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Hospitais do SUS se mobilizam para aumentar segurança com pacientes

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Típicas de doenças que geram condições incapacitantes ou limitantes, as chamadas escaras de decúbito ou úlceras de pressão, são lesões comuns em pessoas que não conseguem se movimentar por um longo período de tempo. De estágios iniciais de vermelhidão até bolhas e feridas profundas – que podem necrosar a pele ou os músculos -, as escaras são uma preocupação constante de profissionais de saúde que supervisionam pacientes imóveis, tanto em casa quanto em hospitais.

Para trazer visibilidade ao tema e aos cuidados gerais de higiene necessários para profissionais de saúde, o hospital filantrópico Moinhos de Vento, localizado em Porto Alegre (RS), lançou o projeto Paciente Seguro. A iniciativa foi criada com intermédio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS) e visa mobilizar trabalhadores da área de todo o Brasil com atividades educativas e capacitação, em uma espécie de maratona de higiene e cuidados. As escaras foram tema de um dos quizzes realizado pela campanha, que contabiliza 119 atividades com mais de 13 mil profissionais desde a inauguração, em 2018.

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“Não esperávamos uma resposta tão positiva. As atividades geraram grande motivação das equipes dos hospitais”, informa Daniela Santos, líder do projeto Paciente Seguro. Segundo Daniela, a iniciativa traz  leveza e descontração para o tema, que é especialmente difícil no contexto da pandemia de covid-19.

Mãos higienizadas

Segundo dados da campanha, o projeto conseguiu reduzir em 57% a incidência de escaras em pacientes dos hospitais participantes. A conscientização sobre a higiene constante das mãos também cresceu 55%.

Os webinars semanais da iniciativa também já abordaram outros temas, como Cuidar de Quem Cuida, Farmácia e Trabalho em Equipe, além de lesões por pressão. Trabalhadores e funcionários de saúde dos 52 hospitais participantes têm acesso a 14 aulas presenciais, 72 vídeos educativos, 102 ferramentas de apoio à qualidade e 13 jogos que abordam as metas de segurança.

Impacto

Os números do projeto mostram que, de janeiro de 2018 a julho de 2020, a campanha Paciente Seguro evitou 6.400 episódios de infecções relacionadas à assistência de saúde, o que gerou economia de R$ 291 milhões ao Sistema Único de Saúde (SUS). Infecções relacionadas a cateteres venosos caíram 51% e infecções urinárias caíram 68%. O número de pneumonias nos hospitais participantes também foi reduzido significativamente, em cerca de 60%.

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O projeto tem duração prevista até 19 de novembro, quando será encerrado em um seminário internacional sobre o tema. Até lá, os organizadores planejam lançar 2 cursos de ensino à distância, de 8 horas de duração cada, para habilitar profissionais em atenção primária.

Edição: Maria Claudia

Fonte: EBC Saúde

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O que é o treinamento de olfato que combate um dos sintomas da Covid-19

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BBC News Brasil

Menina cheirando flores

Getty Images
A que se deve a perda de olfato e qual é seu impacto emocional?

“É como se uma barreira invisível separasse você da realidade”, diz Saulo.

“É como se minhas memórias tivessem sido apagadas”, acrescenta Ana.

“Tudo tem o mesmo cheiro para mim”, completa Virginia.

Saulo e Ana são brasileiros. Já Virginia é mexicana, mas mora nos Estados Unidos. Em comum, todos os três perderam o olfato e, em alguns casos, o paladar, devido ao novo coronavírus.

A BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC, entrou em contato com eles por meio do AbScent.org, um site que oferece ajuda para aqueles que ficaram, total ou parcialmente, sem a capacidade de perceber odores.

“Em 13 de março, havia cerca de 1,5 mil pessoas no grupo do Facebook”, diz Chrissi Kelly, fundadora da AbScent, à BBC News Mundo.

“Agora tenho três grupos no Facebook com cerca de 11 mil membros no total. Eles começaram a entrar em contato comigo de repente do Irã, Itália, Espanha e, em seguida, um monte de pessoas da América Latina.”

Mulher inala cheio de um frasco

Science Photo Library
Especialistas recomendam exercícios de reabilitação do olfato

“Nos tornamos um termômetro do impacto do coronavírus.”

