Pastor Osvaldo Coutinho revisita 44 anos de ministério e testemunho à frente da Igreja Batista Nacional Cristo Rei.
A entrevista para o Momento MT, conduzida por Zico Zortéa, expõe a trajetória de um líder que atravessou décadas de desafios, expansão missionária e transformação de vidas — sempre mantendo os olhos fixos em um único ponto: “Nunca tirei os olhos de Jesus Cristo. Nunca”, afirmou o pastor Osvaldo Coutinho.
A história da igreja começa muito antes de Coutinho assumir o púlpito. O primeiro culto ocorreu em 1979; a emancipação como igreja veio em 1980. Quando ele assumiu, em 1982, já era o quarto pastor em apenas dois anos. “Pastoreei 44 anos e seis meses”, recorda. Em 2025, fez a transição para o filho, pastor Osvaldo Júnior, num movimento que simboliza mais que sucessão — evoca legado espiritual, continuidade e maturidade institucional.
Embora hoje a Cristo Rei seja referência na Grande Cuiabá, com estrutura sólida e atuação comunitária expressiva, Coutinho lembra que a congregação nasceu pequena, frágil e dependente de fé. “A IBN Cristo Rei tem uma história linda. Vai sair agora um livro contando parte dessa trajetória. Muita gente passou por ali, e muitos estão espalhados pelo mundo.”
Essa dispersão — consequência natural de uma igreja missionária — produz cenas curiosas e reveladoras. O pastor relembra dois episódios recentes: “Eu estive esses dias no Canadá. Preguei em Toronto e, no altar, fiz questão de tirar uma foto com todos que já foram membros da Cristo Rei. Quase trinta pessoas. Depois fui a Boston; fizeram um café para mim. Onde eu vou, sempre tem alguém dizendo: ‘Eu fui batizado lá. O senhor me casou. O senhor apresentou meus filhos.’”
O pertencimento, continua ele, extrapola fronteiras. “Qualquer lugar do mundo que eu vou, tem alguém do Cristo Rei.”
Se a presença internacional impressiona, o impacto missionário interno surpreende ainda mais. A igreja liderada por Coutinho emancipa congregações com a disciplina de um organismo vivo, que brota e frutifica.
“A última emancipada foi agora, em Campo Verde. A 33ª igreja. Trinta e três igrejas saíram dali.”
E ainda permanecem 52 congregações sob sua cobertura espiritual. “Temos cerca de 25 só na Grande Cuiabá. O resto está espalhado por tudo: Barcelona, Campo Grande, Balneário Camboriú, o Nortão inteiro.”
O pastor explica que essa vocação sempre fez parte da identidade do ministério: “Nosso lema é ‘até os confins da terra’. Sempre tive uma visão missionária, apostólica. Apostólica no sentido de abrir igrejas, de enviar pessoas.”
E cada nova obra carrega singularidade: “Uma nasceu numa varanda, outra no pé de manga, outra numa garagem de carro…” Ele ri com ternura. “Todas têm uma história linda.”
Ao comentar as dores do ministério, Coutinho não dramatiza, mas também não ameniza: “Coração de pastor dói.”
Ele descreve o envolvimento diário com histórias, traumas e expectativas de centenas de pessoas. “Você se doa muito. Entra na vida da pessoa, absorve a carga, investe, ama… e, muitas vezes, justamente quem você mais ajuda é quem te fere. Mas eu não tenho tempo para lamentar.”
A reflexão vem acompanhada de um versículo que virou método de sobrevivência: “Esquecendo-me das coisas que para trás ficam, sigo sempre. Quem não deve, não teme.”

Quando Zico pergunta qual é a maior alegria desses 44 anos, o pastor não hesita: seus filhos. “Eu pensei que nunca seria pastor. Sempre me vi como pastor auxiliar.” Foi ordenado em 1981. Nunca pressionou os filhos a seguirem o ministério, e justamente por isso — acredita — o chamado floresceu de forma autêntica. “Nunca mencionei uma palavra sobre eles terem que me acompanhar. Hoje, os dois são pastores. Preparados. Um estudou em Chicago, outro em Monterrey.”
Eles deixaram carreiras sólidas para atender ao chamado espiritual. “Ganhavam bem. Vieram ganhar seiscentos. Mas tinham vocação. Isso pra mim é um legado.”
O segredo da influência paterna, afirma, não está nos sermões, mas na rotina: “Sempre viram um pai que lia a Bíblia, que tratava bem a mãe deles, que nunca falava mal da igreja, nem de pastores, nem de cristãos. A força da minha mensagem é a minha vida. A minha vida é a minha pregação.”
Ao final da entrevista, Coutinho deixa uma mensagem para novos cristãos e novos líderes. “O sucesso e a vitória pertencem aos que perseveram. Não importa como começa — pode começar fraco, tropeçando. O que importa é como termina.”
Depois acrescenta, com a convicção tranquila de quem fala do que viveu: “Quem lançou mão no arado não pode olhar para trás. Agora é Cristo, e Cristo, e Cristo até o fim.”
Com a serenidade de quem já atravessou gerações e permanece firme, ele conclui: “Estou há 57 anos constante na obra do Senhor. O nosso trabalho não é vão. Ele retribuirá a cada um segundo a sua obra.”



























