Momento +

Lideranças indígenas de Mato Grosso avaliam que o coronavírus é risco real de extermínio de índios nas aldeias do Estado

Publicado

Medo e inseguranças quanto ao avanço da Covid-19 entre indígenas têm gerado preocupações para lideranças e Poder Público.

Na última semana um bebê de 8 oito meses da etnia Xavante faleceu pela doença e o caso traz um alerta também para a situação precária e falta de recursos dos órgãos responsáveis pela saúde indígena.

Por um lado, morar longe das cidades dificulta receber atendimento médico, por outro, as aldeias próximas aos centros urbanos estão mais vulneráveis à doença, que traz risco real de extermínio para algumas etnias.

Faltam dados sobre a situação da pandemia entre indígenas e os testes, que também são insuficientes nos centros urbanos, não chegam nas aldeias. “Quem não aparece na Receita Federal, não existe para os governantes. Nós somos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) como qualquer brasileiro, mas nosso medo é não ter um plano e estarmos ainda mais despreparados nas aldeias. A doença é real, está matando pessoas”, afirma o presidente da Federação dos Povos Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt), Crisanto Rudz Tseremey’wá.

São cerca de 55 mil indígenas que estão em 50 dos 141 municípios de Mato Grosso. São pessoas de 43 etnias diferentes, em mais de 560 aldeias, além de alguns povos isolados. A distância entre o local de moradia e o atendimento médico é uma grande preocupação para Eliane Xunakalo, membro da Fepoimt. “A Funai e Sesai que atuam em MT também estão dando apoio, mas sabemos da precariedade, falta de recursos”

A coordenação de ações para a saúde indígena é de responsabilidade da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), ligada ao Ministério da Saúde. Dos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), 7 estão em Mato Grosso sendo 4 totalmente no Estado (DSEI Cuiabá, DSEI Xingú, DSEI Kayapó MT e DSEI Xavante) e 3 com área de atuação interestadual (DSEI Araguaia, DSEI Porto Velho e DSEI Vilhena), nas fronteiras com Goiás, Tocantins e Rondônia.

Com atuação preventiva, a unidade, segundo o site oficial, tem enviado insumos e equipamentos de proteção individual aos 34 DSEIs em todo o país.

Não podemos esperar que aconteça o pior para agir

Eliane conta que apesar da falta de dados oficiais, a Fepoimt tem notícias que os Xavante estão entre os mais atingidos e onde faleceu a vítima mais jovem, de 8 meses. São uma população de 21 mil pessoas, presente em 14 municípios. Quem é contaminado tem dificuldades em receber atendimento.

Segundo Elaine, o Governo do Estado não dá orientações aos povos sobre atendimento. “Temos dúvidas sobre muitas coisas. Como pode ser feito o isolamento dentro da aldeia? E o deslocamento?”.

Foi enviado um ofício pela Associação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) ao governo pedindo para incluir as organizações indígenas no debate sobre ações para conter a pandemia, mas ainda não houve resposta. “Queremos alguém que tenha expertise em povos indígenas para serem ouvidos, queremos apoiar sem as diferenças políticas que devem ficar à parte, agora vamos pensar estratégias”, diz.

A doença, para ela, representa um risco real de extermínio para essas populações. “Precisamos de ajuda para abordar os povos que tem rituais específicos e não vão poder enterrar seus mortos. E levar orientação na língua deles”.

A Fepoimt está organizando campanhas nas redes sociais para receber doações de alimentos e demais insumos.

 

Otavio Ventureli(com rdnews.)

Comentários Facebook
publicidade

Momento +

Crimes de feminicídio cresceram 75% nos primeiros cinco meses do ano em Mato Grosso, segundo dados oficiais

Publicado

Os casos de feminicídio cresceram 75% nos primeiros cinco meses de 2020 em Mato Grosso em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo dados oficiais do Governo do Estado, 28 mulheres morreram em decorrência de feminicídio no Estado nesse período, contra 16 mortes em contabilizadas em 2019.

Os casos são de homicídio em função de violência doméstica e familiar ou menosprezo e discriminação contra a condição de mulher.

Os dados são da Superintendência do Observatório de Violência, da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) e os números são medidos com base nos dados lançados no Sistema de Registro de Ocorrências Policiais (SROP) e informações fornecidas pelas Diretorias Metropolitana e de Interior da Polícia Judiciária Civil (PJC-MT).

Apesar do aumento nos casos de feminicídio, os homicídios com vítimas femininas – o que engloba outras motivações para morte como rixas, tráfico de drogas, por exemplo – reduziu 68%. Saiu de 22 casos em 2019 para sete em 2020. Tais dados contemplam os 141 municípios do Estado, no período de janeiro a maio.

A Superintendência do Observatório da Violência alerta que os dados de feminicídio apresentados são passíveis de alteração, tendo em vista que a investigação do crime é complexa, e a consolidação da motivação pode necessitar de extensão de prazo e envio posterior.

