pessoas em cada uma delas – que é uma amostra considerada representativa.

Proporção de infectados

No conjunto dessas 90 cidades, a proporção de pessoas identificadas com anticorpos para covid-19 foi estimada em 1,4%, podendo variar de 1,3% a 1,6% pela margem de erro. Os dados já levam em consideração o tamanho da população de cada cidade. As 90 cidades correspondem a 25,6% da população nacional, totalizando 54,2 milhões de pessoas. Com isso, chegou-se à estimativa de 760 mil – com margem de erro, de 705 a 867 mil – de pessoas infectadas.

Os pesquisadores alertam que esses resultados não devem ser extrapolados para todo o país, nem usados para estimar o número absoluto de casos no Brasil, já que essas são cidades populosas, com circulação intensa de pessoas e que concentram serviços de saúde. A dinâmica da pandemia pode ser distinta se observadas cidades pequenas ou áreas rurais. Apesar dessa ressalva, o coordenador do estudo avalia que “o mais importante é saber que a contagem de casos de infecção por coronavírus no Brasil agora deve ser feita em milhões, e não mais em milhares”.

Regiões do país

Houve grande diferença na proporção de infectados por regiões do Brasil. As 15 cidades com maiores prevalências de infectados pelo novo coronavírus incluem 11 da região Norte, sendo Breves (PA), Tefé (AM), Castanhal (PA), Belém (PA), Manaus (AM), Macapá (AP), Marabá (PA), Rio Branco (AC), Parintins (AM), Boa Vista (RR), Oiapoque (AP); duas do Nordeste – Fortaleza (CE) e Recife (PE) – ; e duas do Sudeste – Rio de Janeiro e São Paulo.

“Esse resultado confirma o que já vinha sendo sugerido pelas estatísticas oficiais, de que a região Norte tem o cenário epidemiológico mais preocupante do Brasil”, disse a epidemiologista Mariângela Silveira, integrante da coordenação do estudo na UFPel. Na região Sul, somente a cidade de Florianópolis apresentou prevalência superior a 0,5% de pessoas infectadas entre sua população. Na região Centro Oeste, a pesquisa não encontrou nenhum caso positivo nas nove cidades estudadas, embora já há casos e mortes notificados. 

Os pesquisadores avaliam que as diferenças entre os municípios foram ainda mais marcantes. Na cidade de Breves (PA), foi observada a maior proporção da população que tem ou já teve coronavírus, estimada em 24,8%, ou seja, cerca de 25 mil dos 103 mil habitantes da cidade. O segundo resultado mais alto foi observado em Tefé (AM), onde estima-se que 19,6% da população tenha anticorpos para o coronavírus, o que significa que 12 mil dos 60 mil habitantes do município estão ou já estiveram infectados.

Entre as 21 capitais analisadas, Belém (PA) e Manaus (AM), ambas na região norte, foram as únicas que apresentaram resultado superior a 10% da população com anticorpos da doença. Das 10 capitais com percentuais mais altos da população com anticorpos, cinco são do Norte, três são do Nordeste e duas do Sudeste.

“Essas diferenças entre as cidades demonstram que existem várias epidemias num único país. Enquanto algumas cidades apresentam resultados altos, comparáveis aos de Nova Iorque (Estados Unidos) e da Espanha, outras apresentam resultados baixos, comparáveis a outros países da América Latina, por exemplo”, disse Pedro Hallal.

São Paulo e Rio de Janeiro

Para São Paulo, o município mais populoso do país com 12,2 milhões de habitantes, os resultados da primeira fase do estudo mostram uma proporção de 3,1% das pessoas com anticorpos para o novo coronavírus, ou seja, estima-se que 380 mil moradores da capital paulista já tenham se infectado ou ainda estejam infectados.

No Rio de Janeiro, com 6,7 milhões de habitantes e 2,2% da população com anticorpos, o número estimado de pessoas que têm ou já tiveram o novo coronavírus é de 147 mil.

