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Shows musicais fazem falta e setor se organiza para voltar sem aglomeração

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plateia lotada de show em frente a palco com luzes rosas
Acervo Sesc Pompeia/Dih Lemos

A pandemia fez com que o Sesc Pompeia cancelasse sua agenda de shows e postergasse negociações com artistas; na foto, show da banda Supercombo, antes da pandemia


Um dos planos do jornalista Bruno Botelho dos Santos, 23, para 2020 era ver a banda Metallica se apresentar ao vivo. Seria a primeira vez que ele chegaria perto de uma de suas bandas preferidas. O show estava marcado para maio, mas precisou ser adiado com a chegada da  pandemia do novo coronavírus ao País.


A nova data para o evento é 18 de dezembro. Mas Bruno não se animou, já que tem certeza que a apresentação será adiado mais uma vez. “Dependendo da agenda da banda, acredito que o show deve ocorrer no segundo semestre de 2021”, prevê.

O período citado pelo jornalista é o mesmo para quando foi remarcada a 9ª edição do festival Lollapalooza no Brasil, um dos eventos musicais anuais mais aguardados pelo público. Os três dias de shows, que originalmente aconteceriam no mês de março, foram adiados para setembro de 2021 .

Artistas internacionais que tinham negociado shows no Brasil, como Taylor Swift, o ex-One Direction Harry Styles e os Backstreet Boys — que até desembarcaram no País, mas não realizaram as apresentações —, precisaram deixar suas turnês para trás até que seja seguro voltar a unir multidões em um mesmo espaço para curtir seus sucessos.

Entre as programações de lazer que foram afetadas por conta da Covid-19 , a paralisação dos shows certamente foi uma das mais radicais. Isto porque as apresentações são espaços causadores de aglomerações, o que, atualmente, pode fazer com que a propagação da doença seja facilitada.

“A experiência de um show é diferente de qualquer coisa que você escute, seja no DVD, no vinil ou no streaming. É uma energia única”, lembra Bruno, com carinho. Mas essa sensação talvez leve muito tempo para ser sentida de novo em todo mundo.

Programação interrompida

No estado de São Paulo, os shows como conhecemos aconteceram pela última vez no meio do mês de março. No Sesc Pompeia, um dos palcos culturais mais efervescentes e prestigiados da capital paulista, a programação foi cancelada a partir do dia 17 daquele mês. Toda agenda do mês de abril, que já estava fechada, foi derrubada.

o jornalista bruno abraça o pai, edevaldo; os dois vestem camisetas do roger waters e seguram copos personalizados
Acervo pessoal

O jornalista Bruno e o pai, Edevaldo, registraram este momento em show do Roger Waters, na passagem do cantor e músico ao Brasil em 2018, no Allianz Parque, em São Paulo


A gerente do Sesc Pompeia, Monica Carnieto, explica por telefone ao Portal iG que negociações com diversos artistas foram paralisadas e devem ser retomadas quando o cenário for seguro; o que, para ela, deve demorar em torno de mais dois anos.

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Existem alguns estudos acontecendo mundo afora para entender o comportamento do público e simulando a viabilidade do retorno de shows presenciais mesmo durante a pandemia. No entanto, o jornalista e produtor musical Alexandre Matias avalia que os shows só voltam quando uma vacina for aprovada e quando grande parte da população estiver imunizada contra a Covid-19.

Buscando alternativas

“No Brasil, o setor cultural foi o primeiro a parar. Foi um movimento voluntário, logo após a pandemia ser declarada pela OMS “, explica Matias. Contudo, artistas e produtores começaram a explorar outras maneiras de continuar apresentando seus trabalhos, mesmo que fisicamente distantes do público.

O recurso de transmissão ao vivo das redes sociais foi um grande aliado. Segundo o site Business Insider, as transmissões ao vivo no primeiro mês da pandemia, em março, no Instagram tiveram um salto de 70%.

Assim como a terapia online ou o yoga online, os shows também seguem para o mesmo caminho. Segundo Matias, é um formato interessante que veio para ficar.

A rede Sesc São Paulo pegou carona nessa tendência e encabeçou o perfil Sesc Ao Vivo (no Instagram, @sescaovivo ), que transmitiu 145 apresentações musicais assistidas por cerca de 4 milhões de pessoas. Artistas como Elba Ramalho, Zizi Possi, Fernanda Abreu e Nelson Sargento são alguns dos nomes que se apresentaram pelo canal.

Outro espaço virtual que se reinventou para abarcar as apresentações ao vivo foi o jogo Fortnite , que passou a receber shows enquanto as partidas acontecem. Logo, os jogadores podem, ao mesmo tempo, jogar e assistir o artista.

Uma outra possibilidade inventiva e curiosa que está sendo colocada em prática, principalmente no centro da cidade de São Paulo, são as projeções de shows em paredes de prédio. Se para o artista é uma possibilidade que pode ser encarecida, a experiência para o público, que assistiria da janela de casa, pode certa forma se aproximar do senso de coletividade no show presencial — a tal da “energia única” citada por Bruno no início da reportagem.

Apesar do que chamou de “aspecto trágico”, Matias vê essas adaptações e reinvenções com bons olhos. “É um momento rico que estamos vivendo, artisticamente”, diz.

Agora, o desafio é entender a viabilidade de tornar o formato lucrativo. O que faria uma pessoa pagar para assistir alguém na internet, onde tudo está disponível gratuitamente? Esta é uma pergunta que artistas interessados em manter o formato precisam se perguntar.

