Momento Educação

Fies: candidatos já podem acessar resultados

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O resultado da seleção do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e do Programa de Financiamento Estudantil (P-Fies) para o primeiro semestre de 2020 já está disponível. A lista de pré-selecionados da chamada única pode ser consultada no site do programa ou nas instituições de ensino participantes.

Na modalidade Fies, o estudante deve complementar a inscrição pelo site do programa no período de 27 de fevereiro a 2 de março. Já os pré-selecionados na modalidade P-Fies deverão comparecer à instituição de ensino para validação das informações de sua inscrição e contratação do financiamento.

Os estudantes não pré-selecionados na modalidade Fies foram automaticamente incluídos na lista de espera e devem acompanhar sua eventual pré-seleção entre 28 de fevereiro e 31 de março de 2019, na página do Fies. Na modalidade P-Fies não existe a etapa de lista de espera.

Neste semestre, o programa vai oferecer 70 mil vagas para financiamento estudantil em instituições privadas de ensino superior. Ele está dividido em duas modalidades: o Fies a juros zero para quem tem renda familiar de até três salários mínimos por pessoa e o P-Fies para aqueles com renda familiar per capita de até cinco salários mínimos, com juros que variam de acordo com o banco e a instituição de ensino. Essa última modalidade funciona com recursos dos fundos constitucionais e dos bancos privados participantes. 

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Cronograma de inscrição do Fies 2020 – arte-EBC

Mudanças no financiamento

Em dezembro de 2019, o comitê gestor do Fies fez mudanças no programa que só valerão a partir do segundo semestre deste ano. 

Uma das alterações é a possibilidade de cobrança judicial de contratos firmados até o segundo semestre de 2017 com dívida mínima de R$ 10 mil. O ajuizamento deverá ser feito após 360 dias de inadimplência na fase de amortização, ou seja, do pagamento em parcelas dos débitos. 

Hoje a cobrança de quaisquer valores é feita no âmbito administrativo. Pela resolução aprovada, só continua a se enquadrar nesse campo quem tiver dívida menor que R$ 10 mil. O devedor e os fiadores poderão ser acionados. 

Para o P-Fies, o comitê definiu independência em relação ao Fies, para, segundo o Ministério da Educação (MEC), “dinamizar a concessão do financiamento nessa modalidade”. Não haverá exigência do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como pré-requisito (hoje, é idêntico ao do Fies) e nem será imposto limite máximo de renda (atualmente, é para alunos com renda per capita mensal familiar de até cinco salários mínimos). Também será possível contratar o P-Fies durante todo o ano. 

As mudanças também atingiram o uso da nota do Enem como forma de ingresso no Fies. Hoje é preciso ter nota média mínima de 450 pontos e apenas não zerar a redação para pleitear o financiamento. O comitê estabeleceu uma nota de corte também para a parte discursiva – 400 pontos -, que está abaixo da nota média nacional, de 522,8. Essas mudanças valem a partir de 2021. 

A nota do Enem também servirá para limitar transferências de cursos em instituições de ensino superior para alunos que possuem financiamento do Fies. Será necessário ter obtido, no Enem, resultado igual ou superior à nota de corte do curso de destino desejado. 

O comitê ainda aprovou o plano trienal 2020 a 2022 para o Fies. Nele, as vagas poderão cair de 100 mil em 2020 para 54 mil em 2021 e 2022, caso não haja alteração nos parâmetros econômicos atuais. Mas esses valores serão revistos a cada ano, podendo voltar a 100 mil vagas caso haja alteração nessas variáveis ou aportes do MEC.

Edição: Aline Leal

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Momento Educação

Plataformas e instituições firmam parcerias para ensino a distância

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Com a pandemia do novo coronavírus, parte das instituições de ensino, sobretudo as privadas, manteve as aulas, mas de forma remota, por meio da chamada educação a distância. Plataformas digitais vêm disponibilizando ferramentas e firmando parcerias para o emprego deste tipo de recurso.

O Facebook e a ONG Nova Escola atuarão em conjunto em um curso voltado a professores visando capacitá-los no uso de ferramentas que podem ser adotadas para possibilitar aulas e atividades de aprendizagem. Além de redes sociais da empresa, como o próprio Facebook e o WhatsApp, serão repassadas explicações sobre outras aplicações, como Youtube, Google Meeting e Zoom.

“Teremos lives [vídeos ao vivo pelo Facebook] semanais explicando as ferramentas e entrevistas com professores que tiveram experiências com ferramentas. Além disso, queremos criar rede de apoio entre os professores”, explica a gerente de políticas públicas do Facebook, Andrea Leal.

A gerente pedagógica da Nova Escola, Ana Lígia, explicou que nestes cursos haverá a participação de mediadores. “A gente vai ter experiências de pessoas que já utilizam tecnologia. Premissa de que nossos cursos sejam voltados para a prática, soluções de professores para professores”, disse.

As aulas serão transmitidas às quintas-feiras no Facebook e pelo perfil da ONG Nova Escola . Os vídeos ficarão gravados e poderão ser acessados a qualquer momento por professores. Também serão disponibilizados planos de aula com sugestões para o uso de recursos tecnológicos.