No AbScent, os usuários encontram informações sobre um tratamento que, embora já fosse oferecida antes de covid-19, está ganhando popularidade devido à pandemia.

A terapia é um “treinamento olfativo”, uma série de exercícios para restaurar a percepção dos cheiros e, no caso de muitas pessoas, devolver normalidade a suas vidas.

Perda de olfato e causas

Várias pesquisas já estabeleceram uma conexão entre a perda do olfato e o novo coronavírus.

“Em nosso estudo, que foi realizado em 15 hospitais em toda a Espanha, de 989 pacientes com covid-19, 53% tiveram alteração no olfato”, diz Adriana Izquierdo Domínguez, alergista do Centro Médico Teknón em Barcelona e integrante da Sociedade Espanhola de Otorrinolaringologia (SEORL).

Mas o novo coronavírus é apenas o mais recente em uma longa lista de possíveis causas.

Saulo Segreto faz o tratamento há mais de quatro meses. “Depois de perder meu olfato, sinto como se uma barreira invisível me separasse da realidade.”

Patricia Portillo Mazal, otorrinolaringologista e especialista em olfato e paladar do Hospital Italiano de Buenos Aires, explica que “uma das causas mais frequentes de perda do olfato são as infecções virais, como resfriados e gripes”.

Outra origem comum são os golpes na cabeça ou no rosto que danificam alguma parte do sistema olfativo, acrescenta.

Às vezes, o motivo da perda do olfato não é identificado, que também pode apresentar graus diferentes.

“Fala-se em anosmia, quando não se percebe cheiro, e em hiposmia, quando a percepção é parcial”, explica Portillo Mazal.

“Mas às vezes o mais limitante ainda é a chamada parosmia, os cheiros distorcidos, quando um café tem um cheiro diferente para você do que você lembrava, muitas vezes de algo desagradável.”

“E dentro da parosmia existe até a fantosmia, que é sentir um cheiro que não existe, mas que você percebe.”

Impacto emocional

A perda do olfato pode afetar profundamente o bem-estar de uma pessoa, a exemplo do que aconteceu com Chrissi Kelly, criadora do AbScent.

Kelly, que nasceu nos Estados Unidos e mora na Inglaterra, perdeu o olfato devido a uma infecção viral em 2012.

“Entre seis e nove meses depois, caí em depressão profunda”, diz ela à BBC Mundo.

“Há algo fundamental que eu gostaria que as pessoas entendessem. Perder o olfato é um duro golpe para o seu bem-estar. Afeta todos os aspectos da sua vida. Você sente como se tivesse perdido o sentido de quem você era”, acrescenta.

Chrissi Kelly

Arquivo pessoal
Chrissi Kelly é fundadora da AbScent. “Há algo fundamental que gostaria que as pessoas entendessem. Perder o olfato é um golpe para o seu bem-estar, afeta todos os aspectos da sua vida.”

Depois de consultar médicos que “examinaram seu nariz sem apresentar soluções”, Kelly começou a procurar informações e a participar de conferências especializadas.

Em uma delas, ela conheceu Thomas Hummel, especialista do Centro de Olfato e Paladar da Universidade de Dresden, na Alemanha.

Hummel foi o primeiro cientista a publicar, em 2009, um estudo avaliando a eficácia do treinamento olfativo.

“Quando contei minha história a Hummel, ele ouviu com compaixão por meia hora. Foi a primeira vez que falei com alguém que me compreendia.”

Kelly começou a frequentar os cursos que o especialista alemão ministrava para especialistas e em 2015 acabou fundando a AbScent.

O site conta com um canal no YouTube com vídeos explicativos e, mais recentemente, passou a disponibilizar guias em espanhol e português para usuários da América Latina.

Saulo, Ana e Virginia

Muitos leitores do AbScent, como Saulo, Ana e Virginia, afirmam ter encontrado no site o apoio que Kelly experimentou ao ser ouvida por Hummel.

“Procurei três otorrinolaringologistas, um neurologista e um pneumologista. Inclusive um deles me passou um antiepiléptico que me deixou bem mal. E através de buscas incansáveis na internet cheguei ao AbScent, que foi fundamental para manter a calma e encontrar suporte”, diz Saulo Segreto, que mora no Rio de Janeiro.

