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JBS e J&F assumem corrupção nos EUA e pagarão um total de US$155 mi

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Placa da empresa escrito JBS
JBS/Divulgação

JBS e J&F assumem corrupção nos EUA


A JBS e seus controladores, reunidos na holding J&F Investimentos, anunciaram, nesta quarta-feira (14), dois acordos com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos para encerrar processos contra as companhias.


A J&F, da família de Joesley e Wesley Batista , assinou o primeiro acordo se declarando culpada por violar a Lei de Práticas de Corrupção no Exterior (FCPA) dos EUA. Os atos praticados foram objeto de acordo entre a J&F e o Ministério Público Federal brasileiro e também dos acordos de colaboração entre Joesley e Wesley com a Procuradoria Geral da República, que foram investigados pela Operação Lava-Jato,  segundo apuração da Exame.

A J&F deveria pagar US$ 256,5 milhões por essa violação, mas a holding recebeu crédito de 50% por ter pago, anteriormente, às autoridades brasileiras, então o montante a ser pago ficou em US$ 128,3 milhões.

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Já o acordo assinado pela JBS foi com a Securities and Exchange Commission (SEC), devido às práticas de corrupção admitidas no âmbito da Lava-Jato . Nos EUA, a subsidiária da JBS, Pilgrim’s Pride, não manteve, com precisão, seu livros contábeis internos, e a JBS foi condenada a pagar uma multa de R$ 26,9 milhões.

No mercado financeiro, os investidores reagiram bem a notícia. Às 13h46, as ações da JBS subiam a 5,8% na B3, e o valor de mercado da empresa chegou a R$ 51,2 bilhões. As ações chegaram a 7% em seguida a publicação do comunicado.

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Advogada fecha conta no Nubank, viraliza e quer atitude do banco contra racismo

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Tania Sanches
Arquivo pessoal

Tania na Universidade de Lisboa, onde estudou; profissional viralizou ao mostrar o cancelamento da conta no Nubank nas redes sociais

“Sofri muito racismo na rede, tive que cancelar os comentários no post. Sou uma mulher preta de pele clara, com 55 anos, head-trainer, advogada. Tenho personalidade, sei bem o que eu quero. E não quero viver e ter os meus netos num país racista”, diz Tania Sanches. O post ao qual se refere foi publicado no LinkedIn e viralizou: teve quase 5 mil reações. Nele, Tania relatava o cancelamento da conta que tinha no Nubank  depois que Cristina Junqueira, cofundadora do banco, disse no programa Roda Viva que é  difícil contratar profissionais negros para grandes cargos.


Tania Sanches
Reprodução LinkedIn

O post de Tania, em que expôs o cancelamento da conta no Nubank, gerou quase 5 mil reações; ela teve de bloquear os comentários para não sofrer ataques

“Quem nivela meu povo por baixo não merece meu CPF”, escreveu Tania, em referência à  fala da sócia do Nubank.

Tania nasceu e foi criada na periferia do Jabaquara, na zona sul de São Paulo. Assim ela se descreve durante a entrevista, como também no seu perfil na rede social profissional. Seu sonho de infância, que era trabalhar no banco Itaú, se realizou em 1986, depois de trabalhar como faxineira. “Meus pais vieram do Rio Grande do Norte e não tiveram condições para me dar estudos”, conta ela. Mas, pela boa caligrafia e escrita, fruto do hábito da leitura, ela conquistou a vaga no maior banco privado do país. Ela foi uma das três pessoas contratadas no processo seletivo.

Assim, Tania se inseriu no mundo financeiro como assistente de administração e chegou ao cargo de operadora de ações de debêntures. Aos 30 anos, finalizou o ensino médio, depois cursou direito na Universidade São Judas e fez pós-graduação em direito empresarial e previdenciário. Já num alto patamar da carreira, Tania sofreu racismo.

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“Um dia, eu ganhei muita grana numa operação. Eu já tinha fechado a operação, me levantei, e um colega falou em voz alta na mesa: ‘como uma negrinha dessa ganhou essa operação?’. O meu diretor na época falou para esse operador: ‘não fale assim com a Tania. Ela não merece, é uma das melhores operadoras que a gente tem aqui’. Foi a resposta do meu diretor”, lembra Tania.

Assistindo ao Roda Viva da segunda-feira (19), quando Cristina Junqueira (Nubank) disse que não daria para “nivelar por baixo”, referindo-se a uma dificuldade em contratar pessoas negras para grandes cargos no banco, Tania relembrou o episódio de racismo que sofreu no mercado financeiro.

