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Estudo: Covid tem mortalidade de 50% entre hospitalizados no Norte e 31% no Sul

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Mariana Alvim – @marianaalvim – Da BBC News Brasil em São Paulo

Covid-19: novo estudo revela mortalidade de 50% entre hospitalizados no Norte, contra 31% no Sul

As cruéis barreiras no acesso à saúde no Norte do país se mostraram nessa semana através de depoimentos desesperados de profissionais e moradores de uma de suas maiores capitais, Manaus, onde faltaram cilindros de oxigênio para o tratamento da covid-19 e de outras doenças.

Agora, as fragilidades do sistema de saúde da região foram demonstrados em dados inéditos, publicados na noite desta sexta-feira (15/01) no periódico científico internacional Lancet Respiratory Medicine.

O estudo, uma colaboração entre pesquisadores de instituições brasileiras e estrangeiras, analisou informações sobre os primeiros 250 mil pacientes hospitalizados com covid-19 em todo o Brasil — destrinchando características como cor e idade, se precisaram de ventilação mecânica ou internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), e a distribuição desses dados por região.

Os resultados indicaram que, apesar de a covid-19 ter esgotado o sistema de saúde em todas as regiões, a necessidade de hospitalização e mortalidade no início da pandemia foram consideravelmente maiores no Norte e no Nordeste.

É o que mostra, por exemplo, o percentual de pessoas hospitalizadas e que morreram: 50% no Norte; 48% no Nordeste; 35% no Centro-Oeste; 34% no Sudeste; e 31% no Sul.

Para o Brasil como um todo, o percentual de mortalidade por covid-19 no hospital foi de 38%, considerado “notavelmente alto” segundo os autores. O valor é semelhante ao de vários lugares do mundo, mas os pesquisadores destacam que o grupo de pacientes estudado é em média 10 anos mais jovem do que países considerados a título de comparação, o que faria supor no Brasil uma mortalidade mais baixa. Não foi o que os dados mostraram.

As disparidades regionais também se revelaram no percentual de pessoas internadas em UTIs que morreram: 79% no Norte; 66% no Nordeste; 53% no Sul; 51% no Centro-Oeste; e 49% no Sudeste.

A mortalidade entre os pacientes com menos de 60 anos também surpreendeu — apesar das populações do Norte e do Nordeste serem mais jovens, a fatalidade entre os não-idosos foi maior nestas regiões, chegando a 31% no Nordeste, contra 15% no Sul.

Os autores oferecem possíveis explicações para as diferenças entre as regiões. Por exemplo, a chegada da doença primeiro ao Norte, Nordeste e Sudeste; e também a distribuição desigual de leitos, equipamentos e profissionais.

Foto aérea mostra caixão em vala, com pessoas em volta, prestando homenagem ao corpo

EPA/Antonio Lacerda
Enterro de vítima de covid-19 no Rio de Janeiro; apesar de disparidades, estudo destaca que todas regiões tiveram seus sistemas de saúde sobrecarregados pela pandemia

“O Norte e o Nordeste têm o menor número de leitos hospitalares por pessoa no Brasil. A diferença é ainda mais pronunciada quando se considera leitos de UTI: no início da pandemia, o Sudeste tinha cerca de duas vezes mais leitos de UTI por pessoa do que o Norte”, diz um trecho do estudo, que contou com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e do Instituto de Salud Carlos III.

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“Além disso, leitos de UTI estão concentrados nas capitais e no litoral, gerando uma barreira adicional no acesso aos serviços de saúde, especialmente quando a covid-19 se espalhou para o interior.”

O próprio estudo publicado na Lancet Respiratory Medicine mostrou que 54% dos pacientes analisados foram internados em hospitais nas capitais, mas isso foi mais marcante no Centro-Oeste (71%), Nordeste (70%), Norte (61%).

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Mortalidade maior entre analfabetos, pretos e indígenas

A pesquisa também traz dados novos e robustos sobre as características e os quadros de saúde das centenas de milhares de pessoas internadas nos cinco primeiros meses de pandemia.

Quase metade (47%) dos 254.288 hospitalizados neste período tinha menos de 60 anos; 56% eram do sexo masculino; e 74% tinham uma ou duas comorbidades.

A proporção de mortalidade foi maior quanto menor a escolaridade: 63% entre os analfabetos; 30% entre aqueles com ensino médio, e 23% com graduação.

As fatalidades também foram mais frequentes entre os pretos e pardos (43%) e indígenas (42%), contra 40% de origem asiática e 36% brancos.

Um dos membros da equipe, o pesquisador do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas Fernando Bozza, destacou em um comunicado para a imprensa que os dados da pesquisa mostram uma soma de vulnerabilidades socioeconômicas e regionais.

“A covid-19 não afeta desproporcionalmente apenas os pacientes mais vulneráveis, mas também os sistemas de saúde mais frágeis. O sistema de saúde brasileiro (o SUS) é um dos maiores do mundo a fornecer assistência a todos sem custos, e tem uma sólida tradição de vigilância de doenças infecciosas. Entretanto, a covid-19 sobrecarregou o capacidade do sistema”, declarou Bozza.

