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Escola Criativa reúne artistas e revitaliza espaços de escolas em SP

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O projeto Escola Criativa, promovido pelo Instituto Choque Cultural e que revitaliza espaços de escolas públicas de São Paulo com intervenções artísticas há dez anos, levou artistas consagrados da arte urbana brasileira para criar obras inéditas nos espaços de quatro escolas da capital paulista e ressignificar suas áreas comuns. O objetivo foi revitalizar esses locais para receber os alunos quando houver o retorno às aulas presenciais, que estão suspensas devido à pandemia de covid-19.

As intervenções estão sendo apresentadas ao público por meio de saraus culturais virtuais, pelo site, no dias 1, 2 e 3 de dezembro. Durante os saraus culturais, alunos, familiares e professores também apresentam atividades culturais desenvolvidas ao longo do ano: são poemas, peças de teatro, apresentações musicais entre outros.

“O espaço físico e humano da escola, tal como organizado hoje, espelha a vida cotidiana da cidade”, disse a educadora Raquel Ribeiro, uma das organizadoras do projeto, ao lado de Baixo Ribeiro e Mariana Martins, da galeria Choque Cultural. “Assim como desejamos espaços públicos mais amigáveis ao convívio na cidade, se pensarmos a escola como um microcosmo da cidade, veremos que ela também tem seus espaços coletivos como o pátio, a quadra, os corredores, entre outros que podem ter novos significados”, acrescentou Raquel.

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Ao longo dos últimos dez anos, o projeto beneficiou 40 escolas, alcançando cerca de 275 professores e milhares de crianças e jovens paulistanos. O programa visa à melhoria do ambiente escolar pela integração entre educação e cultura e concebe a escola como microcosmos da cidade.

Nesta edição mais recente do projeto, as intervenções artísticas foram assinadas por TEC, Presto, Celso Gitahy e Coletivo Cicloartivo. São pinturas inéditas, com caráter pedagógico, pensadas para revitalizar os espaços e contribuir para o acolhimento dos alunos na retomada de atividades.

Todos os artistas participaram das intervenções nas quatro escolas contempladas nesta fase do projeto e, em cada uma, deixaram um pouco da sua arte. O piso cinza da escola EMEF Conde Luiz Eduardo Matarazzo, no bairro Parque dos Príncipes, na zona oeste da cidade, ganhou o colorido de uma amarelinha feita por TEC, artista argentino e radicado no Brasil, um dos principais nomes da arte urbana da atualidade.

Os personagens fantásticos e lúdicos de Presto, expoente do grafite brasileiro, tomaram as paredes da EMEF Almirante Ary Parreiras, na Vila Babilônia, zona sul. Já Celso Gitahy, um dos precursores da arte urbana brasileira, há mais de 25 anos em atividade no circuito contemporâneo, levou à EMEF Presidente Campos Salles, na Cidade Nova Heliópolis, zona sul, seu repertório imagético que mistura indígenas, pin-ups, fórmulas matemáticas e inscrições rupestres, obras que remetem à diversidade das ruas.

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“Ficamos bastante contentes com o projeto do Escola Criativa. Os artistas trouxeram obras inspiradoras e criativas aos nossos espaços, são obras singulares que, sem dúvida, serão apreciadas por nossos alunos e colaboradores na volta às aulas”, disse Silvia Regina Silva Rocha, diretora da escola Campos Salles.

O Cicloartivo transformou o ambiente da EMEF Desembargador Amorim Lima, na Vila Gomes, na zona oeste, com pinturas arquitetônicas, amarelinhas e um rio pulsante que percorre a maior parte do espaço externo da escola.

Além da revitalização, o projeto visa a estreitar as distâncias entre professores, alunos e comunidades, usando ferramentas que misturam educação, arte e comunicação. Nas edições anteriores, as intervenções foram realizadas durante mutirões, envolvendo a comunidade. Dessa vez, devido à necessidade de distanciamento social na pandemia, os artistas realizaram as intervenções sem mutirões e respeitando o protocolo orientado pelos órgãos públicos de saúde para prevenção do contágio e disseminação da covid-19.

