Quando decidiu disputar a Prefeitura de Colíder pela primeira vez, Celso Banazeski aparecia com apenas 4% das intenções de voto, contra 73% do adversário. A pesquisa, que muitos preferiam esconder, foi o que o convenceu a aceitar o desafio.
“É desse tipo de desafio que eu gosto”, recorda. Meses depois, virou o jogo e venceu com 11 pontos percentuais de vantagem. Na reeleição, em 2008, consolidou a liderança.
Hoje, o ex-prefeito — reconhecido nacionalmente pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas como o gestor municipal mais premiado do país — se apresenta como pré-candidato a deputado estadual em 2026, defendendo mais representatividade para o Nortão e o Portal da Amazônia.
A história de Celso começa muito antes da política. Filho de pequenos empreendedores do Sul do país, viu a mãe sofrer um AVC aos 27 anos, quando ele tinha apenas quatro.
A família deixou o Rio Grande do Sul e se estabeleceu no interior de Santa Catarina, numa propriedade onde o vizinho mais próximo ficava a seis quilômetros. Sem escola ou igreja na região, o pai construiu ambos na própria terra. A mãe precisou reaprender a ler, escrever e até o nome dos filhos. “Ela viveu até os 83 anos. Foi a maior lição de superação que eu tive”, relembra.
Celso só iniciou os estudos perto dos nove anos. Mais tarde, tornou-se bancário por 13 anos e meio, com passagens pelo Banco Mercantil de São Paulo e pelo Banco do Brasil. Em 1986, escolheu Colíder para viver. A cidade tinha apenas seis anos de emancipação. “Era um município com tudo por fazer”, resume. No mesmo ano, casou-se com Rosângela e passou a atuar em frentes comunitárias e empresariais: presidiu a Associação Comercial, participou da criação da ABB local — hoje considerada uma das melhores do país — e ajudou a estruturar o Núcleo Industrial da Micro e Pequena Indústria, que atualmente abriga mais de 40 empresas.
Em 1995, deixou o Banco do Brasil para empreender na área madeireira. Começou com forros e batentes, migrou para produtos beneficiados para exportação e depois transformou a indústria em fábrica de móveis seriados, com fornecimento para grandes redes nacionais. A experiência empresarial moldaria sua visão de gestão pública.
Ao assumir a prefeitura em 2005, encontrou a pior receita per capita do Estado e uma estrutura sucateada. “A máquina mais nova da infraestrutura tinha 22 anos de uso. Não dava para pagar a folha”, relata. A estratégia foi ousada: reforma tributária, redução e adequação do ISSQN, calendário fixo de pagamento ao servidor e priorização de compras governamentais de micro e pequenas empresas locais. Segundo ele, a receita corrente cresceu quase 600% em oito anos, e o número de empresas formalizadas saltou de pouco mais de 900 para mais de duas mil, além do crescimento do empreendedor individual.
A política de compras públicas se tornou referência. A média de aquisições feitas de micro e pequenas empresas chegou a 91% durante os dois mandatos, antes mesmo da consolidação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa. O modelo rendeu 12 premiações no Prêmio Prefeito Empreendedor do Sebrae, entre etapas estaduais e nacionais, tornando-o o prefeito mais reconhecido da história da premiação. “Comprar local faz o dinheiro girar no próprio município”, defende.
Depois de encerrar o segundo mandato, em 2012, Celso permaneceu nos bastidores da política e manteve atuação empresarial e institucional, inclusive como dirigente da Federação das Indústrias. Em 2019, a convite do governador Mauro Mendes, assumiu a Secretaria Adjunta de Desenvolvimento Regional na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso. Lá, participou da criação do programa “Pensando Grande para os Pequenos”, voltado à estruturação de cadeias produtivas completas — da produção à comercialização — e à simplificação de normas para pequenos produtores, como no caso da regularização de agroindústrias artesanais.
Apesar dos avanços, ele alerta para um problema estrutural: o crescimento econômico concentrado. “Não basta produzir riqueza para poucos. É preciso ensinar a produzir, agregar valor e mostrar onde vender”, afirma. Celso cita dados demográficos para sustentar a preocupação: mesmo com aumento populacional no Estado, mais de 50 municípios perderam habitantes entre 2010 e 2022, sinal de concentração regional.
É nesse ponto que surge sua nova bandeira política. Como pré-candidato à Assembleia Legislativa, ele afirma que o Portal da Amazônia — região com 17 municípios e cerca de 200 mil eleitores — está sub-representado. “Já tivemos três deputados estaduais e um federal ao mesmo tempo. Hoje não temos nenhum”, argumenta. Para ele, a ausência de representantes impacta diretamente na capacidade de articulação e atração de investimentos.
Ao projetar 2026, Celso diz que está preparado para migrar da gestão executiva para o parlamento estadual, defendendo políticas de desenvolvimento regional, fortalecimento dos pequenos negócios e redução das desigualdades territoriais. “Eu defendo bandeiras porque conheço o resultado que elas produzem”, afirma. “Se tiver a oportunidade, vamos fazer um trabalho consistente como legislador.”
Aos quase 40 anos de Colíder, cidade que escolheu para viver e empreender, Celso Banazeski tenta repetir na esfera estadual a virada que marcou sua primeira eleição municipal: transformar desvantagem em projeto político e representatividade regional em pauta central do debate mato-grossense.































