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Consequências de curto, médio e longo prazo da queda recorde do PIB brasileiro

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PIB despencou 9,7% no segundo trimestre de 2020

economia brasileira encolheu em velocidade recorde no primeiro semestre deste ano.

À queda de 2,5% do Produto Interno Bruto ( PIB ) registrada entre janeiro e março, somou-se uma retração de 9,7% no período de abril a junho, de acordo com os números divulgados na terça (01/09) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) .

O tombo no segundo trimestre foi menor que o inicialmente previsto, no início da pandemia, em grande medida devido ao auxílio emergencial, que amorteceu a queda de demanda doméstica.

Ainda assim, e mesmo diante de uma recuperação que já se desenha para o segundo semestre deste ano , esse solavanco tem consequências que se manifestam não apenas no curto prazo.

Exploramos, a seguir, cinco delas.

O PIB no segundo tri de 2020. Abertura por componente. *Com ajuste sazonal.

Os serviços e a demanda doméstica

Pelo lado da oferta, na abertura por setores, aquele que mais sentiu o efeito da crise causada pela pandemia no segundo trimestre foram os serviços.

Entre abril e junho, eles recuaram 9,7% em relação ao trimestre imediatamente anterior e 11,2% sobre o mesmo período de 2019, a maior queda da série histórica do PIB , que começa em 1996.

Como os serviços são um grupo bastante heterogêneo, respondendo por quase 70% do PIB, é preciso olhar o dado no detalhe para entender o que aconteceu.

Entre os 7 subgrupos que compõem os serviços no PIB, o pior desempenho foi o de “outros serviços”, com recuo de 19,8% sobre o trimestre imediatamente anterior.

Desempenho dos serviços no segundo tri. Abertura por grupos. *Com ajuste sazonal.

“Aí entram serviços prestados às famílias — restaurante, recreação, turismo, que dependem de interação social —, educação e saúde privada, serviços domésticos…”, exemplifica Silvia Matos, coordenadora técnica do Boletim Macro, do Ibre-FGV.

“Esse é um grupo que tem peso relevante tanto dentro do PIB quanto no emprego”, acrescenta a economista.

Mercado de trabalho e renda

Sem um horizonte claro de quando a situação poderia se normalizar, parte dessas empresas tem demitido para tentar compensar a queda de receita e outras já fecharam as portas.

Os efeitos de curto prazo aparecem nos indicadores de desemprego, que acabam tendo uma consequência menos visível sobre a renda: quanto mais tempo a economia levar para voltar a gerar vagas e absorver esse contingente de trabalhadores, menores tendem a ser os reajustes nos salários (já que teoricamente as empresas têm maior facilidade para contratar).

Carteiras de trabalho

Valdecir Galor/SMCS
Retomada da demanda está ligada à recuperação do mercado de trabalho – que depende da capacidade e disposição das empresas de realizarem novas contratações

O desemprego e a restrição de renda, por sua vez, jogam contra a retomada da demanda — um ciclo que, até que seja quebrado, diminui a velocidade de retomada da economia como um todo.

“Para que recuperação seja mais rápida, tem que haver perspectiva de demanda mais sólida”, pondera Débora Freire, professora da UFMG e pesquisadora do Centro de Desenvolvimento Regional (Cedeplar).

O efeito auxílio emergencial

O resultado dos serviços só não foi pior, acrescenta a economista, por causa do impacto positivo do auxílio emergencial , que ajudou a segurar o poder de compra especialmente entre as classes mais pobres.

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Cerca de 67 milhões de pessoas receberam até agora o auxílio de R$ 600. De abril a agosto, o governo desembolsou R$ 179 bilhões com o benefício.

Os desdobramentos dessa injeção de recursos aparece mais nitidamente no subgrupo comércio, afirma José Ronaldo de Castro Souza Júnior, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

“O segmento de supermercados e farmácias ajudou a segurar o comércio “, diz ele.

Um estudo recente do Ipea com dados da Pnad Contínua apontou que, em julho, 4,4 milhões de domicílios sobreviveram apenas com a renda do auxílio emergencial e que o montante desembolsado pelo governo mais do que compensou as perdas na massa salarial decorrentes da diminuição da renda do trabalho.

Cartão de crédito

Getty Images
Auxílio emergencial ajudou a amortecer queda do consumo provocada pela pandemia

O Brasil foi um dos países emergentes que mais gastou em proporção do PIB para atenuar o choque causado pela pandemia, ressalta Matos, do Ibre-FGV.

Para ela, a política compensatória forte é a principal explicação para o fato de que a retração da economia no Brasil foi muito menor do que em outros países da América Latina. O PIB do México caiu o dobro, cerca de 17% no segundo trimestre; do Chile, 13%; do Peru, 27%.

“A pergunta que não quer calar é o que vai acontecer quando começarem a retirar os estímulos”, diz a economista.

Ela compara o país a um paciente em tratamento: no momento, ele está estabilizado, mas o antibiótico — a capacidade de o governo continuar injetando recursos na economia — está acabando.