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Interatividade com a audiência

É comum que alguns artistas troquem palavras com o público entre uma música e outra. No digital, essa aproximação é ainda mais intensa. A aparição do artista na internet deixou de ser apenas musical, como também se tornou um espaço de troca de experiências.

A cantora Teresa Cristina é uma das que tem usado as lives do Instagram desta maneira; ela convida colegas músicos, não-músicos e admiradores para conversar ou até mesmo acompanhá-la instrumentalmente.

a cantora Luiza Lian
Filipa Aurelio

“O show é 90% do meu trabalho”, afirma a cantora paulistana Luiza Lian


A cantora paulistana Luiza Lian também aderiu ao bate-papo com o público. Os assuntos com os seguidores vão desde processos artísticos a espiritualidade, por exemplo. “Estou entendendo de que maneira fazer, mas cada troca é muito rica”, diz a cantora.

Mesmo que a experiência ao vivo tenha seus pontos positivos, Luiza sente saudade dos palcos. “O show é 90% do meu trabalho e do meu sustento enquanto artista. Essa troca é fundamental para o crescimento das músicas e pro nosso crescimento”, explica.

O fantasma da pandemia

Com uma pandemia ainda em curso, é muito difícil prever um cenário em que será possível voltar a organizar shows presenciais. Por esse motivo, imaginar uma situação em que dezenas a milhares em um mesmo lugar por lazer é uma ideia quase que impensável atualmente.

Quando houver sinal verde para um retorno, Luiza imagina que a maneira de tornar a experiência menos arriscada seria começar com um número menor de público. Ela exemplifica da seguinte maneira: como não se pode ter, por exemplo, 500 pessoas em um show em um determinado espaço, a saída pode ser realizar cinco shows, um por dia, com uma capacidade de 100 pessoas.

“Ao mesmo tempo que é uma possibilidade é preciso entender o sentido financeiro, se é vantajoso para toda equipe”, pondera a artista.

Carnieto imagina que a máscara será um elemento muito presente também nas apresentações ao vivo por parte do público. “Vejo as pessoas fazerem compras de máscara, indo a lojas de máscara. O mesmo vai acontecer com as apresentações e deve se manter durante algum tempo”, diz.

Ela também comenta a possibilidade de realizar shows em espaços abertos, em que seja mais fácil manter o distanciamento social entre o público e, assim, garantir mais segurança.

Perguntado sobre a possibilidade de realizar shows seguindo medidas sanitárias, Alexandre responde que é uma ideia “complexa” de se colocar em prática. “Em teatros, por exemplo, eventualmente as pessoas vão entrar pelo mesmo lugar e vão sair na mesma hora”, explica sobre o comportamento do público.

“Não vejo com bons olhos e não acho que isso vai pegar”, opina Matias. “Acho que não é o momento para shows ainda”, acrescenta.

Mesmo com saudade da experiência do show , Bruno afirma que só deve voltar a frequentar quando for absolutamente seguro. “Mesmo que as empresas divulguem que existem medidas de segurança, ainda há um risco”, reflete. “E eu não estou disposto a correr esse risco.”

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Turismo: metade das operadoras vende viagens para novembro e dezembro

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Metade das operadoras de turismo vendeu viagens para os meses de novembro e dezembro deste ano, segundo balanço divulgado pela Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa). As operadoras são empresas que montam pacotes e programas de viagens, que são comercializados pelas agências de turismo, e os membros da associação representam 90% dos roteiros de lazer vendidos no Brasil.

A associação avalia que o setor passa por uma retomada gradual e lenta, depois de ter sido duramente impactado desde março pela pandemia de covid-19, que exige o distanciamento social como principal medida de prevenção. Em abril, 54% das operadoras não realizaram nenhuma venda, enquanto em agosto o percentual foi de 21%.

O faturamento das empresas ainda segue bem abaixo de 2019, segundo o balanço divulgado. Para 40% das empresas, o faturamento em agosto teve uma perda de 90% em comparação com agosto do ano passado. Apesar disso, 87,5% das operadoras de turismo consideram que agosto foi melhor ou igual a julho.

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A expectativa do setor é que o segundo semestre de 2020 tenha um faturamento menor que a metade do registrado no mesmo período em 2019. Essa é a previsão de 71% das operadoras, que lidam com a redução da capacidade de todos os serviços relacionados ao turismo, como voos, restaurantes, hotéis e outros serviços.

Ano que vem

A pesquisa da associação mostra, ainda, que 67% das operadoras venderam pacotes para o primeiro semestre de 2021. Entre as empresas consultadas, 29% declararam ter comercializado também para o próprio mês de agosto, 44% para setembro e 46% para outubro. Os percentuais superam o segundo semestre de 2021, que foi comercializado por 38% das empresas.

Um dos destaques do balanço é a redução do cancelamento de viagens. Em julho, 73% das operadoras tiveram vendas canceladas, enquanto em agosto o percentual caiu para 30%.

Destinos preferidos

O destino vendido com mais frequência foi o Nordeste, com embarques comercializados por 83% das operadoras. Em seguida, vieram Sudeste (80%), Europa (75%), Sul (74%), Centro-Oeste (70%), Norte (62%), América Central/Caribe (62%), América do Sul (55%), América do Norte (48%), Ásia (48%), Oceania (48%) e África (24%).

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Os destinos mais procurados no Nordeste são Salvador e Porto de Galinhas, enquanto no Sudeste figuram Angra dos Reis e interior de São Paulo. No exterior, os embarques mais vendidos são para Portugal, Itália, Cancún, Punta Cana, Orlando, Miami,  Maldivas, Argentina e Peru.

Edição: Kleber Sampaio

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