Ana Carbone

Gentileza Ana Carbone
Ana Carbone: “Fico chateada porque não percebo cheiros como os da minha filha, um perfume, ou não sei se pode haver um vazamento de gás”.

Ele sofre de parosmia. “E todos os alimentos com muita gordura ou fritos têm cheiro de queimado”, diz ele.

“Tenho sentido um cheiro ‘esquisito’ ultimamente; é como um cheiro de ‘terra’, misturado a um cheiro de condimento, e eu sinto esse mesmo cheiro em várias coisas. Isso tem me deixado nauseada, é como se eu ouvisse a mesma música 24 horas”, acrescenta Ana Carbone, de São Paulo, que sofre do mesmo problema.

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“Não sinto cheiro da minha filha, nem meu próprio cheiro, não sei se estou com cheiro de perfume, ou se minhas mãos estão com cheiro da comida que preparei, por exemplo. Se minha casa está perfumada. Se tem vazamento de gás…”, lamenta.

No caso de Virginia Mata, algumas experiências são até difíceis de descrever.

“Passei o dia 23 de agosto sem conseguir cheirar nada para então sentir um cheiro estranho. Não sei dizer o que é, apenas que é algo estranho.”

“A perda do olfato devido ao coronavírus fez a carne ficar com gosto de gasolina para mim”, acrescenta.

Treinamento olfativo

Não se sabe desde quando a técnica de treinamento olfativo já existe, mas clinicamente ela tem sido usada há cerca de uma década.

A reabilitação consiste basicamente em inalar diferentes odores, concentrando a mente, pelo menos duas vezes ao dia.

“Tem que ser todos os dias, e são inalações curtas, mais ou menos de 20 segundos”, explica Portillo Mazal.

Patricia Portillo Mazal

Arquivo pessoal
Patricia Portillo Mazal, médica do Hospital Italiano de Buenos Aires, faz com que os pacientes preparem seus próprios kits

Geralmente, quatro frascos com cheiros diferentes são usados em cada exercício.

Os quatro aromas usados por Hummel em seus primeiros estudos foram rosa, limão, cravo e eucalipto, mas outras substâncias podem ser usadas.

Portillo Mazal faz com que seus pacientes preparem seus próprios kits.

“Tenho duas variantes. Uma é com óleos, que podem ser de frutas, flores, hortelã-pimenta, ou coisas como lavanda, tomilho ou cravo. Os pacientes põem cerca de 40 gotas em um algodão ou em um pedaço de papel, repetindo o procedimento de vez em quando”.

“A outra opção é um kit com as coisas da casa: mando meus pacientes prepararem potes com café, sabão em pó, orégano ou chocolate picado, por exemplo.”

Frascos de vidro escuro com essência de rosa, limão, cravo e eucalipto

AbScent
Kelly recomenda o uso de potes escuros para que a luz não afete os óleos perfumados. E ele aconselha não cheirar diretamente dos frascos conta-gotas, pois eles limitam a dispersão dos odores

Um dos centros que oferece este tipo de reabilitação na Espanha é a Unidade de Treinamento Olfativo do Hospital Quirónsalud Sagrado Corazón de Sevilha.

“Por duas ou três semanas, submetemos os pacientes a odores e concentrações diferentes por 15 a 20 minutos”, diz o rinologista Juan Manuel Maza, diretor do centro e cirurgião da base do crânio do Hospital Universitário Virgen Macarena de Sevilha.

Técnica mede olfato de paciente

Quiron Salud
Um dos centros de reabilitação na Espanha é a Unidade de Treinamento Olfativo do Hospital Quirónsalud Sagrado Corazón de Sevilha

“Podemos treinar a diferenciação. Com um estímulo repetido, fazemos o paciente começar a identificar e discriminar esse odor.”

“E depois de três semanas, os pacientes podem ter acesso a odores ou fórmulas que coletam em diferentes farmácias e dedicam aproximadamente três minutos por dia ao treinamento.”

Concentração

Um aspecto fundamental do treinamento é fazer os exercícios com grande foco.

“Você tem que estar completamente focado naquele minuto e meio de exercícios, sem pensar no que você tem que fazer naquele dia”, diz Portillo Mazal.

Chrissi Kelly também recomenda evocar memórias.

