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Menina de 9 anos com autismo é algemada por policiais durante crise na escola

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A criança foi algemada e levada pelos policiais
Reprodução/9News

A criança foi algemada e levada pelos policiais

Em Sidney, na Austrália , uma menina de apenas nove anos, diagnosticada com autismo , foi algemada por policiais após sofrer uma crise na escola. De acordo com a família da criança, não é a primeira vez que a polícia é chamada para atender a menina na escola. As informações são do jornal Extra.

Além do autismo, a criança tem transtorno desafiador de oposição, síndrome de tourette, transtorno do deficit de atenção com hiperatividade e ansiedade. Segundo o portal, a combinação dessas condições faz com que a menina enfrente crises constantes, que algumas vezes desencadeiam em comportamentos agressivos.

A legislação local permite o procedimento e autoriza que agentes de segurança a levem compulsoriamente para centros de assistência de saúde mental, por isso, a família disse que a situação já ocorreu mais de uma vez.

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Em uma entrevista ao canal “9News”, a mãe da menina fez um apelo para ter acesso à ajuda especializada para cuidar da filha. Na ocasião, ela disse que não culpa a polícia ou os profissionais de saúde por suas ações, mas sentia que crianças como a filha dela estavam fracassando pela falta de especialistas, tratamentos e apoios disponíveis. “Minha filha caiu nas falhas do sistema. Estamos apenas sendo bloqueadas em todos os lugares que vamos”, ressaltou a mãe.

A CEO de uma ONG de aconselhamento e apoio a crianças com autismo, Grace Fava, afirmou que acompanha de perto toda a falta de suporte para as famílias que lidam com esse tipo de transtorno. “O sistema está deixando-os na mão. Eu diria que o sistema está quebrado, mas como alguém uma vez me disse, na verdade, não há sistema”, disse.

Fonte: IG Mundo

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A fuga de uma vítima de violência doméstica em cinco objetos

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BBC News Brasil

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Eleanor Lawrie – BBC News

A fuga de uma vítima de violência doméstica em cinco objetos

Algumas pessoas podem ficar felizes com a perspectiva de serem temporariamente afastadas do trabalho, mas, para Victoria*, essa era uma perspectiva assustadora.

“Lembro daquele pavor em meu estômago dirigindo do trabalho para casa no último dia. Pensando: ‘Quanto tempo até eu poder escapar ?'”

Victoria já sofria há anos com o abuso de seu parceiro antes de a pandemia do coronavírus virar o mundo de ponta cabeça. Mas quando o Reino Unido entrou em lockdown em março, a vida dela se tornou ainda mais difícil.

Essa é uma situação que vítimas de abuso doméstico sofreram em todo o mundo, o que as Nações Unidas têm chamado de “pandemia das sombras” — um dos focos do projeto BBC 100 Women este ano.

Para cada três meses em que o lockdown se prolonga, é estimado que mais 15 milhões de mulheres em todo o mundo sejam afetadas por violência vinda de seus parceiros.

‘Embora ele estivesse sentado lá o tempo todo, eu podia bloqueá-lo um pouco’

Desde que ela consegue se lembrar, o parceiro de Victoria tentou controlar cada um dos passos dela.

Ele telefonava 10, 20, 30 vezes por dia. Um dia, quando o telefone dela estava em modo silencioso no andar de cima de casa, ele mandou uma amiga de sua mãe para ver como ela estava.

Antes da pandemia, ela quase conseguiu ir embora – trabalhando em turnos noturnos cansativos para economizar o dinheiro do depósito para alugar seu próprio apartamento. Mas seus planos foram frustrados quando um de seus filhos foi hospitalizado.

A essa altura, o parceiro de Victoria havia cortado o contato dela com amigos e familiares.

E agora o casal estava preso em casa, juntos 24 horas por dia, sete dias por semana. Eles não podiam sair nem para fazer compras ou exercícios, porque o problema de saúde da criança obrigava a família a se proteger.

Eles tinham um jardim, mas o parceiro de Victoria se recusava a deixá-los usar o espaço. Ele dizia que era possível pegar coronavírus mesmo em ambiente aberto, longe de outras pessoas.

Victoria então tentou atravessar os longos dias fazendo um curso online. Mesmo assim, ele se sentava ao lado enquanto ela estudava, e checava seu histórico de navegação na internet depois.

