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Quatro bebês morrem esperando vaga em UTI no interior de MT

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Um recém-nascido de 28 dias morreu, neste domingo (29), enquanto aguardava um leito de UTI neonatal, no Hospital Municipal de Jaciara (a 144km de Cuiabá). O pequeno, identificado como Enzo Gabriel Onofre Vivian, teve cinco paradas cardiorrespiratórias antes de falecer. É o quarto caso de bebê que vem a óbito por espera, em todo o Estado, em menos onze dias.

Enzo chegou ao hospital ainda na noite da última sexta (26). Ele foi atendido, recebeu medicação e foi liberado para continuar o tratamento em casa. Mas, no sábado (27), apresentou um quadro de insuficiência respiratória.
A situação tinha sido estabilizada. Contudo, às 23h ainda do sábado, o quadro se agravou e Enzo precisou ser entubado. Na madrugada do domingo (28), o recém-nascido teve quatro paradas cardiorrespiratórias e, no início da manhã, ele teve outra que o levou a morte. Foi tentada a reanimação, mas os médicos não tiverem sucesso.
Um familiar tentou vagas em hospitais públicos e privados em Cuiabá, Primavera do Leste, Cáceres e Rondonópolis, segundo imprensa local. Mas, em todos, não havia vagas. Eles acionaram um advogado para tentar por liminar um leito. Mas, quando a decisão judicial saiu, o bebê já estava falecido.

A certidão de óbito informa que faleceu devido à insuficiência respiratória, atelectasia (colapso de parte do pulmão) e bronquiolite (infecção dos brônquios que levam o ar aos pulmões).

O falecimento também virou caso de Polícia após família e médicos registrarem, cada, boletim de ocorrência. A médica disse que a mãe do recém-nascido a teria xingado e tentado agredir a profissional depois de anunciar a morte. “A genitora do paciente, sob forte emoção, proferiu xingamentos e tentou agredir a médica”, informa BO.
No entanto, a família alega que a médica teria desligado os aparelhos momentos antes de o bebê vir a falecer. Mãe e avó teriam gritado e implorado para médicos não desligar as máquinas, já que, para elas, a criança ainda respirava. Eles vão denunciar o caso e procurar a Justiça.

Em nota, a Prefeitura de Jaciara lamentou a morte de Enzo e informou que ele estava assistido por médicos e enfermeiros “durante todo tempo que aguarda a vaga”. O Executivo informou que o "atendimento de urgência e emergência foi devidamente prestado" logo que deu entrada na unidade. O Hospital solicitou transferência de UTI e negociava com o Hospital Regional de Rondonópolis.

"Foram utilizados todos os recursos disponíveis existentes em nosso município e de nossa responsabilidade para garantir sua estabilidade enquanto estava sob nossos cuidados até o momento de sua transferência, a saber, que vagas em UTI é de responsabilidade do Estado e não do município", informa a nota.

Em diversas notas de casos anteriores, a Secretária de Estado de Saúde reconhece que há déficit de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Mato Grosso, não somente na rede do Sistema Único de Saúde (SUS), como também na rede de saúde particular. Esse é um problema nacional e não específico apenas de Mato Grosso, informa a pasta.

Outros casos

Outros três bebês morreram enquanto esperavam a transferência para UTI neonatal.
A primeira foi a Alice Valentina Scheneider Ude, de Campo Novo do Parecis, na quinta do dia 18. Com uma anomalia no coração (cardiopatia congênita), ela chegou a ser transferida para um hospital particular, em Cuiabá, e passou por cirurgia, mas, no pós-operatório, teve complicações. Os pais do bebê conseguiram uma vaga no hospital privado depois de contrair um empréstimo bancário e por meio de vaquinha on-line.

O segundo foi com uma recém-nascida indígena que veio a falecer, na terça do dia 23, após esperar 14 dias por uma UTI neonatal em Sinop (a 500 km de Cuiabá). A Secretária de Estado de Saúde (SES) anunciou que a causa da morte foi por causa do aumento do líquido no cérebro (pressão intracraniana). A Defensoria Pública tinha conseguido uma vaga num hospital particular de Goiás, mas a bebê não resistiu e veio a falecer na noite anterior a decisão.

Também em Sinop, Isis Emanuelle Cardoso apresentou um quadro de tosse seca, desconforto respiratório e febre. O quadro se agravou, e a criança teve que ser entubada e passou a respirar por ventilação mecânica. A Defensoria Pública chegou a entrar com liminar, mas a bebê veio a falecer antes da decisão da Justiça.

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