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Escalada na Venezuela amplia riscos comerciais, financeiros e de custos para o agro brasileiro

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A ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela e a captura de Nicolás Maduro inauguram um cenário de forte instabilidade política e institucional na região, com potenciais desdobramentos relevantes para o agronegócio brasileiro. Independentemente do desfecho político, o simples agravamento do conflito já é suficiente para gerar incertezas no comércio internacional, nos fluxos financeiros e nos mercados de energia — três variáveis centrais para o campo no Brasil.

A Venezuela, embora tenha perdido relevância como destino das exportações brasileiras ao longo da última década, ainda ocupa papel importante como mercado regional para alimentos e insumos. O Brasil vem exportando mais de US$ 1 bilhão por ano em produtos do agronegócio para o mercado venezuelano, com destaque para óleo de soja, açúcar, milho e arroz. Uma ruptura institucional ou transição política turbulenta tende a afetar diretamente contratos em andamento, elevar riscos de inadimplência e provocar atrasos ou cancelamentos de embarques, especialmente de produtos como milho, açúcar e óleos vegetais.

No curto prazo, esse cenário pode forçar redirecionamento de cargas para outros mercados já altamente competitivos, pressionando preços, prêmios e margens do produtor e da indústria exportadora. Em um ambiente de oferta global abundante e disputa acirrada por compradores, qualquer desorganização logística ou comercial tende a ser absorvida pelo elo mais frágil da cadeia — muitas vezes o produtor rural.

Outro ponto sensível diz respeito ao risco financeiro. A Venezuela acumula uma dívida estimada em mais de R$ 10 bilhões com o Brasil, parte dela relacionada a operações comerciais e financiamentos públicos. Uma eventual mudança abrupta de governo, ou mesmo um período prolongado de instabilidade, reduz ainda mais a previsibilidade quanto à recuperação desses valores. Para o agro, isso reforça a percepção de risco em operações com mercados politicamente instáveis e pode levar a um endurecimento de critérios de crédito e seguro nas exportações.

O fornecimento de fertilizantes também entra no radar. Aproximadamente 45% das importações brasileiras oriundas da Venezuela correspondem a fertilizantes, insumo estratégico em um momento em que o Brasil bate recordes de importação para sustentar sua produção agrícola. Qualquer interrupção, mesmo temporária, no fluxo desses produtos pode gerar ajustes de preço, maior dependência de outros fornecedores e aumento dos custos de produção, especialmente para culturas mais intensivas em adubação.

No plano macroeconômico, o conflito adiciona pressão ao mercado global de energia. A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo e, antes da escalada, exportava volumes relevantes para os Estados Unidos. Restrições à produção ou ao escoamento tendem a elevar os preços internacionais do petróleo, com reflexos diretos sobre o diesel e o biodiesel — insumos críticos para o agro brasileiro. Nos últimos cinco anos, os preços desses combustíveis já acumularam altas expressivas, e novos choques podem encarecer ainda mais o transporte, a mecanização e a logística da produção.

Para o produtor rural, o efeito combinado desse cenário é claro: mais incerteza comercial, maior risco financeiro e possível aumento dos custos dentro da porteira. Embora o Brasil não esteja no centro do conflito, a interconexão dos mercados globais faz com que crises geopolíticas se traduzam rapidamente em volatilidade de preços, ajustes de demanda e mudanças nas condições de crédito.

Diante desse ambiente, o agro brasileiro entra em 2026 sob a necessidade de cautela redobrada, diversificação de mercados, gestão mais rigorosa de riscos e atenção constante aos desdobramentos internacionais. Em um setor cada vez mais exposto à geopolítica, eventos fora da porteira seguem influenciando, de forma direta, o planejamento e a rentabilidade no campo.

Fonte: Pensar Agro

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