Em entrevista concedida ao portal Momento MT, a Secretária Municipal de Planejamento Urbano e Habitação (SEPLANURBH) de Sinop e presidente da Associação Para Desenvolvimento Social dos Municípios de Mato Grosso (APDM/MT), Scheila Pedroso, ofereceu uma visão ampla e aprofundada sobre os caminhos do desenvolvimento urbano, social e institucional no estado.
Entre reflexões sobre sua trajetória, análises técnicas e relatos emocionados sobre sua relação com Sinop, ela destacou os desafios estruturais de uma das cidades que mais crescem no país e a força do trabalho coletivo liderado pelas mulheres na área social.
Nascida em Terra Nova do Norte e criada entre Sorriso e Sinop, Scheila Pedroso revisita sua origem para explicar a relação precoce com a arquitetura e com a habitação popular.
“Meu pai é carpinteiro, cresci vendo obra. A paixão pela arquitetura nasceu dentro de casa”, disse. Ao chegar a Sinop em 2012 para cursar Arquitetura e Urbanismo, viu sua formação se entrelaçar com a vida pública quando passou a atuar ao lado do prefeito Roberto Dorner, de quem hoje é esposa.
Sua primeira experiência administrativa foi na Secretaria de Assistência Social, onde, segundo ela, “houve uma mudança de rumo após a posse do prefeito Roberto”. Ali, participou da entrega de 1.440 apartamentos do programa habitacional e desenvolveu políticas próprias do município, como o programa Nossa Casa, com 992 unidades em construção. Também promoveu a lei de assistência técnica para famílias de baixa renda e liderou processos de regularização fundiária que resultaram em mais de três mil títulos entregues.
Scheila relembra com emoção um dos projetos mais simbólicos de sua formação: o residencial Nico Baracati.
“Eu estudei o Nico Baracati na faculdade. Entregar aquele empreendimento enquanto arquiteta e servidora foi muito marcante.”
Outro ponto mencionado diz respeito à criação da Casa AMA — Amigos dos Autistas. O espaço, idealizado com apoio pessoal do prefeito, teve projeto arquitetônico elaborado por ela. “Fiz questão de cuidar desse projeto. Hoje é uma referência para crianças e famílias que precisam de acolhimento.”
Com a criação da Secretaria de Planejamento Urbano e Habitação, Scheila assumiu um dos postos mais desafiadores da gestão municipal.
A secretaria, antes um núcleo vinculado ao gabinete, ganhou status próprio para acompanhar a velocidade da expansão urbana sinopense.

“Sinop cresce de forma acelerada, especialmente na construção civil. Precisamos organizar a cidade de maneira técnica, mas também política”, explica.
Para ela, o papel da pasta exige articulação constante com vereadores, governo estadual e governo federal, especialmente para garantir infraestrutura a bairros mais afastados.
No campo da habitação, os números impressionam: estudos do Plano Local de Habitação indicam que Sinop precisa de cerca de 4 mil novas unidades habitacionais por ano para atender a demanda atual.
“É uma cidade que grita por moradia. E habitação não é só faixa 1 — envolve regularização fundiária, assistência técnica, programas locais e parcerias para construção.”
A APDM e o fortalecimento das mulheres nos municípios
Além da função municipal, Scheila preside a APDM, instituição que ela descreve como “a casa das primeiras-damas”. Criada para oferecer suporte técnico às gestoras responsáveis pela área social, a associação se transformou em um hub de articulação estadual, envolvendo 142 municípios e trabalhando em conjunto com secretarias de assistência social, educação e saúde.
Entre os principais projetos, ela destaca parceria com o UNICEF, responsável por promover o Selo UNICEF nos municípios mato-grossenses, com foco em criança, adolescente e busca ativa escolar, e a campanha de destinação do Imposto de Renda, que fortalece os Fundos da Infância e Adolescência (FIA) e os fundos sociais municipais.
“Muitos municípios não conseguem manter projetos sociais com recursos próprios. A destinação do IR transforma realidades sem tirar nada do bolso do contribuinte.”
A formação de mulheres para espaços de liderança, uma ação desenvolvida em parceria com a Assembleia Legislativa. “Se a mulher não consegue falar do próprio trabalho, não consegue defender outras mulheres. Precisamos preparar tecnicamente e emocionalmente aquelas que ocupam posições estratégicas.”
Scheila reconhece os desafios enfrentados por mulheres na vida pública. “A gente recebe mais críticas, mais cobranças e mais pressão. Se não soubermos nos comunicar, fica ainda mais pesado.”
Ao final da entrevista, Scheila se emociona ao falar da cidade que escolheu como lar:
“Sinop mudou minha vida. Não nasci aqui, mas cresci aqui. A cidade me deu oportunidades e abriu portas”, afirmou, com voz embargada. Ela define de forma clara o compromisso que assume com os sinopenses: “Eu sou soldada de Sinop. Onde eu estiver, estarei trabalhando por essa cidade.”





























