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    Escritora amplia fronteiras da arte e da palavra e leva Mato Grosso ao centro da FIL Guadalajara

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    Em um ano marcado por circulação internacional, formação de novos escritores e fortalecimento institucional, a escritora e gestora cultural Leni Chiarello Zilioto encerra 2025 ocupando um espaço que, até pouco tempo atrás, era improvável para nomes vindos de Mato Grosso: os palcos mais disputados da arte e da literatura global.

    Leni Zilioto, Alan Morares e outras embaixadoras culturais da Confederação (México, Peru, Guatemala, Porto Rico)

    A participação de Leni na FIL Guadalajara ocorreu a convite da Confederação Internacional do Livro, instituição da qual ela é Embaixadora Cultural e que tem ampliado a presença de autores latino-americanos em circuitos globais.

    Durante a programação, Leni esteve acompanhada por Alan Morales, cofundador e vice-presidente da Confederação — presença que reforça a relevância das agendas culturais e institucionais que ela representa no exterior. No campo das artes visuais, suas mostras internacionais ao longo de 2025 foram viabilizadas em parceria com a Galeria Arte100, dirigida pela artista Ângela de Oliveira, responsável por conectar criadores brasileiros a exibições na Europa e em grandes centros culturais.

    Sua presença na Feira Internacional do Livro de Guadalajara (FIL) — considerada a maior do mundo hispano — funciona como síntese de uma trajetória que reposiciona o Estado no mapa cultural contemporâneo.

    Entrevista com Liberta Bitencourt

    A artista avalia que esse movimento não é apenas pessoal: “A presença da minha obra em espaços como o Carrousel du Louvre e a FIL Guadalajara revela que Mato Grosso vive um momento de maturidade criativa, diversidade estética e expansão internacional sem precedentes”, afirma.

    Para ela, a expansão recente da produção cultural mato-grossense tem raízes profundas. “Essas conquistas individuais também são coletivas. Mostram que há qualidade, coragem e consistência artística no Estado. A arte mato-grossense não é periférica; é protagonista”, completa.

     

    Da França ao México: um circuito internacional que projeta o Centro-Oeste

     

    O percurso de Leni no ano começou com suas telas Pontos de Fuga e Real Imaginário expostas no Carrousel du Louvre, em Paris — um ponto de visibilidade alto dentro da cena artística global. Ao longo dos meses, a circulação passou por Barcelona, Petrópolis, Copacabana, Gramado, Porto Alegre, Sinop e se estendeu a centros europeus, com mostras confirmadas na Alemanha e na Bélgica até dezembro.

     

    Zilioto com Alan Morales, vice-presidente e cofundador da Confederação

    Esse trânsito, incomum para artistas do Centro-Oeste, indica consolidação estética. As obras de Leni se situam em uma fronteira entre memória, textura e abstração, marcadas por camadas pictóricas que dialogam com tendências da arte contemporânea europeia e latino-americana. A recepção no exterior reforça a percepção de que a produção mato-grossense tem alcançado novos espaços por mérito artístico e não apenas por representatividade regional.

     

    Técnica: Óleo sobre tela.
    Real Imaginário e Pontos de Fuga

    Se a circulação internacional das artes visuais marca uma parte da trajetória, a literatura representa outra frente de impacto. Leni construiu, ao longo dos últimos anos, um método de mentoria que se tornou referência para autores iniciantes no Estado e fora dele. O processo — sistematizado na metodologia PPD (Produzir, Publicar e Distribuir) — tem como objetivo formar escritores aptos a navegar no mercado editorial contemporâneo.

     

    Segundo ela, o trabalho não se restringe à técnica: “Além de ensinar técnicas, meu método transforma percepções, fortalece a voz autoral e muitas vezes muda a rota para que o livro e o escritor tenham propósito e sucesso”, explica.

    A profissionalização é vista como eixo central. “O maior compromisso é com uma estrutura profissional. Transformo pessoas comuns em autoridades em seu nicho. Motivo meus mentorados a terem coragem e autenticidade, o que os diferencia de obras superficiais”, diz.

     

    O resultado aparece em lançamentos, premiações e no crescimento da presença de autores formados em Mato Grosso em eventos nacionais e internacionais. Essa dimensão pedagógica contribui para o que especialistas chamam de “bibliodiversidade ativa”: a ampliação real da diversidade de vozes publicadas.

     

    Outro eixo do trabalho de Leni em 2025 ocorreu na esfera institucional. Como Presidente Fundadora da AJEB-MT — coordenadoria mato-grossense da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil —, ela conduziu um ciclo de reorganização que ampliou o alcance da entidade e reposicionou o Estado na agenda nacional.

     

    O reconhecimento veio na escolha de Mato Grosso como sede do Encontro Nacional e Internacional da AJEB em 2026, que será realizado em Sinop. A decisão desloca o eixo tradicional de eventos literários, historicamente concentrados no Sul e no Sudeste, e indica confiança na capacidade de organização e articulação da coordenadoria.

     

    Sobre o legado esperado, Leni destaca três objetivos:

    “Quero valorizar a produção feminina brasileira; colocar Mato Grosso no mapa literário nacional e internacional; e criar redes entre escritoras, jornalistas, gestoras culturais e instituições.”

     

    A artista também projeta uma mudança estrutural na presença das mulheres na cultura:

    “O protagonismo feminino deixa de ser exceção e se torna a nova normalidade. As mulheres estão assumindo direção, curadoria, produção, crítica — e esse movimento é irreversível.”

    Para ela, o futuro da gestão cultural será “cada vez mais feminino, colaborativo e diverso”, reflexo de um modelo de liderança associado à construção de ambientes mais democráticos e sensíveis.

     

    A participação na FIL Guadalajara — com lançamentos, entrevistas e representações institucionais — encerra um ano de múltiplas camadas. O evento reúne mais de 2 mil editoras, milhares de profissionais do livro e quase 1 milhão de visitantes, colocando autores e gestores em contato com uma cadeia complexa que envolve mercados hispânicos, latino-americanos e globais.

     

    Para Leni, estar ali tem peso simbólico: representa a realização de um percurso que inclui formação literária, produção visual, mentoria, construção institucional e defesa da cultura mato-grossense.

    “A circulação internacional das minhas telas e dos meus livros abre portas para outros criadores do Estado”, afirma.

    “Estamos preparados para ocupar espaços globais com identidade própria e compromisso com a cultura.”

     

    A trajetória de Zilioto em 2025 ajuda a iluminar um fenômeno maior: a ampliação da presença mato-grossense em circuitos globais de arte e literatura, sustentada por criação, profissionalização e liderança feminina.

     

     

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    Maria Inês Botelho
    1 mês atrás

    Muito importante esta participação da Leni. Levou livros, ideias a serem trocadas, vivências literária e artística a serem apresentadas
    Parabéns Leni! Avante sempre!

    Admin
    13 dias atrás
    Responder para  Maria Inês Botelho

    Agradecido

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