No dia 27 de maio, data da divulgação da primeira fase da pesquisa, o Ministério da Saúde havia confirmado 411.821 pessoas infectadas com covid-19 no Brasil. Considerando apenas a estimativa de infectados – resultado da pesquisa – para as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, o número já ultrapassa em 28% o número oficial de infectados para todo o país.

Próximas fases da pesquisa

Com a finalização da coleta de dados da primeira fase no fim de maio, as novas datas para segunda etapa são 4, 5 e 6 de junho, e para a terceira, 18, 19 e 20 de junho. O novo calendário atende ao planejamento inicial da pesquisa, que prevê um intervalo de 14 dias entre cada levantamento.

A pesquisa inédita vai estimar o percentual de pessoas com anticorpos para a covid-19 e avaliar a velocidade de expansão da doença no país, por meio de uma amostragem de participantes nas 133 cidades sentinelas.

O estudo vai determinar ainda o percentual de infecções assintomáticas ou subclínicas, avaliar os sintomas mais comuns, obter cálculos precisos da letalidade da doença, estimar recursos hospitalares necessários para o enfrentamento da pandemia, além de permitir o desenho de estratégias de abrandamento das medidas de distanciamento social com base em evidências científicas.

Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde informou, em nota, que a pesquisa Evolução da Prevalência de Infecção por covid-19 é financiada pela pasta por meio de um Termo de Execução Descentralizada de Recursos e que extrato foi publicado no Diário Oficial da União. “Os resultados da pesquisa serão utilizados para auxiliar na tomada de decisão, na definição de estratégias de abrandamento das medidas de isolamento social, na estimativa de recursos hospitalares necessários ao enfrentamento da pandemia, em articulação com os gestores estaduais e municipais de saúde”, diz a nota.

Edição: Liliane Farias

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Capes lança programa de pesquisa para áreas estratégicas nos estados

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A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) lançou hoje (1º) o Programa de Desenvolvimento da Pós-Graduação-Parcerias Estratégicas nos Estados.

Ele vai ofertar 1,8 mil bolsas para a formação profissional e o desenvolvimento científico, tecnológico e de inovação do país.

A Portaria nº 68/2020, com as informações do novo programa, foi publicada no Diário Oficial da União. O programa será implementado mediante parceria com as Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs) e visa fortalecer os programas de pós-graduação criados a partir de 2013 que passaram por apenas um processo avaliativo da Capes.

De acordo com a FAP do Ministério da Educação, serão apoiados programas emergentes que sejam estratégicos nos estados e atuem em áreas consideradas prioritárias para o desenvolvimento científico e tecnológico nas regiões onde se encontram. 

Para a Capes, o projeto vai contribuir de forma significativa para o desenvolvimento regional, reduzindo assimetrias e possibilitando alavancar potencialidades específicas existentes nos estados.

A definição de áreas prioritárias será feita em conjunto pelas FAPs e as instituições de ensino superior nos estados que, também, vão propor os indicadores para acompanhamento dos resultados. 

Acordos de cooperação

Após a seleção dos projetos por edital específico, a Capes firmará acordo de cooperação com essas fundações e os convênios também poderão envolver entidades privadas ou do terceiro setor.

Os valores a serem investidos pela Capes levarão em conta, por exemplo, a contrapartida de cada FAP e a localização geográfica do projeto. No mínimo, 30% dos recursos serão aplicados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com exceção do Distrito Federal. O programa prevê ainda a concessão de bolsas e pagamento de auxílios financeiros.

As FAPs, por sua vez, além de oferecerem bolsas, darão uma contrapartida que deverá ser, prioritariamente, em valores que correspondam a um percentual mínimo do total financiado pela Capes para a execução dos respectivos Planos de Desenvolvimento.

*Com informações da Capes

 

 

Edição: Kleber Sampaio

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