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    “Ainda falta muita coisa, mas avançamos bastante”: Deize Bocalon faz balanço do primeiro ano à frente da Saúde de Várzea Grande

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    Ao completar um ano no comando da Secretaria Municipal de Saúde de Várzea Grande, Deize Bocalon voltou ao Momento MT para traçar um balanço direto do que mudou — e do que ainda precisa mudar — na segunda maior cidade do estado. Em tom franco, ela reconheceu limitações, celebrou conquistas inéditas e detalhou o que considera o maior desafio da gestão: transformar uma rede que historicamente dependia de Cuiabá em um sistema de saúde capaz de se sustentar e crescer.

     

    “Ainda falta muita coisa, a gente precisa melhorar muito ainda”, abriu a secretária, ao relembrar o cenário que encontrou quando assumiu a pasta. “Mas eu acredito que os avanços foram muito importantes para Várzea Grande.”

     

    Segundo ela, esse primeiro ano foi marcado por uma mudança estrutural: exames e procedimentos que nunca haviam sido realizados no município passaram a ser ofertados na própria rede municipal. “Cintilografia, ressonância magnética, endoscopia, colonoscopia… tudo isso era antes transferido para Cuiabá”, ressaltou. “Hoje não. Hoje a gente tem realizado esses exames dentro de solo várzea-grandense, e isso muda completamente nossa capacidade de comprovar produção e melhorar o financiamento.”

     

    “O financiamento da saúde de Várzea Grande é muito ruim”

     

    Deize é categórica ao explicar o principal gargalo da pasta. “O financiamento da saúde de Várzea Grande é muito ruim”, afirma. Segundo ela, a falta de comprovação de procedimentos ao longo dos anos deixou o município “refém da saúde de Cuiabá”, limitado a encaminhamentos e impedido de expandir serviços de maior complexidade.

     

    Hoje, porém, o cenário começa a virar. “Nós temos um teto MAC de R$ 3,7 milhões. Desse valor, apenas R$ 1,9 milhão é fixo. O restante é tudo incentivo”, detalha. Com a documentação sendo organizada e enviada ao Ministério da Saúde, a expectativa é dobrar esse valor: “A gente acredita que, com essas provas, a gente consiga passar de R$ 1,9 para R$ 5 milhões. E aí nosso teto MAC pularia para R$ 8,9 milhões.”

     

    Apesar de admitir que o valor ainda está abaixo do ideal, ela reforça que a elevação abre caminho para novos serviços: “Quando a gente recebe uma melhoria do aporte federal, vem também um cofinanciamento do Governo do Estado melhorado. E assim a gente vai crescendo.”

     

    Ao comentar as entregas deste primeiro ano, Deize fez questão de destacar a parceria estadual. “Eu preciso ser sincera e dar a César o que é de César”, disse. “O Fila Zero nos propiciou realizar procedimentos que antes não eram feitos em Várzea Grande. O financiamento tem sido, praticamente, exclusivo do Governo do Estado.”

     

    Entre essas entregas estão cirurgias que antes eram totalmente encaminhadas para Cuiabá — como colecistectomia, hérnia, histerectomia e cirurgias pediátricas — e que agora são realizadas no município. “Tudo isso melhora o faturamento e mostra ao Ministério que nós temos capacidade instalada”, afirmou.

     

    Um dos marcos citados pela secretária foi a inauguração da primeira unidade de coleta de sangue da história de Várzea Grande — um serviço que a cidade nunca teve em 158 anos. “Foi um avanço muito grande”, comemorou. “É uma unidade confortável, acessível, moderna, e já está dando frutos.”

     

    Ela detalhou a origem da obra: emenda parlamentar de R$ 500 mil, contrapartida municipal de mais de R$ 300 mil e doações de equipamentos feitas pelo Governo do Estado. A estrutura funciona das 7h às 17h, inclusive no horário de almoço. “Quem quiser doar sangue pode ir a qualquer hora. O sangue é vida, e agora Várzea Grande está colaborando com todo o estado.”

     

    UPAs cheias e hemodiálise na urgência: “O que falta pra nós é leito hospitalar”

     

    Questionada sobre as UPAs, Deize garantiu que não falta médico. “Temos cinco clínicos e dois pediatras 24 horas na UPA do Ipase. É uma equipe completa.”

    O problema, porém, é estrutural.

     

    “Várzea Grande cresceu muito e não tem leito de retaguarda suficiente. Acaba que o paciente fica internado na UPA como se fosse hospital”, explicou. “A gente faz até hemodiálise na UPA, coisa que em Cuiabá não faz.”

     

    Ela reafirma que o município possui profissionais capacitados, mas precisa urgente de mais leitos hospitalares. “É disso que a gente precisa para dar retaguarda aos pacientes mais graves.”

     

    Sobre a possibilidade da construção de um grande hospital, Deize não esconde o otimismo:

    “Esse é o nosso sonho, nossa esperança. Temos sinalização do governador Mauro Mendes e do vice-governador Otaviano Pivetta de que eles vão cuidar da saúde de Várzea Grande.”

     

    Segundo ela, após a entrega do Hospital Central no dia 19 de dezembro, a expectativa é que o próximo grande investimento seja no município. “A gente está bem esperançosa.”

     

    Além da expectativa pelo hospital, há obra certa e prestes a começar: a nova maternidade.

    “Já tem empreiteira. A única coisa que está emperrando a ordem de serviço é a licença do Bombeiro”, explicou.

     

    A estrutura será a maior maternidade pública de Mato Grosso: “São 120 leitos. Não existe maternidade pública no estado com essa capacidade. E mais 30 leitos de UTI. Vai ser um equipamento fundamental para toda a Baixada Cuiabana.”

     

    Ao final da entrevista, a secretária agradeceu e reforçou que o trabalho está apenas começando:

     

    “É uma luta. Temos muito ainda a construir, mas também temos grandes entregas que serão realizadas nos próximos três meses. E acredito que vão beneficiar muito a população.”

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