A tensão se tornou tão insuportável que Victoria pensou em suicídio. Ela ficava acordada à noite, pensando em como poderia levar antes as crianças para um lugar seguro.

“Eu pensava ‘Eu vou ter que me matar , porque não posso viver o resto da minha vida desse jeito e não consigo ver nenhuma saída’.”

Mas ela descobriu que aprender a fazer crochê ajudava a relaxá-la, dando a ela outra coisa em que se concentrar.

Muitas pessoas começaram a praticar um hobby na pandemia devido ao tédio. Mas, para Victoria, isso se tornou uma tábua de salvação.

Ela começou a passar os dias fazendo coisas para o mundo além de suas quatro paredes – roupas para o bebê de uma amiga, uma bolsa para sua filha usar quando elas pudessem voltar a sair.

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“Embora ele estivesse sentado lá o tempo todo, ou me seguindo, eu podia me perder nisso e bloqueá-lo um pouco. Foi uma das poucas coisas que me fizeram seguir em frente.”

Ilustração de celular sobre superfície

BBC
Parceiro de Victoria telefonava 10, 20, 30 vezes por dia

‘Ela estava farta da maneira como ele controlava a todos e como ficávamos com medo o tempo todo’

Mas, quando a dispensa temporária do trabalho de seu parceiro foi estendida para julho, e depois para setembro, a situação doméstica começou a sair do controle.

Já um beberrão, ele começou a gastar 500 libras (cerca de R$ 3,6 mil) por mês em álcool. E beber trazia junto uma ameaça constante de violência .

Ele deixou um taco de baseball ao lado da porta da rua e um bastão no andar de cima, além de facas por toda a casa. Victoria sabia que ele poderia usá-las – ele já havia dito que cortaria a garganta dela se ela a qualquer momento tentasse ir embora.

Cerca de dois terços das mulheres da Inglaterra que convivem com a violência doméstica disseram a uma pesquisa da Women’s Aid, publicada em agosto, que suas dificuldades se tornaram piores durante o primeiro lockdown do Reino Unido no começo deste ano.

Foi uma das filhas de Victoria que finalmente desencadeou sua fuga .

A filha escreveu para um serviço de ajuda psicológica confidencial. E conseguiu então fugir da casa para ficar com um parente.

“Ela estava farta da maneira como ele controlava a todos, e como ficávamos com medo o tempo todo”, diz Victoria.

‘Minha filha deu um par de calçados dela para eu usar’

Ilustração de par de chinelos

BBC
Em fuga de madrugada, filha emprestou par de chinelos à mãe

Não está claro o que a filha de Victoria disse ao serviço de saúde mental , mas a polícia visitou a casa da família para verificar seu bem estar.

O parceiro dela respondeu entrando em uma bebedeira, enquanto ela e as crianças se escondiam no andar de cima da casa.

Então, nas primeiras horas da madrugada, ele entrou no quarto de Victoria e tentou tirar o telefone dela, exigindo saber o que a filha estava falando sobre ele.

Quando Victoria se recusou a entregar o aparelho, ele deu um soco no rosto dela.

Ela gritou para sua outra filha, que ligou para a polícia, e elas rapidamente acordaram as crianças mais novas e levaram-nas para fora da casa.

Era uma e meia da manhã. Victoria não teve tempo de pegar nenhuma roupa – ela saiu de shorts e regata, e calçando um par de sapatos nos quais não conseguia andar direito. A filha dela lhe emprestou um par de chinelos e elas adentraram a madrugada.

‘O penhoar da minha mãe foi a única coisa que me assegurei de levar comigo’

Victoria e seus filhos encontraram refúgio com um parente, enquanto a polícia prendia seu parceiro. Na manhã seguinte, ela voltou à casa da família, enquanto ele era mantido sob custódia.

Ela rapidamente juntou alguns pertences – brinquedos para as crianças; sua agulha de tricô. Ela também pegou seu penhoar, um presente da sua mãe.

Ilustração de vestido pendurado na parede

BBC
Um presente especial para Victoria, penhoar foi pego às pressas

O parceiro de Victoria não havia permitido a ela ver sua mãe por dois anos, antes dela morrer de câncer. No primeiro aniversário de sua morte, ele começou a dizer que estava sofrendo do mesmo tipo de câncer.

“As atenções não estavam voltadas para ele, e ele sabia que dizer isso me aborreceria”, diz ela.