“A Cristina Junqueira só me fez reviver o que eu tinha passado. Naquela época, eu não estava tão empoderada da pauta racial para reclamar na mesa. Naquela época, eu não dei a resposta, foi outra pessoa. Mas agora, eu lembrei que eu tinha conta no Nubank. Parece que foi uma faca em mim. Quer dizer, nós não temos condições de trabalhar no Nubank? Eu conheço tanta preta com mestrado, doutorado, três línguas, como não consegue trabalhar no Nubank ?”, questiona.

A leitura que a profissional faz do acontecimento é que falta uma desconstrução nas maneiras de se expressar e pensar, já que o racismo é naturalizado na sociedade brasileira.   

“Obviamente, foi um ato de falta de letramento racial com um racismo estrutural. Falta letramento racial para todo mundo, para todos nós. Nós estamos num país machista, sexista, que não reconhece o povo negro, não dá oportunidade. Estamos começando essa revolução. Eu fui uma das primeiras mulheres pretas a estar no LinkedIn falando sobre racismo, sobre as minhas dores.”

No LinkedIn, Tania apresenta seu vasto currículo, que hoje é focado em treinamento e desenvolvimento humano. Além das formações em direito, ela também é pós-graduada em psicologia positiva aplicada pela Universidade de Lisboa. Como advogada, Tania faz parte da Comissão de Diversidade e Inclusão da OAB-SP.

Tania Sanches LinkedIn Nubank
Arquivo pessoal

Tania na Universidade de Lisboa, apresentando trabalho de encerramento de uma das cadeiras de Psicologia Positiva Individual

“Quem não é preto, quem nunca sofreu racismo – e eu ainda tenho privilégio de ser negra de pele clara, então eu ainda tive alguns privilégios que uma mulher negra de pele retinta não tem – não sabe o que é isso.”

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Por outro lado, a reação à fala de Junqueira não significa ignorar os pontos positivos do banco e admirar o trabalho do Nubank e da empresária, diz Tania.

“A Cristina Junqueira fez isso sem querer, ela não faria isso propositalmente. Ela é uma pessoa digna, uma empresária. Eu reconheço muito a capacidade dela, não a menosprezo, muito pelo contrário. Mas hoje em dia, é preciso olhar para esse viés do inconsciente , da narrativa “.

O boicote ao Nubank com cancelamento de contas

Questionado sobre o número de cancelamentos de contas na última semana, como consequência da fala de Junqueira, o Nubank disse não revelar esses dados. “Nossos dados de cancelamentos são confidenciais. Neste momento, estamos dedicados a desenhar nossa agenda real com ações concretas e ambiciosas sobre diversidade racial”, afirmou a assessoria.

Na resposta, o Nubank também divulgou a carta de desculpas sobre a fala da cofundadora, mostrando compromisso com a questão racial e a reestruturação de planos da empresa. 

“Ficamos acomodados com o progresso que tivemos nos nossos primeiros anos de vida que se refletia em algumas estatísticas relativas à igualdade de gênero e LGBTQIA+, por exemplo, que, repetidas, mascaravam a necessidade urgente de posicionamento ativo também na pauta antirracista. Deixamos de nos questionar. Ignoramos o grande caminho que ainda tínhamos pela frente (…) Perdemos a humildade “, diz o comunicado. Leia a carta completa do Nubank aqui .

Tania Sanches diz que a repercussão negativa pode trazer muito progresso à fintech.

“O que aconteceu foi bom para o Nubank, para melhorar essa pauta, esse letramento. Às vezes a gente tem que errar, descer alguns degraus para a gente subir com toda a força. E é isso que eu desejo para o Nubank e para todas as empresas que estão trabalhando para fazer um melhor país para os nossos netos no futuro”, diz Tania, que apresenta diariamente um podcast disponível no  Spotify sobre desenvolvimento pessoal, o Chá Positivo.

A ex-cliente afirma que “nunca dirá nunca” sobre reabrir sua conta no Nubank. Ela espera para ver como serão as próximas medidas que o banco tomará pela diversidade e inclusão racial.

Sobre o letramento racial, Tania recomenda a leitura de obras de Djamila Ribeiro, Sílvio de Almeida e Laurentino Gomes. “Hoje em dia, estamos com uma gama de conhecimento na internet. Não dá mais para falarmos besteiras, principalmente sobre o racismo “.

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