Virginia Mata

Arquivo pessoal
Virginia Mata: “Existem coisas que você simplesmente dá como certas até não as ter mais, como o cheiro do seu perfume favorito ou uma pizza recém-entregue por um entregador.”

“Ao abrir a garrafa com óleo de limão, mesmo que não sinta cheiro algum, feche os olhos e lembre-se de todos os detalhes de quando cheirou ou comeu um limão.”

“E você deve estar atento a qualquer mensagem olfativa que perceber , mesmo que não seja a esperada.”

Mesmo quando não está concentrada em seus exercícios, Virginia Mata frequentemente tenta “evocar um momento, algum sentimento”.

“Por exemplo, sempre que está chovendo, tento me lembrar do cheiro de terra úmida que imediatamente me lembra aqueles dias caóticos de chuva e trânsito na Cidade do México.”

Resultados

“Em geral, cerca de 60% das pessoas que perdem o olfato o recuperam até certo ponto”, diz Thomas Hummel à BBC News Mundo.

“E o que nossos estudos mostram de forma convincente é que com o treinamento olfativo a taxa de recuperação dobra. Ou seja, as pessoas se recuperam de forma mais rápida e completa”, acrescenta.

Em alguns casos, “recuperar” não significa sentir o mesmo cheiro novamente.

“Às vezes é como se você estivesse em um país estranho, há cheiros que são como uma nova realidade”, diz Kelly.

Médica Adriana Izquierdo Domínguez

Arquivo pessoal
Médica Adriana Izquierdo Domínguez: “Há muitos pacientes com covid-19 que estamos atendendo na consulta que estão na clínica há quatro ou cinco meses e ainda não recuperaram o cheiro ou o recuperaram muito parcialmente”.

Zara Patel, professora de otorrinolaringologia e cirurgia da base do crânio na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, também investigou a eficácia da terapia olfativa.

“A principal conclusão dos meus estudos é que o treinamento olfativo traz um benefício significativo”, diz ela.

“E quando combinado com budesonida, um esteroide tópico, o treinamento ajuda até metade dos pacientes com disfunção olfatória.”

“50% pode não parecer muito, mas pense que isso é um avanço em relação à situação de 10 anos atrás, quando literalmente não tínhamos nada a oferecer a esses pacientes.”

Maza diz, por sua vez, que “entre 45 a 70% dos pacientes” se recuperam.

Em relação à duração do treinamento, Hummel fala de um período mínimo de seis a nove meses.

No caso de Portillo Mazal, o especialista argentino diz a seus pacientes: “Colocamos como meta seis meses antes de dizer que o tratamento não funciona”.

“Digo a eles que, com sorte, em dois meses eles terão percepções momentâneas. Ou de repente sentirão o cheiro de pão, e olharão e haverá uma padaria.”

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Motivos

Mas como explicar que inalar algo sem sentir seu odor pode ajudar a recuperar o olfato?

Para entender o motivo, a primeira coisa a lembrar é que o sistema olfativo engloba uma série de órgãos, inclusive o cérebro.

“Na parte interna superior do nariz, estão as primeiras células que captam informações, os chamados neurônios receptores olfativos”, explica Portillo Mazal.

“A viagem começa aí, e dessa célula a informação vai para o cérebro, onde a primeira parada é o bulbo olfatório, um centro pequeno, mas de transmissão e comando.”

“Dali a informação segue para o resto do cérebro. Uma primeira parada é o cérebro mais primitivo, o das emoções. Outra é na área que permite identificar ou discriminar um cheiro do outro”.

“E também vai para uma zona de memória emocional de longo prazo, que é o que faz você sentir o cheiro de um chocolate e se lembrar daquela primeira vez com sua avó.”

Base científica

Uma das chaves que explicam a eficácia da reabilitação é que o sistema olfativo tem uma capacidade extraordinária de regeneração.

“Uma característica do olfato que não vemos em outros sentidos é sua plasticidade”, explica Hummel à BBC Mundo.

“Os neurônios receptores olfatórios estão em constante regeneração”.

Junto com esses neurônios receptores, existem também dois tipos de células.

“As células de suporte ajudam os neurônios a funcionar corretamente”, diz Portillo Mazal.