A Microsoft também disponibilizou programas gratuitamente que podem ser utilizados em atividades educacionais.  Uma dela é a de gestão de equipes, chamada “Teams”. Desde 10 de março, algumas funcionalidades antes reservadas aos planos pagos foram colocadas para uso sem pagamento. É o caso da realização e gravação de videoconferências, além do fim do limite de participantes nessas reuniões virtuais.

Além das ferramentas, a empresa oferece cursos na área de tecnologia sobre assuntos diversos, como inteligência artificial, Internet das Coisas e outras temáticas envolvendo as áreas de atuação da empresa.

Google

O Google também disponibilizou recursos tecnológicos voltados a facilitar aulas e outras iniciativas educacionais. Uma lista de apps úteis foi criada como sugestão de soluções técnicas de apoio a professores e gestores.

Um site específico foi criado para reunir programas e conteúdos úteis às pessoas que estão em casa. Entre as informações estão dicas direcionadas a professores e alunos, incluindo seminários transmitidos pela internet (webinars).

A suíte de aplicações corporativas da empresa, chamada G Suite, tem uma versão voltada à educação. O grupo também já possuía uma plataforma específica para aulas, o Google Classroom, onde professores podem organizar aulas online .

“Com o avanço da pandemia de covid-19, muitos estudantes, professores, famílias, empreendedores e profissionais passaram a ficar em casa. Neste momento de isolamento, é importante que todos sejam capazes de manter uma rotina conectada, produtiva e saudável”, diz Valdir Leme, chefe de marketing do Google no Brasil.

Facilidades e desafios

O professor universitário do curso de publicidade da instituição de ensino superior IESB Carlos Leonardo é um entusiasta dos métodos de educação a distância. Ele trabalha com essa forma há pelo menos oito anos na faculdade. O docente acredita que nesse ambiente alunos são convidados a participar mais.

Mas nesse cenário em que todos precisam participar das aulas a distância, ele demonstra preocupação com o acesso pelos alunos devido à grande demanda de tráfego para cursar as aulas. “Com meus alunos, o que mais está dificultando é pacote de dados deles. Essa é a sensibilidade deles”, relata.

Edição: Fábio Massalli

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Um terço dos candidatos às universidades não têm acesso à EAD

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Um em cada três estudantes (33,5%) que tentaram vaga no curso superior, nos últimos cinco anos, por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), não tem acesso à internet e a dispositivos, como computador ou celular, que permita, por exemplo, aprender por meio de educação a distância (EAD).

Em tempos da pandemia de covid-19, recursos de teleaula em aplicativos fornecidos por faculdades têm sido estratégicos para manter o semestre letivo e viabilizar a aprendizagem.

Conforme análise dos dados colhidos nas respostas do questionário socioeconômico aplicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anisio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação (MEC), na inscrição para o exame nos últimos cinco anos, 65,9% dos egressos desse nível de ensino declararam acessar internet e celular; 61,9% tinham computador e celular; e 54,81% tinham os dois dispositivos e acessavam a rede mundial de computadores. Quase 98% declararam ter celular.

Os dados foram levantados pela plataforma interativa Quero Bolsa, criada para estudantes buscarem auxílio e descontos para inscrição em faculdades particulares.

Pedro Balerine, diretor de Inteligência Educacional da plataforma, ressalta que os dados são colhidos antes do ingresso universitário, mas assinala que “se um terço dos egressos [do nível médio] não dispõe dos meios necessários para a EAD, é improvável que esse número caia a zero quando esses alunos entrarem na faculdade.”

Conforme o especialista, “as instituições precisam se preocupar com esse assunto, senão correrão o risco de lidar com evasão e baixo desempenho acadêmico”. Para ele, “as instituições de ensino superior, principalmente aquelas que ficam em regiões mais pobres ou remotas, precisam ficar atentas ao fato de que possivelmente uma boa parte de seu corpo discente não tem infraestrutrura doméstica adequada para o aprendizado a distância, então a migração intempestiva para o EAD em tempos de covid-19 pode vir com alguns riscos”.

O quadro, no entanto, “não invalida nem tira o mérito do EAD, que de fato veio para ficar e cujo crescimento é inegável”, opina. “[A] EAD tem tido um papel importante em combater essa desigualdade, pois além de baratear muito o curso – tornando-o, assim, acessível para mais gente -, ele traz uma novidade ao setor, que é o uso intensivo de inovação tecnológica e recursos tecnológicos para personalizar a experiência de aprendizado do aluno e garantir resultados melhores”, reforça Pedro Balerine.

Conforme nota distribuída à imprensa pela Quero Bolsa, “em nove estados, mais da metade dos estudantes não têm estrutura básica para cursar ensino superior a distância. O Amapá é o estado com menor proporção de estudantes com estrutura mínima para cursar o ensino superior a distância, com apenas 36,5%. Além dele, nos estados do Pará, Maranhão, Acre, Amazonas, Piauí, Roraima, Ceará e Tocantins, menos da metade dos estudantes responderam que tem internet em casa e computador ou celular. O estado com maior proporção é Santa Catarina, com 82,9%”.

“O Brasil é um país bastante heterogêneo e desigual”, ressalta o diretor da plataforma. “Muitos estados têm amplo acesso a dispositivos eletrônicos (computadores e celulares) e internet, mas em vários outros, nem tanto. Isso é fruto principalmente da desigualdade de renda e, em menor grau, da infraestrutura de telecomunicações limitada no interior de vários estados.”

Edição: Graça Adjuto

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