Momento Saúde

Estudo: dislexia não é um distúrbio, mas uma adaptação para a evolução

Publicados

em

A dislexia não é um distúrbio, mas uma adaptação essencial para a nossa sobrevivência, diz estudo
Getty Images

A dislexia não é um distúrbio, mas uma adaptação essencial para a nossa sobrevivência, diz estudo

A dislexia do desenvolvimento é considerada um distúrbio genético que dificulta o aprendizado, a leitura e a escrita. No entanto, um novo estudo afirma que a dislexia não é um distúrbio e sim uma parte da evolução da espécie humana, que teve um papel fundamental na nossa sobrevivência.

O cérebro de pessoas com dislexia apresenta alterações em redes neuronais que envolvem o reconhecimento de letras e a associação dessas letras com o som. Por outro lado, de acordo com pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, o cérebro dessas pessoas também é especializado em explorar o desconhecido. Esse ‘viés exploratório’ tem uma base evolutiva e desempenha um papel crucial em nossa sobrevivência como espécie.

Para chegar a essa conclusão, a equipe reexaminou estudos experimentais em psicologia e neurociência que envolviam cognição, comportamento e cérebro. Os resultados foram evidenciados em todos os domínios de análise, do processamento visual à memória. Esta é a primeira vez que uma abordagem interdisciplinar usando uma perspectiva evolutiva é aplicada na análise de estudos sobre dislexia.

As novas descobertas, publicadas na revista Frontiers in Psychology, são explicadas no contexto da “cognição complementar”, uma teoria que propõe que nossos ancestrais evoluíram para se especializar em maneiras de diferentes, mas complementares, de pensar o que aumenta a capacidade humana de se adaptar por meio da colaboração.

Os pontos fortes do cérebro disléxico podem ter evoluído à medida que os humanos se adaptaram a um ambiente em mudança. Para sobreviver, precisávamos aprender habilidades e adquirir hábitos específicos, mas também precisávamos ser criativos e encontrar novas soluções por meio da exploração.

Como o cérebro tem capacidade limitada, a única maneira de melhorar a adaptação era especializando-se em diferentes estratégias. Dessa forma, algumas pessoas se tornaram mais especializadas em absorver todo o conhecimento existente, enquanto outras se concentraram mais em descobertas e invenções.

Leia Também:  Langya: novo vírus já contaminou 35 pessoas na China

“Encontrar o equilíbrio entre explorar novas oportunidades e explorar os benefícios de uma escolha específica é a chave para a adaptação e sobrevivência e sustenta muitas das decisões que tomamos em nossas vidas diárias”, disse Helen Taylor, uma das autoras do estudo.

Isso ajudaria a explicar por que pessoas com dislexia têm dificuldades com tarefas relacionadas à ler e escrever, mas parecem ter facilidade para profissões que exigem habilidades relacionadas à exploração, como artes, arquitetura, engenharia e empreendedorismo.

Com base nessas descobertas, os pesquisadores argumentam que precisamos mudar nossa perspectiva e parar de olhar para a dislexia através de uma lente negativa, como um distúrbio neurológico, mas simplesmente como um funcionamento diferente do cérebro, que é fundamental para a sobrevivência da espécie humana.

“Essa questão de que os transtornos do desenvolvimento, como autismo e dislexia, devem ser analisados de uma perspetiva de potencialidade em vez de fragilidade é muito interessante para reduzir o estigma e procurar entender o cérebro como uma estrutura que busca adaptação”, diz a psicóloga Claudia Berlim de Mello, docente do departamento de psicobiologia da Unifesp .

Para Telma Pantano, fonoaudióloga e psicopedagoga da semi-internação do IPq – Instituto de Psiquiatria da USP, o que esse artigo traz de uma forma bem interessante é a importância de termos uma visão diferente do que consideramos patologia.

“Quando falamos de diagnósticos de neurodesenvolvimento, como os de aprendizagem, estamos falando que de cérebros que funcionam de forma diferente, não de neurônios mortos. O grande ponto é o quanto esse funcionamento diferente causa sofrimento para a pessoa, no ambiente em que ela está”, diz Pantano.

Cerca de 20% da população mundial tem dislexia, independentemente do país, cultura e região. O diagnóstico costuma ocorrer na infância, quando começa a alfabetização. Os sinais incluem trocar letras, principalmente quando elas possuem sons parecidos; pular ou inverter sílabas na hora de ler ou escrever; erros constantes de ortografia, entre outros.