“A Sesp juntamente com representantes da Polícia Militar, Polícia Judiciária Civil e demais órgãos do Estado e entidades de defesa da mulher tem debatido o tema para buscar ações efetivas de prevenção e repressão aos crimes contra as mulheres, mas entendo que é preciso ampliar o envolvimento da comunidade como um todo para obter a mudança neste cenário”, avalia o secretário de Integração Operacional da Sesp, coronel PM Victor Fortes.

Outros dados

De janeiro a maio deste ano, o Estado registrou quedas nos registro de ameaça (-16%), lesão corporal (-10%), tentativa de homicídio (-25%), dentre outros. As reduções são em comparação com o mesmo período de 2019.

Em 2020 foram registrados 7.259 Boletins de Ocorrência por ameaça. Em 2019 o total foi 8.632. Já os crimes de lesão corporal foram 3.831 neste ano contra 4.259 no ano passado. Ainda no período, foram 91 tentativas de homicídios em 2020 contra 121 em 2019.

Diante dos dados de aumento de feminicídio frente às reduções de outras ocorrências, a delegada e coordenadora da Câmara Temática de Defesa da Mulher da Sesp-MT, Jozirlethe Criveletto, acredita que as mulheres estão dentro de casa com os agressores e sem poder sair para denunciar.

“Esse comparativo janeiro a maio de 2019 e 2020, que pega justamente o período do ápice da pandemia, percebe-se que todas as outras violências, a maioria delas, diminuíram seus registros, mas quando nós lembramos que os canais de denúncias como o 180 têm aumentando o número de recebimento de denúncia, nós então entendemos que os registros por si só não espelham a realidade da violência doméstica em Mato Grosso. O número das denúncias nos canais, a exemplo do número 180 mostra um aumento de 35% nos atendimentos entre os primeiros meses do ano passado e 2020”, destaca.

A Polícia Militar mantém os atendimentos por meio da Patrulha Maria da Penha. Neste período de prevenção a Covid-19, as visitas às mulheres que têm medida protetiva continuam.

 

Otavio Ventureli(com assessoria)

Comentários Facebook
Continue lendo

Momento +

Polícia Civil de Mato Grosso prende fugitivo do Pará acusado de matar a facadas esposa de 34 anos em Conceição do Araguaia

Publicado

O autor de um feminicídio ocorrido na área rural de Conceição do Araguaia, no Pará, foi preso em Vila Rica, Mato Grosso, na manhã desta quarta-feira (08) durante ação integrada das polícias civis de Mato Grosso e do estado vizinho. O suspeito matou a companheira, de 34 anos com golpes de faca.

A ação da Delegacia de Polícia Civil de Vila Rica MT foi deflagrada em apoio à equipe de policiais civis de Conceição do Araguaia PA para cumprimento do mandado de prisão pelo crime de homicídio qualificado (feminicídio).

O suspeito de 33 anos era casado com a vítima, Mariza Pereira de Carvalho de 34 anos, com quem tinha dois filhos pequenos. A mulher foi morta na propriedade rural da família, após o companheiro desferir dois golpes de faca na vítima.

Depois de cometer o crime, o suspeito pegou os dois filhos e fugiu com as crianças em uma motocicleta para o município de Vila Rica MT. Passados alguns dias do crime, o autor compareceu na Delegacia de Polícia da cidade, acompanhado de um advogado, e confessou o feminicídio.

No depoimento, o suspeito assumiu que cometeu o crime desferindo golpes de faca contra sua companheira e que o corpo dela estava na propriedade rural do casal, no município de Conceição do Araguaia no Pará.

Segundo o suspeito, ele estava deitado na cama do casal, quando a vítima entrou no quarto e depois foi surpreendida com vários golpes de faca. Depois do crime, o homem pegou pertences pessoais dos filhos (um menino de 5 anos e uma menina de 3 anos) e seguiu para Vila Rica, onde tem familiares. Para chegar à cidade, ele utilizou uma moto Honda Pop 100 e realizou a viagem com os filhos no período noturno, no intuito de não ser flagrado pela polícia.

Após os relatos, o delegado de Vila Rica, Luiz Felipe Nascimento de Leoni, entrou imediatamente em contato com a Polícia Civil de Conceição do Araguaia e informou os fatos. Em seguida, os policiais civis do Pará foram até a chácara, onde localizaram o corpo da vítima em estado avançado de decomposição.

O suspeito já havia sido condenado anteriormente por lesão corporal contra a vítima, quando desferiu golpes de tesoura. A motivação do crime teria sido proveniente de disputa de terras do casal.

Com o mandado de prisão decretado pela Justiça do Pará, os policiais civis de Conceição do Araguaia foram até Vila Rica e em conjunto com a Polícia Civil da cidade efetuaram a prisão do suspeito, que foi abordado em uma residência no bairro Cidade Jardim.

Após cumprimento do mandado judicial, o preso foi recambiado para o Pará.

 

Otavio Ventureli(com assessoria PJC MT)

Comentários Facebook
Continue lendo

Momento MT

Momento Nacional

Momento Esportes

Momento Entretenimento

Mais Lidas da Semana