“E há também as chamadas células basais, que são totipotentes como as famosas células-tronco e que podem ser transformadas em qualquer uma das outras duas, células de suporte ou neurônios.”

Zara Patel explica que “as células basais produzem novos neurônios receptores olfativos ao longo de nossas vidas. Ao estimulá-las repetidamente com a exposição a odores, estamos tentando dizer a elas para ‘acordarem’.”

Juan Manuel Maza

Arquivo pessoal
Juan Manuel Maza: “O olfato é um sentido que também está intimamente ligado ao paladar, e parte dos cheiros pode ser reconhecida com alguns quimiorreceptores na língua”

A estimulação também produz mudanças no cérebro.

“Ao mesmo tempo, acreditava-se que a regeneração ocorria apenas em neurônios na camada superior interna do nariz”, diz Portillo Mazal.

“Mas graças à ressonância funcional, percebeu-se que o cérebro também fica mais ágil, consegue fazer mais com as poucas informações que recebe, então a melhora também se deve à plasticidade ao nível do cérebro”.

Maza lembra que em alguns casos é até possível recorrer a terapias alternativas.

“O olfato é um sentido que também está intimamente ligado ao paladar, e parte dos cheiros pode ser reconhecida com alguns quimiorreceptores na língua que dependem de outros nervos que não necessariamente estão danificados.”

Portillo Mazal observa que o treinamento olfativo visa melhorar o paladar, assim como o olfato, porque o paladar é em grande parte constituído pelo olfato.

“Costumo dizer aos meus pacientes que se eles estão fazendo o exercício de cheirar o café, por exemplo, devem fazê-lo duas vezes por dia, ao saborear a bebida”.

“Quando você faz exercícios com algo que não pode comer (sabonete, por exemplo) você pode inalar pela boca, segurar por alguns segundos e exalar pelo nariz.”

Enigma

Uma das grandes questões em torno do novo coronavírus é por que alguns pacientes recuperam o olfato em menos de duas semanas, enquanto outros perdem a função por meses.

Pessoas caminhando na rua de máscara

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Algumas pessoas com covid-19 recuperam o olfato em menos de duas semanas, mas em outras a recuperação é muito mais complexa

Hummel levanta uma possível explicação.

“O novo coronavírus demonstrou afetar as células da glia”, explicou o especialista.

“Trata-se apenas de uma hipótese, mas pode ser que em algumas pessoas apenas essas células morrem, e os restos dessas células causam inflamação que afeta os neurônios receptores. Mas quando a inflamação aguda diminui, os neurônios ainda funcionam”.

“Em outras pessoas, por outro lado, a inflamação é tão forte que também mata os neurônios receptores olfativos, tornando a recuperação muito mais longa e difícil.”

No caso do levantamento realizado em 15 hospitais da Espanha, “na época do estudo, 45% dos pacientes já haviam recuperado o olfato espontaneamente”, explica Izquierdo Domínguez.

“Mas há muitos pacientes que estamos atendendo no consultório que apresentam esse sintoma há quatro ou cinco meses e ainda não recuperaram o olfato ou o recuperaram parcialmente.”

Não desista

Quatro meses após iniciar o treinamento olfativo, Saulo garante que seu olfato “está em 80%”.

Ana ainda percebe cheiros estranhos e sente que está “reaprendendo cada cheiro”.

Casal cheirando frutas no mercado

Science Photo Library
“A memória olfativa é um tesouro e às vezes é pouco valorizada”, diz Virginia Mata

Virginia admite sentir-se frustrada, “porque o tratamento é um processo lento, mas também há dias bons em que percebo uma nota diferente no ar e que me incentiva a continuar”.

Quanto a Chrissi Kelly, a fundadora da AbScent perdeu o olfato novamente neste ano por causa da covid-19. E embora ele tenha voltado em grande parte, ela ainda sofre de parosmia.

O fundamental, para Portillo Mazal, é não desanimar.

“Isso pode levar muito tempo. Não podemos prometer que todos vão melhorar, mas eu não me daria por vencida.”

“É preciso tentar, e isso é difícil, conseguir o equilíbrio entre começar o tratamento sem se deixar levar pela ansiedade, sabendo que talvez daqui a alguns meses você perceberá alguma mudança”.


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Fonte: IG SAÚDE

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