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Coluna – Paixão do torcedor deturpa o resultado de campo

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O pênalti marcado para o São Paulo, na partida contra o Botafogo na última segunda-feira (22), era para ajudar o Flamengo, pois garantiria o Tricolor paulista na fase de grupos da Copa Libertadores e, na próxima quinta-feira (25), o time não precisaria se esforçar, o que facilitaria a caminhada do Rubro-Negro carioca ao título brasileiro. Acreditem, mas isso foi dito após o jogo, por apaixonados torcedores, claro, de adversários do atual líder do Brasileirão.

Essa opinião não é exclusiva dessa reta final do campeonato. Na verdade, nem do Brasileirão, nem dos tempos atuais. Os mais antigos vão lembrar que o Fluminense era chamado de rei do tapetão, pois havia sempre a suspeita de que o Tricolor se beneficiava de julgamentos fora de campo para ter vantagens nos campeonatos. Na atual Série A, em novembro do ano passado, a reclamação era de que a CBF, dirigida pelo ex-conselheiro do São Paulo Rogério Caboclo, permitia que o time paulista tivesse intervalos maiores entre os jogos (e no fim de dezembro o Tricolor já liderava o Brasileirão com sete pontos de vantagem sobre o Atlético-MG).

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O que quero dizer com isso? Que é com tristeza que vejo e ouço torcedores, de todos os times, dizerem que determinado resultado é arrumado. Ou que tudo caminha para que A ou B seja campeão, ou rebaixado. Em todos esses anos do Brasileirão, a única vez em que ficou comprovada a interferência externa em resultados foi em 2005, o caso conhecido como máfia do apito. Que outras provas há, ao longo dos demais anos, para que tanto se desconfie dos resultados?

O VAR (árbitro de vídeo), que deveria encerrar com muitas polêmicas, só exacerbou esse sentimento e ampliou a desconfiança. Por outro lado, se antes poderíamos considerar um acordo com o árbitro de campo, fico imaginando como isso seria hoje, em que o árbitro de campo não tem a palavra final nas marcações e que a equipe conta com oito pessoas envolvidas, no campo e na cabine do VAR. “Segredo de três não é segredo”, afirma o ditado popular. Imaginem de oito!

O fato é que as reclamações sempre vão existir, pois elas fazem parte do jogo. O que contesto é a veemência atual de que é “roubo”, como se fosse impossível uma derrota ocorrer em um lance improvável, numa falha de um árbitro ou até mesmo de um jogador do nosso time.

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William Shakespeare disse, certa vez, que “a paixão aumenta em função dos obstáculos que se lhe opõem”. Parece-me uma frase bem adequada ao futebol. A paixão do torcedor, obviamente, não o deixa pensar de maneira racional, mas isso o faz, ao mesmo tempo, deteriorar o produto pelo qual nutre tanto sentimento. Se ele acha que está tudo armado contra o próprio time, para que, e por que, continua torcendo? Talvez a resposta venha de Dostoiévski ao escrever que “às vezes o homem prefere o sofrimento à paixão”.

* Sergio du Bocage é apresentador do programa No Mundo da Bola, da TV Brasil

Edição: Fábio Lisboa

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Pia aponta melhorias necessárias à seleção após torneio nos EUA

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Pia Sundhage disse, antes da estreia brasileira no torneio She Believes, há uma semana, que esperava encontrar, durante a competição, respostas para a seleção feminina que apronta para a Olimpíada de Tóquio (Japão). Terminado o quadrangular, a técnica não esmiuçou detalhes, mas afirmou que obteve parte das respostas esperadas.

“Algumas jogadoras foram bem, outras precisam ser mais competitivas em nível internacional, voltar para casa e trabalhar um pouco mais forte. O resultado [no torneio] foi ok e as respostas foram importantes”, comentou Pia, em entrevista coletiva por videoconferência, sobre a vitória do Brasil para cima do Canadá, por 2 a 0, pela terceira rodada do She Believes.

Contra as canadenses, as brasileiras dominaram o primeiro tempo, marcando alto, mostrando intensidade e balançando as redes com a meia Júlia Bianchi e a atacante Debinha. Já na etapa final, o time da América do Norte foi superior e colocou a seleção de Pia sob pressão, ainda que tendo criado somente uma oportunidade real de gol.

“Fiquei bem contente com o primeiro tempo de hoje [quarta-feira]. Não tanto no segundo tempo. Defensivamente, temos que ajustar detalhes. O Canadá colocou quatro atacantes e nos pressionou. Não reagimos bem sem a bola e temos de aprender a lidar com isso. Fomos um pouco ingênuas em alguns momentos. Tentamos jogar da mesma forma, com passes curtos. Precisamos saber nos desvencilhar da pressão na Olimpíada. Não há uma só forma para isso. Precisamos melhorar para fazer transições e contra-atacar”, argumentou a técnica.

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Antes de enfrentar o Canadá, o Brasil estreou vencendo a Argentina por 4 a 1 na última quinta-feira (18). No domingo passado (21), a seleção de Pia foi superada pelos Estados Unidos por 2 a 0. As norte-americanas, atuais campeãs mundiais e líderes do ranking da Federação Internacional de Futebol (Fifa), ficaram com o título ao golearem as argentinas por 6 a 0 na última rodada e encerrarem o torneio amistoso com três vitórias em três jogos. As brasileiras ficaram em segundo lugar.

Até a Olimpíada, estão previstas mais duas datas Fifa, que são os períodos destinados a jogos entre seleções. A expectativa, portanto, é que Pia tenha, ao menos, outras quatro partidas para obter as respostas que faltam para definir as 18 convocadas para Tóquio. Em entrevistas anteriores, a técnica disse já ter 12 jogadoras definidas.

“Devemos ter dois jogos em abril e dois e junho. Não é o cenário perfeito, mas é o que temos. Podemos fazer qualquer coisa, mas temos que definir prioridades e encontrar um time coeso. Há sempre a chance para qualquer jogadora brasileira que estiver bem ser convocada. Quero não só definir o time titular nesses quatro jogos, mas saber quais atletas sairão do banco para fazer a diferença”, afirmou.

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“Uma coisa importante é a parte física. Fizemos três jogos e notamos que algumas jogadoras ficaram cansadas. São circunstâncias da Olimpíada, só que com jogos a cada dois dias. Quem for, terá de estar preparada para fazer muitos jogos. A [zagueira] Rafaelle, que esteve em todas as partidas [no She Believes], é um bom exemplo. Ela foi muito bem. Se você estiver em forma, você está saudável e pronta para jogar. Isso traz confiança”, completou a treinadora.

Edição: Fábio Lisboa

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