. Com tecnologia de captura de CO₂ e selo global de sustentabilidade, a cidade mato-grossense consolida posição como referência na economia verde e na bioenergia de baixo carbono.
Lucas do Rio Verde, no norte de Mato Grosso, vem se firmando como um dos principais laboratórios de inovação verde do planeta. A cidade, conhecida por seu alto desempenho agrícola, agora desponta no cenário internacional por unir agronegócio, tecnologia e sustentabilidade em um mesmo território — e tem na FS, produtora de etanol 100% de milho, o motor dessa transformação.
A trajetória começou em 2017, quando a FS inaugurou sua primeira planta no município. Desde então, o projeto evoluiu para se tornar símbolo da bioeconomia brasileira. Hoje, a unidade de Lucas do Rio Verde processa mais de 5,4 milhões de toneladas de milho por ano, produzindo 2,4 bilhões de litros de etanol, 650 mil megawatts-hora de energia elétrica, 80 mil toneladas de óleo e 1,9 milhão de toneladas de coprodutos proteicos. Esses números não apenas colocam o município entre os grandes polos mundiais de bioenergia, mas também reforçam o papel de Mato Grosso como protagonista da transição energética global.
Em 2025, a FS alcançou um feito inédito no mundo: tornou-se a primeira produtora global de etanol certificada com o selo ISCC CORSIA Low LUC Risk, concedido pela International Sustainability and Carbon Certification (ISCC), em conformidade com o programa CORSIA da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO). O selo reconhece práticas agrícolas e industriais que reduzem emissões e asseguram rastreabilidade total — e habilita o etanol produzido em Lucas do Rio Verde como matéria-prima para o SAF (Sustainable Aviation Fuel), o combustível sustentável de aviação que será peça-chave para a descarbonização do setor aéreo internacional.
Em termos simples, significa que o biocombustível fabricado em Lucas do Rio Verde poderá abastecer aeronaves em rotas comerciais ao redor do mundo — algo que nenhum outro município alcançou até agora.
“Lucas do Rio Verde é hoje referência mundial em economia verde. Aqui, o agro e a indústria se encontram com a ciência, com a inovação e com o futuro”, afirma Welligton Souto, secretário de Desenvolvimento Econômico, Planejamento e Cidade.
“A FS simboliza o que acreditamos para nossa cidade: desenvolvimento com responsabilidade, tecnologia com sustentabilidade e crescimento com propósito.”
Com a consolidação do parque industrial da FS, o milho ganhou nova dimensão na economia regional. Antes visto apenas como commodity agrícola, o grão tornou-se insumo estratégico da transição energética. O resultado é um ciclo virtuoso: o milho é processado localmente, gera energia, coprodutos e empregos, e devolve valor à própria cadeia produtiva.
Hoje, a saca de 60 kg é negociada em torno de R$ 48, sustentada pela demanda contínua da indústria e pela estabilidade proporcionada pelo mercado interno.
Os coprodutos do etanol — como DDG e WGD, voltados à nutrição animal, e o óleo de milho — alimentam as cadeias de suinocultura, avicultura e pecuária, criando uma rede interligada que fortalece agricultores, cooperativas e integradores regionais.
Para Lucas do Rio Verde, isso se traduz em geração de renda, inovação tecnológica e fortalecimento do tecido econômico local.
A próxima fronteira já está sendo aberta. A FS desenvolve, em parceria com especialistas internacionais, a tecnologia BECCS (Bioenergy with Carbon Capture and Storage), que permitirá a produção do primeiro etanol de carbono negativo do mundo.
A inovação consiste em capturar o dióxido de carbono biogênico liberado durante a fermentação do etanol e armazená-lo em formações rochosas subterrâneas, a cerca de 800 metros de profundidade, na Bacia dos Parecis.
Somente em Lucas do Rio Verde, o sistema permitirá capturar e armazenar 423 mil toneladas de CO₂ por ano, com potencial de ultrapassar 1,8 milhão de toneladas anuais quando replicado em outras plantas da FS.
O investimento previsto ultrapassa R$ 460 milhões. Na prática, a tecnologia tornará possível remover mais carbono da atmosfera do que o processo emite, colocando o município e o Brasil na elite mundial da descarbonização industrial.
O caso de Lucas do Rio Verde tem despertado atenção de especialistas e governos. A cidade prova que crescimento econômico e responsabilidade ambiental podem caminhar juntos — e que o agronegócio brasileiro pode liderar a transição para uma economia de baixo carbono.
O modelo implantado no município combina tecnologia, rastreabilidade e eficiência produtiva, criando um ecossistema em que o campo e a indústria se retroalimentam em um ciclo sustentável.
Com a certificação internacional inédita e a aposta em captura e armazenamento de carbono, Lucas do Rio Verde consolida-se como vitrine mundial da economia verde — uma cidade que transformou sua vocação agrícola em projeto de futuro global.





