Leia Também:  Vírus da Varíola dos Macacos pode sobreviver no sêmen por 20 dias

Isso porque o sistema educacional não está preparado para que essas crianças. Justamente por se tratar de uma forma diferente do funcionamento do cérebro, não há cura para a dislexia. O tratamento envolve principalmente criar estratégias para que elas consigam superar as dificuldades e aprender a ler e escrever. Mesmo assim, Pantando explica que para uma pessoa com dislexia, a leitura nunca será um processo “automático” como é para aqueles sem a alteração.

Como em todo distúrbio, existem diversos graus de intensidade. Para algumas crianças, a dificuldade de aprendizado na escola pode trazer um grande sofrimento.

Mello alerta para a necessidade de haver uma mudança no sistema de alfabetização, que considere essas diferentes formas de funcionamento cerebral e adotem alternativas para que essas crianças consigam consolidar as habilidades de leitura.

“A dislexia precisa de uma abordagem sistêmica, que envolve a criança, os professores e os pais e mudanças nos modelos de ensino, para que eles sejam adequados ao ritmo dessas crianças” ressalta a psicóloga.

“Temos que ter na dislexia uma intervenção sistemática, que envolve a criança, os professores, os pais e alterar os padrões de ensino que sejam adequados ao ritmo dessas crianças.”

Entre no  canal do Último Segundo no Telegram e veja as principais notícias do dia no Brasil e no Mundo.  Siga também o  perfil geral do Portal iG.

Fonte: IG SAÚDE

Propaganda

Momento Saúde

Covid-19: Brasil registra 220 mortes e 27,6 mil casos em 24 horas

Publicados

em

As secretarias estaduais e municipais de Saúde registraram 27.644 novos casos de covid-19 na últimas 24 horas em todo o país. De acordo com os órgãos, foram confirmadas também 220 mortes por complicações associadas à doença no mesmo período. 

Os dados estão na atualização do Ministério da Saúde divulgada nesta quinta-feira (11), com exceção do dado de óbitos do estado do Mato Grosso do Sul, que não foi informado, de acordo com a pasta federal. 

Com as novas informações, o total de pessoas infectadas pelo novo coronavírus durante a pandemia já soma 34.124.579.

O número de casos em acompanhamento de covid-19 está em 515.811. O termo é dado para designar casos notificados nos últimos 14 dias que não tiveram alta nem resultaram em óbito.

Com os números de hoje, o total de óbitos alcançou 681.006, desde o início da pandemia. Ainda há 3.232 mortes em investigação. As ocorrências envolvem casos em que o paciente faleceu, mas a investigação se a causa foi covid-19 ainda demanda exames e procedimentos complementares.

Leia Também:  Monkeypox: Conass pede ao MS que declare emergência em saúde pública

Até agora, 32.927.762 pessoas se recuperaram da covid-19. O número corresponde a pouco mais de 96% dos infectados desde o início da pandemia.

Estados

Segundo o balanço do Ministério da Saúde, no topo do ranking de estados com mais mortes por covid-19 registradas até o momento estão São Paulo (173.523), Rio de Janeiro (75.130), Minas Gerais (63.239), Paraná (44.776) e Rio Grande do Sul (40.616).

Já os estados com menos óbitos resultantes da pandemia são Acre (2.023), Amapá (2.153), Roraima (2.165), Tocantins (4.189) e Sergipe (6.421).

Vacinação

Até esta quinta, o vacinômetro do Ministério da Saúde apontava um total de 470.954.665 doses de vacinas contra covid-19 aplicadas no país, desde o início da campanha de imunização. Destas, 178,6 milhões como primeira dose, 159,7 milhões como segunda e 4,9 milhões como dose única. A dose de reforço já foi aplicada em mais de 104,1 milhões de pessoas e a segunda dose extra ou quarta dose, em pouco mais de 18,5 milhões. O painel registra ainda 4,7 milhões de doses como “adicionais”, que são aquelas aplicadas em quem tinha recebido o imunizante da Janssen, de dose única.

Boletim epidemiológico do Ministério da Saúde atualiza os números da pandemia de covid-19 no Brasil. Boletim epidemiológico do Ministério da Saúde atualiza os números da pandemia de covid-19 no Brasil.

Boletim epidemiológico do Ministério da Saúde atualiza os números da pandemia de covid-19 no Brasil. – Ministério da Saúde

Leia Também:  Dieta Cetogênica e saúde bucal

Edição: Lílian Beraldo

Fonte: EBC Saúde

Continue lendo

MOMENTO POLICIAL

MOMENTO DESTAQUE

MOMENTO MULHER

MAIS LIDAS DA SEMANA

Botão WhatsApp - Canal TI
Botão WhatsApp - Canal TI