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Sistema Único de Saúde: o que seria de todos nós sem ele?

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Davi Valle

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Em 5 de outubro de 1988, quando promulgada a Constituição Federal do Brasil, o artigo 196 já declarava que “a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. Os artigos seguintes já prenunciavam aquilo que seria regulamentado dois anos depois: o Sistema Único de Saúde – SUS. 

Constitucionalmente, as ações e serviços públicos de saúde devem ser oferecidos à população através de uma rede integrada, regionalizada e hierarquizada, cofinanciada por todos os entes federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios). Além disso, esse sistema único de saúde tem como diretrizes a descentralização, o atendimento integral e a participação da comunidade. 

Quase dois anos depois da publicação da nossa Carta Magna é que tudo isso foi regulamentado, através da Lei nº 8.080 de 19 de setembro de 1990, data considerada como o nascimento de fato do SUS, que hoje completa 31 anos de existência. 

Muito mais do que palavras registradas por políticos, o SUS partiu de um grande movimento popular, encabeçado por engajados profissionais e estudiosos da área da saúde, principalmente sanitaristas, que enxergaram a grande necessidade que as pessoas tinham de contar com serviços públicos e gratuitos na área da saúde e, mais do que isso, enxergaram que desses cuidados com os cidadãos dependia toda a seguridade do povo brasileiro, com impactos não só na saúde, mas na economia, na qualidade de vida, na longevidade e em tantos outros indicadores sociais. 

Antes de o SUS existir, o acesso à Saúde era um privilégio. Apenas quem contribuía para a Previdência Social podia contar com o sistema público, que era limitado à assistência médico-hospitalar. Naquela época, não existia toda essa gama de serviços que temos hoje, como as unidades básicas de saúde, cuidando da promoção da saúde e da prevenção de doenças; o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU); os atendimentos ambulatoriais; as grandes campanhas de vacinação em massa, por exemplo. Àqueles que não contribuíam com a Previdência, o jeito era pagar por atendimento na rede particular. Se isso já é uma dificuldade para a esmagadora maioria dos brasileiros hoje, imagine há mais de 30 anos? Em último caso, para os que não conseguiam pagar por atendimento médico, a opção era contar com a caridade de ou as instituições filantrópicas.

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Voltando para os tempos atuais, podemos imaginar o que seria de nós, brasileiros, se não fosse o Sistema Único de Saúde para nos atender durante esta pandemia de covid-19, que enfrentamos desde o ano passado? É graças ao SUS que é possível criar os protocolos utilizados em todas as cidades, visando mitigar os impactos do coronavírus. É graças ao SUS que é possível disponibilizar testes nas unidades de saúde à população e, imediatamente, o médico pode prescrever o tratamento, orientar o paciente a ficar em isolamento e se cuidar. É graças ao SUS que a Vigilância em Saúde pode monitorar todos os casos e, com isso, apontar aos gestores o melhor caminho a ser seguido com medidas concretas de enfretamento à doença. É graças ao SUS que temos vacinas disponibilizadas no país, mediante rigoroso e criterioso controle de qualidade feito pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa. É graças ao SUS que temos um exército de profissionais da saúde atuando na linha de frente do combate ao coronavírus, seja nas unidades de saúde, fazendo a testagem, o tratamento, cuidando dos enfermos; seja na maior campanha de vacinação da nossa história, que ficará para sempre marcada em nossas mentes e corações. 

Engana-se quem pensa que, por ter nascido em berço de ouro, nunca precisou ou nunca vai precisar do SUS. Agora mesmo estamos testemunhando isso. A vacina contra a covid-19 somente está disponível na rede pública e todos, absolutamente todos, necessitam recorrer ao SUS para ficar imunizado. Mas não é só agora que isso acontece. No cotidiano, o SUS permeia a vida de todos. A Vigilância Sanitária, que fiscaliza os produtores de alimentos que consumimos, os restaurantes, as farmácias, os hospitais públicos e privados, é do SUS. Quando nascemos, quando adoecemos, quando morremos, é a Vigilância em Saúde que faz todo o monitoramento e levantamento de dados. Quando sofremos um acidente e precisamos de doação de sangue, isso é possível graças aos bancos de sangue públicos. Quando recebemos informações sobre como prevenir contra as mais variadas doenças, esse conhecimento partiu de pesquisadores que trabalham para o SUS. Se no nosso bairro não temos casos de dengue, é graças aos agentes de endemias que fazem o trabalho de casa em casa. São inúmeras as formas com que o SUS impacta as vidas de todos nós. Sempre para o nosso bem e para o bem comum. 

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E neste dia tão especial, não poderia deixar de prestar a minha homenagem a todos aqueles que fazem parte desta grande rede, a todos aqueles que lutaram para que o SUS fosse possível, a todos aqueles que diariamente vestem a camisa da Saúde pública, gratuita e de qualidade. Sem sombra de dúvidas, depois da democracia, o SUS é a maior conquista que o povo brasileiro já logrou, pois sem saúde, não é possível que o trabalhador acorde de manhã para ir ao trabalho, buscar o pão de cada dia para sua família. Sem saúde, nada podemos fazer. 

