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Especialistas revelam mecanismos que estruturam campanhas de desinformação

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“Como se estruturam as campanhas de desinformação” foi o foco dos debates da primeira mesa do II Seminário Internacional Desinformação e Eleições – Disinformation and Elections, promovido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira (26). Especialistas revelaram os principais mecanismos envolvidos na montagem de uma campanha destinada a desinformar determinado público.

Participaram desse debate a codiretora da Partnership for Countering Influence Operations, Carnegie Endowment for International Peace, Alicia Wainless; a repórter especial e colunista da Folha de S. Paulo, Patrícia Campos Mello; a criadora do Dangerous Speech Project, a jornalista Susan Benesch; e o fundador e presidente da ONG SaferNet Brasil, Thiago Tavares, além de outros convidados.

A moderadora foi a secretária-geral da Presidência do TSE, Aline Osorio, que destacou a importância do debate para elucidar a arquitetura e os mecanismos que determinados grupos fazem uso para propagar a desinformação.

Mecanismos direcionados

Alicia Wainless mostrou como as pessoas sofrem influências e influenciam um ambiente informacional em permanente mudança, por meio de mecanismos que podem ser replicados no público a ser atingido. Ela destacou que o fenômeno da desinformação tem sido abordado em inúmeros estudos que vêm permitindo uma conscientização maior do problema e de seus impactos ao redor do mundo. E ainda afirmou ser necessário reforçar o compartilhamento de informações, inclusive das plataformas digitais, com os estudiosos interessados na questão.

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Já a jornalista Patrícia Campos Mello afirmou existir uma estratégia digital e análise de redes na propagação dos discursos de ódio. Ela disse que a propagação da desinformação se vale de canais digitais criados, e monetizados, para disseminar o ideário defendido e de uma rede de apoiadores. Patrícia discorreu sobre o chamado “gabinete do ódio”, que teria suposta ligação com apoiadores do presidente da República, Jair Bolsonaro.

“Há grupos com centenas de milhares de pessoas com assuntos como voto impresso, ‘eleição roubada’, e ‘tratamento precoce da Covid’. Esse é um componente importante e a gente deve tentar localizar esses intermediários, que muitas vezes oferecem serviços que estão fora de uso das plataformas [digitais]”, disse Patrícia.

Em seguida, a jornalista Susan Benesch destacou as campanhas de desinformação estimuladas por lideranças que buscam jogar um grupo contra o outro, usando técnicas retóricas voltadas a aumentar a desconfiança em parcela do público. Susan apontou, nesse caso, para a barreira existente na população em geral para filtrar e não se deixar convencer por uma notícia duvidosa. “As pessoas não nascem em grupos que odeiam outras pessoas. Elas são ensinadas. E existem formas, extraordinariamente similares, entre esses grupamentos”, disse Susan.

Intolência

Já o representante da SaferNet Brasil,Thiago Tavares, ressaltou que os motivos que resultam na expansão da desinformação podem ser de ordem financeira, ideológica, política e por busca de espaços de poder. Ele salientou que as campanhas de desinformação aumentam muito em períodos eleitorais.

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Thiago informou que a SaferNet, em 12 anos de atuação, já recebeu mais de quatro milhões de denúncias de discursos violentos ou de ódio, abrangendo mais de 100 países. Ele alertou que as células de grupos extremistas, incluindo neonazistas e supremacistas, vêm aumentando no Brasil, e já chegam a centenas.

“Esses grupos não aceitam e nem conseguem conviver com a diversidade. Eles defendem a violência e propagam o ódio contra pessoas em razão da sua raça, da sua cor, da sua religião, da sua orientação sexual, da sua condição especial de desenvolvimento ou de deficiência, e também da sua origem nacional e regional”, informou Thiago Tavares.

O II Seminário Internacional Desinformação e Eleições – Disinformation and Elections tem programação ao longo do dia e busca reunir dados, compartilhar experiências, colher sugestões e enriquecer o conhecimento geral sobre medidas viáveis de enfrentamento das notícias falsas.