Victoria é grata por ter se lembrado de levar consigo essa lembrança de sua mãe, já que ela nunca mais retornou à casa. Ela entrou em contato com a Women’s Aid, e em poucos dias ela e seus filhos se mudaram para um abrigo.

As primeiras semanas foram difíceis. As crianças reagiam mal a barulhos altos e portas batendo, e Victoria tinha dificuldade para dormir, imaginando que seu parceiro estava atrás da porta.

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Mas, eventualmente, eles começaram a se sentir de fato seguros.

“Não ter as ligações e mensagens de texto constantes, ou a ameaça de alguém chutar a porta e arrancar suas cobertas no meio da noite, te faz relaxar – como se você pudesse respirar”, ela diz.

‘Depois da tempestade, vem o arco-íris’

Ilustração de papel com arco íris desenhado

BBC
Victoria recebeu mensagem de uma pessoa querida lembrando: ‘Após a tempestade, vem o arco-íris’

Embora o abrigo ofereça um refúgio do mundo exterior, ele não está imune à pandemia.

Victoria diz que está muito aliviada de ter recebido um lugar ali. Mas os repetidos lockdowns resultam em que muitas famílias não conseguiram deixá-lo, reduzindo o espaço para outras, mesmo com um aumento de 150% na demanda.

Mensagens para a Linha de Ajuda Nacional de Abuso Doméstico do Reino Unido aumentaram 120% em uma noite em particular no início do isolamento social, e ao longo dos últimos meses, a demanda continuou a aumentar de forma constante, diz a instituição de caridade Refuge, que opera a linha de ajuda.

Quando alguém no abrigo de Victoria testou positivo para covid-19, as mulheres foram mergulhadas novamente no isolamento, o que para muitas trouxe de volta memórias traumáticas de estarem presas com seu agressor.

“Foi muito difícil começar o isolamento, porque isso me levou de volta para ‘lá’, para onde não me era permitido fazer isso ou aquilo”, diz Victoria.

“Mas depois de alguns dias, não era mais tão ruim. Eu pensei: ‘Estou cercada de pessoas que se importam comigo, posso ir ao jardim. Você sabe que estará livre em algumas semanas’.”

Embora o abrigo tenha dado a Victoria um porto-seguro, ela não pode ter muito contato com o mundo exterior.

Para sua própria segurança, o abrigo disse a ela que mudasse seu número de telefone e mantivesse seu novo endereço em segredo, embora ela pudesse avisar amigos e familiares que estava segura.

Então foi uma surpresa inesperada quando, através de um terceiro, ela recebeu um cartão de uma velha amiga.

A mensagem na capa: “Após a tempestade, vem o arco-íris”.

Victoria está ansiosa para começar uma nova vida com sua família, de volta à sociedade, e livre do medo. O abrigo permitiu a eles se sentirem normais novamente.

“Eu não sabia o que seria de nós, mas tudo o que precisávamos estava lá. Foi confortável, agradável. Parece um lar agora.”

Muitas pessoas temem que a pandemia signifique que o Natal será diferente esse ano. Mas, para Victoria, essa é a melhor parte.

Ela ensinou algumas das outras mulheres a fazer crochê, e elas estão fazendo decorações de Natal para enviar a suas famílias.

Pode ainda ser novembro, mas ela já comprou todos os seus presentes, e seus filhos já têm árvores de Natal em seus quartos.

“O Natal vai ser maravilhoso – poderemos comer o que quisermos, e fazer o que quisermos. Estou muito animada para isso”, diz ela.

*Os n omes foram alterados

Violência doméstica: Contatos úteis

No Brasil, o Disque 180 recebe denúncias de violência contra a mulher. A denúncia é anônima e gratuita, disponível 24 horas, em todo o país.

Vítimas de abuso doméstico também pode ligar para o Disque 100, que recebe denúncias de violação de direitos humanos, ou diretamente para a Polícia Militar, através do 190.

A Casa da Mulher Brasileira presta apoio às vítimas de violência doméstica.

No Reino Unido, uma série de contatos úteis pode ser acessada aqui.

Nos Estados Unidos, a linha direta de violência doméstica é 1-800-799-SAFE (7233).

O projeto BBC 100 Women nomeia 100 mulheres influentes e inspiradoras a cada ano e compartilha suas histórias. Encontre-nos no Facebook, Instagram e Twitter e use a hashtag #BBC100Women

Fonte: IG Mundo

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