Um encontro entre empresários em Cuiabá, que tinha como objetivo discutir o aumento do IPTU e do Imposto Sobre Serviços (ISS), foi interrompido após um embate público entre o prefeito da capital, Abilio Brunini e a suplente de senadora Margareth Buzetti . A discussão ocorreu durante a reunião e terminou com a saída da parlamentar do local.
Durante o debate, Abilio Brunini defendeu mudanças no IPTU e comparou os impactos da proposta municipal com os efeitos da reforma tributária aprovada pelo Congresso Nacional, da qual Buzetti participou enquanto exercia mandato no Senado. Segundo o prefeito, o reajuste proposto no imposto municipal teria impacto muito menor do que as alterações previstas na reforma.
“Esse projeto que altera a alíquota não representa nem uma fração do impacto da reforma tributária aprovada no Congresso”, afirmou Abilio, ao mencionar que a nova legislação prevê mudanças profundas na tributação sobre serviços.
O prefeito destacou ainda que, com a reforma, o ISS deixará de existir nos moldes atuais.
“Hoje o investidor paga cerca de 5% ao município. Com o novo modelo, esse percentual pode chegar a 27,5% em um imposto único, o IVA, que será recolhido pela União”, argumentou.
Ao pedir a palavra, Margareth Buzetti contestou as declarações e negou ter atacado o prefeito.
“Não te ataquei. Eu apenas reproduzi o que você disse”, afirmou. A senadora também rebateu uma suposta acusação feita por Abilio, segundo a qual ela teria sido chamada de “fantasma” em áudios anteriores. “Você me chamou de fantasma, sim. Mas eu falei que no Distrito Industrial havia empresas fantasmas”, declarou.
Abilio negou a acusação e afirmou que o conteúdo citado pela senadora estaria sendo retirado de contexto.
“A senhora está pegando um áudio fora do contexto e tentando construir uma narrativa”, respondeu.
Em defesa de seu voto favorável à reforma tributária, Margareth Buzetti afirmou que sua decisão teve como objetivo garantir a manutenção do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab). Segundo ela, uma emenda incluída pelo relator da matéria, senador Eduardo Braga (MDB-AM), assegurou a prorrogação da contribuição até 2043.
“Eu fiquei até 11h30 da noite negociando para garantir o Fethab até 2043. Eu tenho palavra e votei a favor por esse motivo”, afirmou a senadora, ao rebater críticas de que estaria transferindo responsabilidades. “Você é ótimo para jogar a culpa nos outros”, completou.
O prefeito voltou a se manifestar sobre os prazos da reforma tributária, destacando que o período de transição vai até 2032.
“A partir de 2032, não existirá mais ISS, nem ICMS ou IPI. Será um novo modelo de tributação”, explicou.
Após a troca de declarações, Margareth Buzetti recolheu seus pertences e deixou o evento, encerrando o debate de forma antecipada. Abilio Brunini finalizou dizendo que respeita a justificativa apresentada pela parlamentar.
“Se a senhora tem a sua justificativa e votou a favor, tudo bem”, afirmou.
O episódio evidenciou divergências políticas e técnicas entre o Executivo municipal e a representação no Congresso, além de gerar repercussão entre empresários presentes no encontro, que acompanhavam a discussão sobre os impactos fiscais no setor produtivo.



