Devemos todos reconhecer que, apesar de todos os problemas e desafios, é graças ao SUS que temos acesso à saúde. É dever de todos reconhecermos a importância dessa indispensável ferramenta de política pública e lutar para que esteja sempre em processo de aprimoramento e ampliação, levando cada vez mais qualidade de vida a todos que vivem em solo brasileiro. Viva o SUS!

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Profissionais comemoram o dia do fisioterapeuta com capacitação no Hospital Referência à Covid-19

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Gustavo Duarte

 

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O dia do fisioterapeuta e do terapeuta ocupacional (13 de outubro) foi comemorado com três dias de capacitação pelos 103 fisioterapeutas que atuam no Hospital Referência à Covid-19. O evento foi organizado pela Gerência de Atendimento Terapêutico com apoio da Diretoria Técnica da unidade e foi dividido para contemplar a todos os colaboradores das diferentes escalas de plantão.

O gerente de Atendimento Terapêutico, Paulo Henrique de Oliveira, explica que a capacitação trouxe conhecimentos obtidos durante a consultoria que o Hospital Sírio-Libanês está desenvolvendo na unidade, através do projeto Reabilitação Pós-Covid-19. “A gente já vinha fazendo esse processo, mas hoje estamos sistematizando de outra forma, com um olhar totalmente diferente, através da consultoria. Então, a partir do momento em que o paciente entra na unidade hospitalar, ele já recebe todos os cuidados da equipe multidisciplinar e do profissional fisioterapeuta com relação à sua reabilitação”, explica.

Para o diretor técnico do Hospital Referência à Covid-19, o médico Itamar de Almeida, destaca a importância do fisioterapeuta no tratamento do paciente com covid-19. “A participação do fisioterapeuta na evolução do paciente, de zero a 100, eu penso que é 100. É fundamental a assistência deles. Quero agradecer a todos os fisioterapeutas do Pronto Socorro Municipal de Cuiabá por tudo o que eles estão fazendo por nós e para toda a sociedade cuiabana e mato-grossense”, agradeceu.

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Por sua vez, Paulo Henrique de Oliveira ressaltou a atenção que a gestão do prefeito Emanuel Pinheiro deu à fisioterapia no combate à covid-19. “Dentre os hospitais de Mato Grosso, este é o que mais tem fisioterapeutas, isso graças a esse olhar da gestão”, pontuou.

Atuando na unidade desde o primeiro paciente com covid-19, a fisioterapeuta Caroline Brito, que foi quem fez o treinamento com os demais profissionais, relatou um pouco do que viveu ao longo de todo esse período pandêmico. “Foi desafiador não só pela dificuldade da doença, que era absolutamente nova pra gente. Foi um desafio aprender a lidar com o paciente, também com todo o peso que tem isso em relação a conseguir tirá-los da condição de gravidade que a doença emprega sobre esses pacientes. Foi muito bonito porque a fisioterapia teve a oportunidade de mostrar muito trabalho através desses pacientes porque são pacientes que exigem muito cuidado fisioterapêutico. Primeiro, porque eles já chegam com esforço respiratório. E como é um paciente que chega já na mão do fisioterapeuta, eles têm muita gratidão de ver todo o nosso empenho em tentar fazê-los melhorar e fazer com que eles saiam com a melhor condição de saúde possível. Foi muito bonito o quanto eles conseguiram ver o nosso trabalho”, conta.

Questionada se sentiu medo de enfrentar a doença, a profissional diz que priorizou sua missão em ajudar o próximo com seu conhecimento. “Eu senti coragem pelos outros porque é algo que eu escolhi fazer. Então, eu não me senti no direito de ter medo devido ao fato de estar ali a serviço de alguém. Então eu tive realmente que tirar essa coragem de dentro para atender esses pacientes e fazer o meu melhor por eles porque o medo gera uma barreira de impedimento. O medo me impede de expressar o meu melhor, então eu tenho que bloquear o medo de mim mesma e pensar só na coragem e confiar que nada vai acontecer se eu tiver boa vontade em ajudar o próximo”, afirma.

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A respeito da reflexão que faz sobre a profissão, que comemora 52 anos de regulamentação, Caroline Brito diz: “A gente aprende que a fisioterapia é uma coisa, mas ela está além da nossa compreensão do que ela pode proporcionar para o paciente. Quanto mais a gente se empenha em descobrir até onde a fisioterapia pode ir espiritualmente, mentalmente, pelo fato dele ter capacidade de se recuperar fisicamente, ele recupera as outras faculdades também. Então, ela vai além do que a gente espera que ela vai. Só basta que a gente busque esse conhecimento”, conclui.

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