Edição: Valéria Aguiar

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História em quadrinhos retrata língua indígena de sinais

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Uma história em quadrinhos (HQ) retrata, de forma pioneira, a língua indígena de sinais utilizada pelos surdos da etnia terena, anunciou nesta semana a Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Segundo a universidade, a obra, produzida por Ivan de Souza, em trabalho de conclusão do curso de licenciatura em Letras Libras, tem o propósito de fortalecer o reconhecimento e a preservação das línguas de sinais indígenas e é apresentada em formato plurilíngue, sinalizada também na Língua Brasileira de Sinais (Libras).

A UFPR lembra que comunicação por meio da língua materna é importante pois ajuda a manter viva a cultura, a identidade e a história dos povos indígenas.

Nas aldeias da etnia terena, localizadas principalmente no estado de Mato Grosso do Sul, a língua oral terena é amplamente utilizada. Os surdos dessa etnia também se comunicam com sinais diferentes dos pertencentes ao sistema linguístico utilizado pelos surdos no Brasil (Libras). Após diversas pesquisas, especialistas concluíram que esses sinais constituem um sistema autônomo, chamado língua terena de sinais.

Cultura indígena

O trabalho de conclusão do curso de licenciatura em Letras Libras da Universidade Federal do Paraná (UFPR) teve início em 2017, quando o estudante pesquisava a história dos surdos no Paraná, na iniciação científica.

De acordo com a universidade, todo o processo teve acompanhamento de pesquisadoras que já desenvolviam atividades com os terena surdos, usuários da língua terena de sinais. A comunidade indígena também teve participação ativa no desenvolvimento e depois, na validação da obra junto ao seu povo.

Para a indígena Maíza Antonio, professora de educação infantil continuar pesquisando o tema é importante para que os próprios integrantes das aldeias entendam melhor os sinais utilizados por parte de seu povo.

Indígena da etnia terena, ela trabalha com a língua materna na escola da comunidade. “Nossos alunos têm optado por estudar na cidade, por não estarmos preparados para recebê-los em nossa escola. Essa história em quadrinhos servirá como material didático para trabalharmos com os alunos surdos e como incentivo para que nós, professores, busquemos novas ferramentas de ensino nessa área”, disse, em entrevista ao site da UFPR.

Sinalário

Souza e os especialistas que o auxiliaram no projeto também desenvolveram um “sinalário”, isto é, um registro em Libras dos principais conceitos apresentados na narrativa visual e um glossário plurilíngue abrangendo palavras utilizadas no dia a dia da comunidade. “Levantamos os vocabulários que mais se repetiam e organizamos em uma planilha. Depois buscamos localizar os sinais já existentes em sites e aplicativos. Filmamos os sinais e disponibilizaremos esse material no YouTube, com o objetivo de expandir o conhecimento sobre as línguas sinalizadas e de minimizar a barreira linguística”, explica.

De acordo com o autor, o trabalho tem relevância para os indígenas da comunidade terena e de outras etnias e para a sociedade em geral.

“Esse é mais um material disponível para os terena ensinarem sua história de forma acessível a ouvintes e surdos. É importante também para mostrar à sociedade como existem povos, culturas, identidades e línguas diferentes no país. E que essa diversidade precisa ser respeitada, preservada e valorizada”.

O jovem escritor tem esperança de que o trabalho possa despertar a sensibilidade para com os povos indígenas e para as demais línguas de sinais presentes no Brasil. Outro objetivo do autor é que, com o reconhecimento dessas línguas autônomas de sinais, torne-se possível que surdos indígenas tenham, de fato, o direito de serem ensinados em sua língua materna garantido, assim como apregoado na Constituição Federal. Ele pretende distribuir a HQ em escolas indígenas.

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Segundo a UFPR, além de possibilitar a disseminação e a preservação da língua terena de sinais, a história tem o propósito de evidenciar a cultura e a história desse povo. O estudante cita uma das pesquisadoras que trabalhou com ele nesse projeto para definir o que pensa sobre o tema. “Cada língua reflete um modo de ver o mundo, um modo diferente de pensar. Se perdemos uma língua, perdemos possibilidades, perdemos a capacidade de criar, imaginar, pensar de um modo novo e talvez até mais adequado para uma dada situação”, indica Priscilla Alyne Sumaio Soares em sua tese de doutorado intitulada Língua Terena de Sinais. “Só podemos preservar aquilo que é registrado e esse é um dos nossos objetivos, preservar uma pequena parte da história do povo terena por meio da HQ”, afirma Souza.

