Existem dores que não cabem em diagnósticos. Sentimentos que escapam das explicações técnicas e encontram abrigo apenas na memória, na música, na escrita ou em uma conversa acolhedora. Para reconhecer essas experiências e ampliar os espaços de escuta sobre a finitude, o Ministério da Saúde lançou a primeira edição do Concurso Nacional de Contos e Poesias da Política Nacional de Cuidados Paliativos, que terá como tema “Luto no Brasil: narrativas do cuidado e da finitude”.
A iniciativa irá selecionar 30 textos inéditos para compor uma coletânea digital dedicada às diferentes formas de vivenciar, elaborar e significar o luto. Aberto a pessoas de todas as idades, o concurso busca valorizar histórias, reflexões e experiências relacionadas à perda, aos vínculos, ao cuidado e à memória, reconhecendo que a finitude faz parte da experiência humana e que compartilhar narrativas também é uma forma de acolhimento.
A proposta integra as ações de fortalecimento da Política Nacional de Cuidados Paliativos e convida a sociedade a refletir sobre um tema que atravessa a vida de todas as pessoas, mas que muitas vezes ainda encontra barreiras para ser discutido de forma aberta e acolhedora.
Para a coordenadora do Núcleo Nacional de Cuidados Paliativos, Gabriela Hidalgo, o concurso representa uma oportunidade de ampliar o diálogo sobre o luto e construir, coletivamente, novas formas de compreender a finitude.
“Ao lançar este concurso, queremos ampliar os espaços de escuta e expressão sobre o luto. Cada narrativa compartilhada ajuda a construir uma compreensão mais humana sobre a finitude e fortalece a cultura do cuidado em nossa sociedade”, afirma.
O lançamento do edital ocorreu durante o Webinário “A arte na vivência do luto: escrita, música e outras linguagens”, promovido pelo Ministério da Saúde. O encontro reuniu especialistas, pesquisadores, profissionais de saúde, artistas e representantes da sociedade para discutir como diferentes expressões artísticas podem contribuir para a elaboração das perdas, a preservação das memórias e a construção de novos sentidos para a vida.
Ao longo dos debates, ficou evidente que o luto não se resume à experiência da ausência. Ele também envolve a continuidade dos vínculos, a ressignificação das lembranças e a busca por caminhos que permitam seguir adiante. Nesse processo, a arte surge como uma linguagem capaz de acolher aquilo que muitas vezes não encontra espaço nas palavras.
Na abertura do evento, o diretor do Departamento de Atenção Especializada e Temática (DAET), Arthur Mello, destacou que falar sobre arte e luto é falar sobre aquilo que existe de mais humano na experiência do cuidado. Segundo ele, a Política Nacional de Cuidados Paliativos busca promover qualidade de vida e aliviar o sofrimento em suas diferentes dimensões — física, emocional, social e espiritual — reconhecendo que o cuidado também alcança familiares e pessoas que compartilham a trajetória de quem enfrenta uma doença grave.
“A arte nos ajuda a expressar aquilo que muitas vezes não conseguimos traduzir em palavras. Ela acolhe a dor da perda, preserva memórias e nos lembra que o cuidado não termina diante da finitude. Cuidar também é apoiar familiares e amigos em sua travessia pelo luto”, afirmou.
Para Arthur, reconhecer o luto como parte da experiência humana também significa compreender que o amor e os vínculos construídos ao longo da vida permanecem presentes, mesmo diante da ausência.
Serviço
1º Concurso Nacional de Contos e Poesias da Política Nacional de Cuidados Paliativos
Período de inscrição: 19 de junho a 3 de julho
Quem pode participar: Público Geral. Menores de 18 anos deverão apresentar autorização do responsável legal
Resultado: novembro de 2026
Coletânea digital: publicação prevista para dezembro de 2026
Acesse o edital do Chamamento Público
Patrícia Coelho
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde



































