Quatro crianças foram identificadas com suspeita de hanseníase em Chapada dos Guimarães, a 65 km de Cuiabá. Os testes foram realizados entre os dias 23 e 27 de março.
Diante do cenário, a médica especialista Tuanne Letícia Bazzi Cardoso fez um alerta importante sobre a cadeia de transmissão da doença, especialmente envolvendo o público infantil. Em entrevista ao Momento MT, a profissional destacou que a presença de casos em crianças exige atenção redobrada das autoridades de saúde.
Médica de família e comunidade pelo Hospital Geral de Cuiabá e especialista em hanseníase pela Escola de Saúde Pública de Mato Grosso, além de hansenóloga pela Associação Médica Brasileira, Tuanne explicou que o diagnóstico em pacientes jovens é um indicativo relevante.
“Quando você tem uma criança com hanseníase, isso significa que alguém da família foi responsável pela transmissão, porque o convívio dela fora desse ambiente ainda é muito limitado”, afirmou ao Momento MT.
Segundo a especialista, identificar a doença em crianças menores de cinco anos é mais difícil, principalmente pela limitação na compreensão dos exames e pela manifestação menos evidente dos sintomas.
“As crianças mais novas tendem a não apresentar um quadro clínico tão expressivo. Por isso, o diagnóstico costuma acontecer em idades um pouco maiores”, explicou.
Entre os sinais iniciais, a médica destaca manchas na pele, claras ou avermelhadas que não coçam, não doem e não descamam, além da possível perda de sensibilidade nessas regiões.
“Muitas vezes a criança se machuca e não sente dor naquela área. Isso é um alerta importante”, ressaltou.
Outros sintomas também podem surgir, como formigamento em mãos e pés, dores no corpo e nos nervos, embora não sejam exclusivos da hanseníase, o que pode dificultar a identificação precoce.
Sobre os casos identificados no município, Tuanne reforça que situações como essa não devem ser interpretadas como surtos.
“Quando encontramos vários casos em uma investigação, não significa que surgiu um surto. Essas pessoas já estavam doentes há muito tempo, mas ainda não tinham sido diagnosticadas”, pontuou ao Momento MT.
A médica também esclareceu que a hanseníase não se transmite facilmente em contatos rápidos. A infecção ocorre por via respiratória, mas depende de convivência próxima e prolongada.
“Geralmente, a transmissão acontece entre pessoas que convivem diariamente, não em contatos ocasionais”, explicou.
Outro ponto destacado pela especialista é a importância de monitorar pessoas próximas aos pacientes diagnosticados.
“Todos os familiares e contatos próximos precisam ser avaliados e acompanhados por pelo menos cinco anos”, afirmou.
O tratamento da hanseníase é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pode durar de seis meses a um ano, com acompanhamento regular.
“Assim que o paciente inicia o tratamento, ele já deixa de transmitir a doença, o que é fundamental para interromper a cadeia de contágio”, destacou.
Por fim, Tuanne alertou para o impacto do preconceito, que ainda dificulta o diagnóstico e o tratamento.
“O estigma faz com que muitas pessoas evitem procurar ajuda, o que contribui para a continuidade da transmissão”, disse.
A especialista reforça que a informação e a conscientização são essenciais, principalmente no ambiente escolar e familiar.
“Quanto mais cedo identificarmos os sinais e iniciarmos o tratamento, menores serão as chances de sequelas e maior será o controle da doença”, concluiu ao Momento MT.






























