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Moderniza Polícia Civil: Gláucio Castañon detalha a reestruturação e defende novo modelo de investigação em MT

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Em meio ao avanço da criminalidade digital e à pressão crescente por respostas mais rápidas à população, a Polícia Civil de Mato Grosso se prepara para uma das transformações mais profundas de sua história.

Quem garante isso é Gláucio Castañon, presidente do Sindicato dos Investigadores (SINPOL-MT), que conversou com o Momento MT sobre o impacto da criação do cargo de Oficial Investigador de Polícia (OIP) e o futuro da segurança pública no estado. “O crime evoluiu, e a polícia não pode ficar parada no tempo. Se o criminoso se moderniza, nós temos o dever de acompanhar”, afirmou.

 

Castañon descreve um sindicato consolidado, com 1.900 investigadores sindicalizados — praticamente toda a base ativa. Mas faz questão de destacar que força não significa confronto. “Nós não somos um sindicato de baderna. Greve na Polícia Civil impacta diretamente a sociedade, e isso não é o que queremos. O nosso caminho é o diálogo”, disse.

 

A Lei Federal nº 14.735/2023, que cria o cargo de Oficial Investigador unificando escrivães e investigadores, já está em vigor no país, mas ainda aguarda regulamentação em Mato Grosso. Enquanto isso, os estudos estão em fase final na Sesp. “Ontem o Amapá se tornou o oitavo estado a regulamentar. Mato Grosso não pode ficar para trás. A expectativa é que a aprovação saia ainda este ano”, alertou o presidente.

Para ele, a unificação é uma resposta direta às novas dinâmicas do crime. “Há 10 ou 15 anos, o foco era furto e roubo. Hoje lidamos com estelionatos virtuais, fraudes complexas, crimes cibernéticos. O criminoso opera no ambiente digital — e nós precisamos ter capacidade técnica para enfrentá-lo.”

 

O novo cargo permitirá que o mesmo policial faça a investigação de campo e formalize o procedimento, reduzindo gargalos que hoje travam o atendimento à sociedade.

Castañon lembra o exemplo do plantão de violência doméstica. “Quando chegam 12 flagrantes e só há dois escrivães, a vítima espera horas, a PM fica parada na delegacia e a rua fica sem patrulhamento. Não é justo nem eficiente.” Com o OIP, o flagrante poderá ser distribuído entre mais policiais, diminuindo o tempo-resposta e ampliando a eficiência.

 

No interior, onde Mato Grosso tem 142 municípios e apenas 94 delegacias, o impacto será ainda maior. “Hoje, em cidades pequenas, o escrivão dorme de celular na mão. Se chega flagrante às três da manhã, ele tem que levantar e ir pra delegacia. Isso vai acabar”, explicou. Segundo ele, com a unificação, “quem estiver na unidade poderá realizar todos os procedimentos. Ganha a polícia, ganha o policial e, principalmente, ganha o cidadão que não fica desassistido.”

 

Gláucio ressalta que a modernização não se resume à troca de cargos. Ele afirma que a Polícia Civil já vive uma mudança estrutural em sua identidade.

“Mato Grosso, hoje, se não é o primeiro, está entre os três estados com mais investimento em tecnologia policial no Brasil.” Operar sistemas avançados exige formação qualificada — e isso também foi previsto. “Só na formação continuada, a Academia de Polícia ofertou mais de 15 mil vagas em três anos. E todos, escrivães, investigadores e delegados, recebem o mesmo conteúdo”, afirmou.

 

Os resultados, diz ele, podem ser medidos. “Só este ano, até setembro, a Polícia Civil já havia bloqueado mais de R$ 300 milhões em ativos de organizações criminosas. Isso é investigação de qualidade. Não adianta prender 10 mil pessoas se só 100 forem condenadas.”

 

Ele também faz uma diferenciação didática sobre o papel das polícias, algo que, segundo ele, ainda causa confusão até entre autoridades.

“A PM é ostensiva e preventiva. Está na rua para evitar o crime. A Civil entra depois, para investigar. Não existe competição nem comparação: são papéis completamente distintos.”

Para reforçar a ideia, ele resume a missão da instituição que representa: “Nossa função é provar quem fez, como fez e por quê. A prisão é consequência da investigação, não é a nossa finalidade.”

 

A expectativa do sindicato é de que a regulamentação seja concluída ainda este ano. “É lei federal. Os estados precisam cumprir. Nosso papel é contribuir, dialogar e garantir que Mato Grosso faça essa transição de forma responsável e eficiente”, afirmou.

Ao final, Castañon agradeceu o espaço e reforçou o compromisso com a sociedade. “Estamos sempre à disposição para esclarecer e levar informação. A modernização da Polícia Civil é uma pauta da sociedade — não apenas da instituição.”

 

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