HQ Língua Indígena de SinaisHQ Língua Indígena de Sinais

Divulgação/UFPR

A história

A obra Sol: a pajé surda ou Séno Mókere Káxe Koixómuneti, em língua terena, conta a história de uma mulher indígena surda anciã chamada Káxe que exerce a função religiosa de pajé (Koixómuneti) em sua comunidade. Ao ser procurada para auxiliar em um parto e após pedir a benção dos ancestrais para o recém-nascido, o futuro do povo terena é revelado e transmitido a ela em sinais. “A história mostra um pouco da rica cultura desse povo, as situações, consequências e resistência após o contato com o povo branco”, revela Souza.

Inspirada na história real do povo terena, a narrativa apresenta a comunidade em uma época em que ela ainda vivia nas Antilhas e era designada pelo nome Aruák.

A pajé Káxe, procurada por uma mulher em trabalho de parto, ajuda no nascimento do pequeno Ilhakuokovo.

HQ Língua Indígena de SinaisHQ Língua Indígena de Sinais

Divulgação/UFPR

Trajetória dos terena

A partir daí, a obra ilustra um pouco da trajetória desses indígenas e da sua instalação em território brasileiro. Buscando caminhos que levasse aos Andes, em meados do século XVI, os espanhóis estabeleceram relações com os terena, à época chamados de Guaná, na região do Chaco paraguaio. A chegada dos brancos acarretou muitas mudanças nas vidas dos indígenas, que procuraram, durante certo período, locais onde pudessem exercer seu modo de vida sem a influência da colonização.

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Assim esse povo chegou ao Brasil, no século XVIII, e se instalou na região do Mato Grosso do Sul. Mesmo em outras terras, os conflitos trazidos pela colonização ainda eram um problema. A Guerra do Paraguai envolveu os terena, que foram forçados a participar para garantir seus territórios e, no conflito, perderam muitos membros de sua comunidade. Após a guerra, questões territoriais continuaram causando embates. Nesse período, os terena se viram obrigados a trabalhar nas fazendas da região, situação que ocasionou a servidão dos indígenas.

Segundo a UFPR, com informações da Comissão Pró-índio de São Paulo, algumas famílias dessa população indígena se mantiveram às margens das fazendas, ocupando pequenos núcleos familiares irredutíveis à colonização. Foram essas ocupações que, regularizadas no início de século XX, formaram as Reservas Indígenas de Cachoeirinha e Taunay/ Ipegue.

A orientadora do trabalho e coordenadora do projeto de pesquisa institucional HQs Sinalizadas, Kelly Priscilla Lóddo Cezar, destaca que trabalhar com diferentes línguas envolve conhecimentos históricos com e sem registros escritos.” É necessária uma grande entrega à pesquisa e o Ivan fez isso com louvor. Além de encantar o povo terena com a HQ, os pesquisadores participantes e colaboradores se encantaram com seu empenho e sua autonomia invejável, permeados de humildade”.

As ilustrações da HQ foram feitas por Julia Alessandra Ponnick, que é acadêmica do curso de Design Gráfico da UFPR, autora, ilustradora e roteirista de histórias em quadrinhos. A defesa do TCC de Souza está agendada para o final de março, com o lançamento oficial da história.

HQs sinalizadas

O projeto da UFPR HQs Sinalizadas trabalha com temas transversais dos artefatos da cultura surda – história, língua, cultura, saúde. O objetivo é criar, aplicar e analisar histórias em quadrinhos sinalizadas como uso de sequências didáticas bilíngues para o ensino de surdos. Além da elaboração de materiais bilíngues capazes de auxiliar na aprendizagem, a proposta permite aprofundar os estudos linguísticos como prática social.

Todas as HQs produzidas pelo grupo apresentam vídeos sinalizados, desenhos, ilustrações e escrita do português. “Essas linguagens podem ser utilizadas, especialmente, quando a proposta destina-se a contemplar os temas transversais como ética, orientação sexual, meio ambiente, saúde, pluralidade cultural, trabalho e consumo, congregando professores e pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento”, sugere Kelly.

*Com informações da Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Edição: Kelly Oliveira

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