Uma vez que esses estímulos sejam retirados, será possível ter uma ideia melhor do que está acontecendo no mercado de trabalho, ela acrescenta.

Investimentos e a capacidade de crescimento do país

Se, do lado da demanda, o auxílio emergencial ajudou a conter a queda do consumo das famílias, não houve amortecedor para a retração dos investimentos.

A Formação Bruta de Capital Fixo (a denominação dos investimentos no PIB) despencou 15,4% sobre o trimestre imediatamente anterior e 15,2% sobre o mesmo período de 2019.

Uma das razões para o desempenho é o ambiente de grande incerteza, não apenas política.

“Essa foi uma crise muito diferente das outras, veio de repente, pegou o mundo inteiro em velocidade grande, afetou oferta e demanda”, diz Souza Júnior, do Ipea.

“Ainda estamos tentando entender como as coisas vão ficar. Nem temos solução para a pandemia ainda. É um mar de incerteza muito grande”, acrescenta.

Investimentos são compras de máquinas e equipamentos, construção civil. São recursos que, dependendo da forma como forem empregados, poder aumentar a capacidade de crescimento de um país no longo prazo — o PIB potencial, no jargão econômico.

A situação atual é preocupante porque os investimentos já vinham de uma trajetória bastante desconfortável. Depois de caírem quase 30% entre 2014 e 2017, se recuperavam em uma velocidade muito aquém do esperado, até voltarem a cair por causa da pandemia.

Desempenho do investimento. Acumulado em quatro trimestres. *Em relação ao mesmo período do ano anterior.

Apesar do cenário de juros baixos, que favorecem o investimento, faltam ao Brasil outros ingredientes cruciais para as empresas retirarem projetos da gaveta, como a previsibilidade e uma demanda sólida por parte dos consumidores.

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“A gente já começou essa crise com muito desemprego e uma limitação para gerar renda do trabalho”, pondera Silvia Matos.

Redução da rentabilidade das empresas

Além da incerteza, a própria situação financeira das empresas também joga contra os investimentos.

“A principal questão da recuperação está nas empresas”, diz a professora da UFMG Débora Freire.

Além das restrições impostas pela crise, a economista destaca que parte do setor privado está tendo dificuldade para acessar os programas de crédito lançados pelo governo.

“Eles não estão funcionando como deveriam”, completa.

Em outra frente, a conjuntura atual tem ajudado a espremer a rentabilidade das empresas, especialmente daquelas que, de alguma forma, são afetadas pelo dólar.

A forte desvalorização do real nos últimos meses encareceu os insumos importados — mas, diante da demanda fraca, muitas empresas não estão repassando esse aumento de custos para os preços para tentar manter as vendas.

Essa dinâmica é visível quando se observam os índices de inflação, diz Souza Júnior, do Ipea. Aqueles que medem a variação de preços para os produtores têm crescido bem mais do que os que captam a variação de preços para consumidores.

Pode-se observar essa dinâmica no Índice de Preços ao Produtor Amplo e no Índice de Preços ao Consumidor, que compõem o IGP-M:

Comportamento dos índices de preços ao produtor e ao consumidor no IGP-M. Taxa de variação em 12 meses. .

A dificuldade de acesso a crédito e as margens de lucro apertadas têm impacto direto na saúde financeira das empresas, o que pode se refletir em um aumento das falências.

Como consequência, há aumento do desemprego ou, no caso das empresas que conseguem sobreviver, desaceleração de novas contratações.

No caso dos investimentos, o Brasil também tem uma limitação pelo lado do setor público. A capacidade do governo de gastar é limitada diante do aumento expressivo do endividamento público nos últimos meses.

Em julho, a dívida pública atingiu o equivalente a 86,5% do PIB , o maior nível da série histórica do Banco Central, que começa em 2006. A estimativa da equipe econômica é que, até o fim do ano, ela atinja 100% do PIB.

Um caminho seria explorar investimento externo, especialmente em um momento atual, em que os juros estão baixos em boa parte dos países e o mundo está banhado em liquidez.

Nesse sentido, entretanto, o Brasil tem perdido oportunidades, diz Matos, do Ibre-FGV.

O excesso de alinhamento com os Estados Unidos, por exemplo, concentra energias que poderiam estar direcionadas também a outros mercados, como a China.

A questão ambiental, acrescenta a economista, também é uma restrição. O Brasil teria um “espaço enorme” em um mundo que discute green bond (títulos para captação de recursos para financiar projetos na área de sustentabilidade) ou o mercado de créditos de carbono, mas dá preferência a uma agenda “com os óculos de 50 anos atrás”, que desconsidera o meio ambiente.

“O Brasil é um país que em geral perde oportunidades, e está perdendo a oportunidade de atrair investimentos neste momento.”

