
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso entregou, nesta sexta-feira (8), Moção de Aplausos à Galvão Sepúlveda Produções, reconhecendo a contribuição da produtora para a preservação da memória social, a valorização das identidades locais e o debate público sobre temas sensíveis do estado. A honraria foi proposta e entregue pelo deputado estadual Xuxu Dal Molin, em sessão que reuniu parlamentares, realizadores, representantes do setor cultural e familiares. A homenagem ocorre na esteira das comemorações do Dia do Documentário Brasileiro, celebrado na véspera (7 de agosto).
Fundada pela jornalista e produtora Camila Galvão e pelo cineasta Jorge Esteban Sepúlveda Tejos, a Galvão Sepúlveda Produções tem como marca a imersão em territórios e a escuta prolongada de seus personagens, combinando rigor de pesquisa, ética no registro e apuro estético. As obras do núcleo criativo se estruturam sobre políticas públicas de fomento — com aprovação em editais da Lei Aldir Blanc (PNAB), Lei Paulo Gustavo e da Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso — e circulam em mostras e festivais pelo país.
Primeiro título da produtora, “Mel da Floresta-Xingu” nasce de um edital estadual e já soma quatro láureas em festivais nacionais. O filme acompanha um projeto apícola no Médio Xingu que alia geração de renda, práticas sustentáveis e proteção da biodiversidade — com destaque para o Método Recuo, que transforma áreas de floresta em berçários/santuários de abelhas nativas. Com direção de Leonardo Sant’Anna e coprodução de Camila Galvão e Jorge Sepúlveda, a obra foi exibida em diferentes circuitos e consolidou a linguagem do filme, dividida em três eixos: a aldeia, a apicultura no Xingu e os impactos futuros do arranjo produtivo.
Em fase avançada de produção, outro filme da Galvão Sepúlveda Produções, o documentário sobre a BR-163 aprofunda uma contradição estrutural de Mato Grosso: a via é vital para a economia, mas por anos não ofereceu o mínimo de segurança a motoristas, famílias e trabalhadores. O filme reúne relatos de famílias enlutadas por acidentes e analisa os atrasos na duplicação por parte da concessionária — período em que, por anos, o trecho permaneceu majoritariamente em pista simples, elevando a letalidade. A obra confronta a disputa em torno de investimentos bilionários, a responsabilidade do poder público e a urgência de infraestrutura que preserve vidas, justamente no momento em que as frentes de duplicação ganham ritmo.
Também no portfólio em desenvolvimento, “Panango Atpotpot” registra, na segunda expedição da equipe ao Xingu, o rito de passagem do povo Ikpeng (furação de orelha), com a participação de diversas aldeias. Pelas redes sociais, é possível ao seguidor acompanhar personagens e bastidores da expedição — da logística de deslocamento às decisões de filmagem — assim como mostrar processo criativo em campo, consentimento comunitário, traduções culturais e a responsabilidade de filmar tradições vivas sem exotização.
Já o documentário sobre o Instituto Padre João Peter resgata a história da entidade em Lucas do Rio Verde desde os primórdios do município com fomento da Secretaria Municipal de Cultura. A produção evidencia como o Instituto viabilizou a permanência de famílias no território ao oferecer educação, cultura, alimento, remédios e cuidados básicos, tornando-se um pilar de coesão social e de acesso a direitos em um período de formação e escassez.
Ao justificar a homenagem, Xuxu Dal Molin pontuou que reconhecer o trabalho da produtora é “valorizar um cinema que provoca reflexão, fortalece identidades e dá visibilidade a histórias que o Brasil precisa ouvir”. Para Camila Galvão, a Moção “reafirma a centralidade das políticas de fomento e a importância da escuta como método”. Jorge Sepúlveda destacou o compromisso da equipe com “um audiovisual que atravessa o território, respeita as pessoas e devolve às comunidades uma narrativa honesta de si mesmas”.
A Moção de Aplausos consolida o lugar da Galvão Sepúlveda Produções como referência do documentário mato-grossense contemporâneo — um cinema que nasce do chão, da pesquisa e do diálogo, e que devolve ao público histórias urgentes sobre floresta, cidades, estradas e gente. Com novos títulos em fase de produção, a produtora segue ampliando o circuito de circulação de obras e a formação de público, alicerçada na convicção de que memória e cultura são bens públicos e de que documentar também é proteger vidas.




