Acompanhe os debates, ao vivo, pelo canal do TSE .

Clique aqui para acessar a programação e outras informações sobre o evento.

EM/CM

Fonte: TSE

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TPS 2021: Investigadores concluem último plano de testes neste sábado (27)

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Neste sábado (27) chegou ao fim a sexta edição do Teste Público de Segurança (TPS) do Sistema Eletrônico de Votação. Durante seis dias, 26 investigadoras e investigadores inscritos ocuparam as bancadas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para colocar em prática ataques aos equipamentos e sistemas desenvolvidos para as Eleições Gerais de 2022.

O objetivo era descobrir possíveis vulnerabilidades na urna eletrônica a tempo de serem corrigidas para o próximo pleito. Dessa forma, dos 29 planos de ataques apresentados pelos grupos, apenas cinco deles foram concluídos com achados relevantes.

Previsto inicialmente para terminar nesta sexta-feira (26), o teste se estendeu a pedido do grupo de investigadores da Polícia Federal. Pela primeira vez, a prorrogação foi prevista no edital, totalizando 6 dias de testes.

“Tínhamos dois planos de ataque. Um deles, abandonamos no segundo ou no terceiro dia e seguimos com o outro, ligado ao JE Connect, até o fim. Ainda tínhamos algumas dúvidas e esse horário no sábado foi importantíssimo para ajustar essas questões finas e montar todas as peças do nosso plano de ataque caso a gente fosse simular isso num ambiente real”, esclareceu Peixinho.

Para o coordenador de Sistemas Eleitorais do TSE, José Melo Cruz, o teste como um todo foi um dos melhores que já participou. “Tivemos planos muito bons, a Polícia Federal como sempre, manteve o altíssimo nível de trabalho deles, um trabalho espetacular que a gente reconhece e sempre aprende muito com eles”, afirmou.

Segundo Melo, não houve nenhuma quebra efetiva do processo eleitoral, mas tiveram barreiras ultrapassadas. “Nós temos que trabalhar e aperfeiçoar os sistemas. E os testes servem para que possamos aprender com esses ataques de pessoas e grupos externos”, revelou.

Comissão avaliadora

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Agora, a comissão avaliadora fechará um relatório para indicar quais foram esses achados e qual a relevância de cada um deles. A Comissão Avaliadora é o colegiado responsável por validar a metodologia e os critérios de julgamento, assim como avalia e homologa os resultados obtidos no TPS.  Compõem o grupo representantes de instituições públicas, de segurança nacional, da área científica e da sociedade civil.

Na avaliação do Secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Júlio Valente, o evento deste ano foi um dos mais produtivos desde que a Justiça Eleitoral iniciou em 2009 a submeter os sistemas eleitorais a testes públicos.

“Tivemos um número recorde de planos de teste e de investigadores que vieram contribuir para o amadurecimento da segurança dos sistemas, aprofundando o caráter colaborativo do evento: Justiça Eleitoral e sociedade de mãos dadas por eleições cada vez mais seguras e auditáveis”, disse. 

Entenda o TPS

O TPS permite que representantes da sociedade executem planos de ataque ao sistema com a finalidade identificar vulnerabilidades relacionadas à violação da integridade ou do anonimato dos votos de uma eleição. Evento permanente do calendário de preparação de cada eleição, o Teste ocorre, preferencialmente, no ano que antecede o pleito, em ambiente preparado na sede do TSE, em Brasília.

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O Teste, que este ano chegou à sexta edição, é um dos marcos do processo de desenvolvimento dos sistemas eleitorais e da urna eletrônica. Ao longo dos anos, a cada edição do teste, os sistemas são aprimorados, dando ainda mais segurança e robustez ao processo eleitoral brasileiro.

Na próxima segunda-feira (29), às 16h, será realizada entrevista coletiva do presidente do TSE, ministro Luis Roberto Barroso, que apresentará e explicará os achados juntamente com o secretário de TI, Júlio Valente. 

Confira mais informações no site do evento.

IC/LG

Fonte: TSE

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