Primeiro autor do estudo, o epidemiologista Otavio Ranzani, pesquisador do Instituto para Saúde Global de Barcelona (ISGlobal), também afirmou em comunicado que o estudo ajuda a preencher lacunas sobre a situação da pandemia em países como o Brasil.

“Até agora, há dados muito limitados sobre a mortalidade de pacientes hospitalizados com covid-19 ou sobre como sistemas de saúde lidaram com a pandemia em países de baixa e média renda”, declarou Ranzani.


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Fonte: IG SAÚDE

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Momento Saúde

Capital e Grande São Paulo regridem para a Fase Laranja do Plano SP

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Com o avanço dos casos e aumento de internações por covid-19, a região da Grande São Paulo, o que inclui a capital paulista, regrediu de fase, passando da Fase 3-Amarela para a Fase 2-Laranja. Com isso, bares não poderão abrir para atendimento presencial. Além disso, o horário de funcionamento do comércio passa de 12 horas por dia para apenas oito horas.

Na etapa Laranja, o funcionamento dos serviços não essenciais é limitado a até oito horas diárias, com atendimento presencial máximo de 40% da capacidade e encerramento às 20h. O consumo local em bares está totalmente proibido nessa fase, mas é permitido o funcionamento presencial se o bar operar como um restaurante, somente servindo refeição.

Além da Grande São Paulo, outras cinco regiões do estado regrediram de fase. As regiões de Registro, Sorocaba e Campinas passaram da Fase 3- Amarela para a Fase 2- Laranja. Já as regiões de Marília e de Ribeirão Preto passaram da Fase 2-Laranja para a Fase 1-Vermelha e só poderão manter em funcionamento os serviços considerados essenciais.

A região de Piracicaba foi a única a evoluir, passando da Fase 2-Laranja para a Fase 3-Amarela.

A Fase Amarela permite 40% de ocupação em academias, salões de beleza, restaurantes, cinemas, teatros, shoppings, concessionárias, escritórios e parques estaduais, com expediente de até dez horas diárias para restaurantes e 12 horas para as demais, mas o atendimento presencial deve ser encerado até as 22h, com exceção dos bares, que devem fechar às 20h. Eventos que geram aglomeração, como festas, baladas e shows continuam proibidos.

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As demais regiões do estado mantiveram suas classificações.

Com isso, apenas três regiões do estado estão na Fase 3- Amarela: Piracicaba, Baixada Santista e Araçatuba. Outras seis regiões estão na Fase 1- Vermelha: Presidente Prudente, Marília, Bauru, Araraquara, Ribeirão Preto e Barretos.

O Plano São Paulo é dividido em cinco fases que vão do nível máximo de restrição de atividades não essenciais (Vermelho) a etapas identificadas como controle (Laranja), flexibilização (Amarelo), abertura parcial (Verde) e normal controlado (Azul). O plano divide o estado em 17 regiões e cada uma delas é classificada em uma fase do plano, dependendo de fatores como capacidade do sistema de saúde e a evolução da epidemia.

Casos

O estado de São Paulo vem registrando um grande avanço da pandemia pelo estado e, durante toda esta semana, bateu recordes no número de pessoas internadas em estado grave. Hoje (26), esse número somou 6.767 pessoas internadas em unidades de terapia intensiva (UTI), maior número desde o início da pandemia. Em julho do ano passado, que era considerado o pico da pandemia até então, esse número estava em 6.250, o que demonstra que o estado enfrenta agora o seu pior momento.

Durante essa semana epidemiológica, que só vai ser encerrada amanhã (27), o estado já vem registrando aumento de 6% no número de casos, com média móvel diária de 9.117 casos da doença. “Esse número de casos ainda pode ser maior por dois motivos: ainda não acabamos a semana epidemiológica e pode haver dados represados”, disse o secretário estadual da saúde, Jean Gorinchteyn.

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O número de novas internações vem crescendo 13%, com média de 1.740 internações por dia; e o número de óbitos vem registrando aumento de 4%, com média diária de 231 mortes.

Além do crescimento de internações, o Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo vem notando que a situação dos pacientes do novo coronavírus, neste momento, está evoluindo de forma mais grave. No pico da pandemia, em julho do ano passado, 40% dos pacientes internados no estado estavam em UTIs. Nesse momento, do total de internados, 46% dos pacientes estão em estado grave. “Estamos internando mais em unidades de terapia intensiva do que antes”, disse Gorinchteyn.

Hoje, dia que se completa um ano do primeiro caso registrado no Brasil, o estado de São Paulo somou 2.026.125 casos confirmados do novo coronavírus, com 59.129 óbitos. O estado demorou de fevereiro a outubro para registrar seu primeiro 1 milhão de casos [marca atingida no dia 3 de outubro), mas agora, em apenas quatro meses (entre novembro e fevereiro) registrou essa mesma cifra, o que demonstra que a pandemia está crescendo em ritmo mais rápido nesse momento. “Estamos fazendo o nosso melhor, mas tudo tem limite. Temos risco de colapsar [o sistema de saúde]. A população, mais do que nunca, tem que acolher os nossos chamados e pedidos [de usar máscara e evitar aglomerações e sair de casa]”, disse Gorinchteyn.

Edição: Valéria Aguiar

Fonte: EBC Saúde

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