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INSS diz que 57 agências já realizam perícia médica; veja como agendar

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Agência Brasil

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MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

Segundo o governo, foram realizadas 1.376 perícias presenciais apenas nesta segunda-feira (21); confira as orientações do INSS

A Secretaria Especial de Previdência e Trabalho e o Instituto Nacional do Seguro Social ( INSS ) informaram hoje (21) que 149 peritos médicos federais retomaram os atendimentos em 57 agências da Previdência Social em todo o país. Ao todo, segundo o governo, foram realizadas 1.376 perícias presenciais apenas nesta segunda-feira (21).  

“Esses atendimentos ocorreram em 57 agências com perícia médica, das 100 que já estavam com a agenda aberta desde quinta-feira passada. Mais 50 agências foram consideradas aptas ao retorno na última sexta-feira (18) e terão agendas a partir de amanhã (22). O total, portanto, de agências aptas é 150. Há 486 peritos que deveriam ter retornado ao trabalho nesta segunda-feira. Ainda não há recorte regional consolidado”, informa nota conjunta da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho e do INSS.

Agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foram reabertas para atendimento presencial no início da semana passada. Entretanto, os médicos peritos decidiram não retomar as atividades por considerar que não havia segurança para o trabalho devido à pandemia de Covid-19 e todas as perícias médicas agendadas foram suspensas até a adequação das agências.

A Associação Nacional dos Médicos Peritos da Previdência Social (ANMP) chegou a informar que faria sua própria inspeção nas agências nesta segunda-feira, para verificar o cumprimento dos requisitos de segurança sanitária. 

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Segundo normas expedidas pelo governo federal, as pessoas que forem às agências devem usar máscaras e ter a temperatura corporal aferida por meio de termômetro infravermelho. Se for constatada temperatura acima de 37,5 graus, o segurado não poderá nem sequer entrar na agência e ainda será orientado a procurar um serviço médico.

As orientações incluem chegar pouco antes do horário marcado, para evitar a formação de filas, e manter o distanciamento mínimo de um metro entre as pessoas. 

Entre os serviços que poderão ser realizados presencialmente estão o cumprimento de exigência, avaliação social, justificação administrativa ou social (caso em que a pessoa precisa levar um documento para comprovar tempo de serviço que não está no cadastro oficial), reabilitação profissional, além da perícia médica. 

Confira como agendar serviços no Meu INSS

Para conhecer a ferramenta, digite o endereço  gov.br/meuinss ou instale o aplicativo Meu INSS no celular. Depois é preciso fazer um cadastro e obter uma senha.

Também é possível obter uma senha provisória pelo site de alguns bancos.

No Banco do Brasil o caminho é: bb.com.br > Serviços > Previdência social > Senha meu INSS > NAI

Na Caixa Econômica Federal: caixa.gov.br/Páginas > Serviço ao Cidadão > INSS > Gerar Código para Serviço INSS.

No Banese: banese.com.br > Internet Banking Banese > Serviços > Gerar Senha Meu INSS – NAI.

No Banrisul: banrisul.com.br > Menu Serviços > Criar Código INSS.

Bradesco: bradesco.com.br > Outros Serviços > Documentos > INSS – Cadastrar Código Inicial de Acesso ao Portal Meu INSS (NAI).

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Itaú: itau.com.br >Previdência > INSS > Cadastrar senha inicial de acesso ao Portal Meu INSS.

Santander: santander.com.br > Outros Produtos > Demais Serviços > NAI – Núcleo de Autenticação Interbancária.

Sicoob: sicoob.com.br > Outras opções > Previdência Social > Senha Meu INSS > NAI.

Dificuldade no acesso
No site do INSS e na Central 135 (de segunda a sábado, das 7h às 22h), é possível tirar dúvidas sobre o acesso aos serviços.

Serviços do Meu INSS
No Meu INSS, o cidadão pode enviar, por exemplo, documentação digitalizada (escaneada) ou fotografada (por meio de foto tirada pelo celular). Um dos documentos que podem ser enviados pela internet é o atestado médico.

Para isso, é preciso acessar o Meu INSS e selecionar a opção “Agendar Perícia”. Selecionar “Perícia Inicial” e quando aparecer a pergunta “Você possui atestado médico?”, responder sim e anexar no portal.

Perguntas e respostas sobre concessão e prorrogação do auxílio-doença
Entres os serviços disponíveis no Meu INSS estão aposentadoria por idade, aposentadoria por tempo de contribuição, salário-maternidade, pensão por morte, auxílio-doença, seguro-desemprego do pescador artesanal, benefícios assistenciais, certidão de tempo de contribuição, alterar local ou forma de pagamento, cadastrar ou renovar procuração ou representante legal, solicitar pagamento de benefício não recebido, recurso e revisão, entre outros.

Após fazer a solicitação, é possível acompanhar, com o número do protocolo de requerimento, o andamento do pedido pelo Meu INSS ou telefone 135.

Cumprimento de exigência
O INSS diz que quem receber um SMS (mensagem de celular) ou e-mail informando que existe alguma pendência, não precisa se preocupar. Pelo Meu INSS é possível enviar o documento fotografado ou digitalizado para dar continuidade ao processo.

Site
Na página do INSS há mais informações sobre os serviços oferecidos na ferramenta, com vídeos explicativos.

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