Em uma noite marcada por escuta, troca de experiências e mobilização social, mais de 600 pessoas lotaram o Instituto da Vila, em Tangará da Serra, nesta segunda-feira (3), para acompanhar a palestra “Autismo de A a Z”. O encontro reuniu profissionais da educação e da saúde, familiares de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e representantes da comunidade local, reforçando o papel do conhecimento como principal instrumento no enfrentamento ao capacitismo e na construção de ambientes verdadeiramente inclusivos.
Convidada especial do evento, a vereadora cuiabana Maysa Leão (Republicanos) dividiu o palco com a médica pediatra e professora da UFMT, Dra. Natasha Slhessarenko. Ao abordar sua vivência como mãe atípica e parlamentar, Maysa trouxe ao público uma reflexão sensível e direta sobre os desafios diários enfrentados por famílias atípicas e sobre a urgência de políticas públicas efetivas para a inclusão.
“Quando o diagnóstico do meu filho entrou pela porta, o preconceito entrou junto. E a gente conheceu uma sociedade que, para quem não é família atípica, parece muito distante. Descobrimos que ainda temos um caminho muito longo a percorrer para ter uma sociedade verdadeiramente inclusiva”, afirmou. Ela destacou que a compreensão das necessidades sensoriais e emocionais das pessoas autistas não se trata de concessão, mas de direito: “A pessoa autista enfrenta barreiras sensoriais e emocionais todos os dias. Por isso, levar informação para todos os espaços é o único caminho para enfrentar o capacitismo e a exclusão”.
O encontro buscou orientar o público sobre toda a jornada do autismo, desde o diagnóstico até temas como inclusão escolar, acesso a terapias e garantia de direitos das pessoas com deficiência. Além de apresentar aspectos técnicos e atualizados sobre o TEA, as palestras também deram espaço ao acolhimento emocional e ao compartilhamento de vivências — elemento que, segundo os participantes, aproximou ainda mais o debate da realidade local.
Maysa ressaltou que mudar estruturas e mentalidades exige não apenas mobilização social, mas também continuidade no diálogo. “Toda vez que uma escola, uma empresa ou uma instituição se abre para entender o autismo, nós damos um passo à frente rumo a uma sociedade onde todos tenham lugar. Essa é a transformação que queremos ver acontecer”, afirmou.
Com forte participação popular e engajamento de profissionais da rede pública e privada, o evento consolidou Tangará da Serra como um polo de discussão sobre inclusão e reforçou o compromisso de ampliar a capacitação e a informação como caminhos essenciais para reduzir preconceitos e garantir dignidade às pessoas com TEA e suas famílias.
A expectativa dos organizadores é que iniciativas como essa se multipliquem pelo estado, fortalecendo a construção de um Mato Grosso mais inclusivo, empático e preparado para acolher todas as formas de existência.





























