Momento Saúde

RJ: regiões com Risco Amarelo para covid concentram 96% da população

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Subiu de 92% para 96% o percentual da população fluminense que vive em regiões com Bandeira Amarela, que indica baixo risco para covid-19 na classificação do governo estadual.

A atualização do mapa de risco para a doença foi divulgada hoje (3) à tarde pela Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 e mostra que as regiões da Baía da Ilha Grande e Noroeste ainda apresentam risco moderado, sinalizado pela Bandeira Laranja.

O mapa de risco começou a ser divulgado pelo governo do estado em 8 de julho. Na primeira avaliação, apenas o Norte Fluminense estava na Bandeira Amarela, e todas as outras cidades eram classificadas como Bandeira Laranja, de risco moderado. Nas três atualizações seguintes, cresceu o número de regiões em Bandeira Amarela, e, em 18 de agosto, apenas o Médio Paraíba e o Centro-Sul estavam na laranja.

A atualização divulgada hoje mostra que apesar de as duas últimas regiões terem passado da Bandeira Laranja para a Amarela, o Noroeste Fluminense e a Baía da Ilha Grande fizeram o movimento contrário.

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O estudo divulgado hoje pelo governo do estado analisa a Semana Epidemiológica 33 (9 de agosto a 15 de agosto) em relação à Semana Epidemiológica 31 (de 26 de julho a 1° de agosto).

Segundo o governo, o estado do Rio de Janeiro está na Bandeira Amarela. Justificam essa avaliação a taxa de ocupação de leitos e a variação do número de óbitos, que apresentou uma queda de 10,99%, em relação à última semana de julho, conforme a secretaria extraordinária.

Prevenção

O chefe de Gabinete da secretaria, Danilo Klein, destacou que é importante manter as medidas de prevenção, como evitar aglomerações. Apesar de a bandeira estadual ser resultado de oscilações de suas regiões, ele acredita que o estado pode manter a Bandeira Amarela por um período.

Para a classificação das bandeiras de risco, são considerados os seguintes indicadores: taxa de positividade de pacientes testados para o novo coronavírus; variação de casos e óbitos por síndrome respiratória aguda grave (SRAG); taxa de ocupação de leitos destinados a SRAG; previsão de esgotamento de leitos de UTI para SRAG.

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As recomendações de isolamento social para prevenir a transmissão da doença variam de acordo com cada nível de risco. A coloração das bandeiras de risco varia entre Roxa (risco muito alto), Vermelha (risco alto), Laranja (risco moderado), Amarela (risco baixo) e Verde (risco muito baixo).

Na Bandeira Amarela, o uso de máscaras é obrigatório, e outras medidas de flexibilização são previstas, como a retomada das atividades em shoppings, atividades desportivas e academias, com limitações de espaço e protocolos de higiene.

Edição: Wellton Máximo

Fonte: EBC Saúde

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Como a pandemia pode acelerar a desindustrialização do Brasil

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BBC News Brasil

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Camilla Veras Mota – @cavmota – Da BBC Brasil em São Paulo

Desempenho da indústria*. Em países selecionados – janeiro a junho/julho de 2020. *Com ajuste sazonal frente a igual período do ano anterior (exceto China).

A covid-19 parou o mundo e derrubou a atividade industrial em dezenas de países, ricos, emergentes e pobres.

Os dados divulgados neste mês pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido) mostram quedas de dois dígitos em todas as regiões.

Levando em consideração o segundo trimestre deste ano, que concentrou a maior parte das perdas, o tombo foi de 12,9% na Ásia, de 16,5% na América do Norte, de 19,3% na Europa e de expressivos 24,2% na América Latina, quando se compara ao mesmo período do ano passado.

No ranking de países elaborado pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) com base dados da Unido e antecipado à BBC News Brasil, o Brasil aparece em 26º lugar entre 43 países, levando-se em consideração o intervalo de janeiro a junho ou a julho, a depender do país.

Nesse intervalo, a atividade industrial contraiu 9,7%, desempenho que coloca o país no lado de baixo da lista, mas ainda à frente de países europeus que amargaram resultados ainda piores: Portugal (-12,1%), Alemanha (-14,5%), Espanha (-15,2%), França (-15,4%) e Itália (-18,3%), que aparece em último lugar.

A magnitude menor pode dar a falsa sensação de que a posição do Brasil é mais confortável.

Mas, para o economista responsável pelo estudo, Rafael Cagnin, mesmo que o país mantivesse os mecanismos que suavizaram os choques negativos da covid-19 e retomasse a agenda de reformas, como a tributária, a situação do Brasil ainda seria “mais adversa”.

Isso porque, avalia ele, a pandemia deve acelerar dois processos que já vinham fazendo o país perder espaço na indústria global.

A indústria 4.0 e o ‘reshoring’

Na última década, o avanço tecnológico permitiu que indústrias em todo o mundo passassem por profundas mudanças.

Processos antes realizados por dezenas de trabalhadores foram automatizados, o armazenamento e processamento de dados em nuvem permitiu que as empresas minimizassem perdas e tornassem alguns processos mais eficientes (o que, em última instância, ajuda a aumentar as margens de lucro).

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O Brasil vem passando ao largo dessas transformações, que caracterizam a chamada indústria 4.0.

Mais que isso, o país vem passando por um processo de desindustrialização, diz Cagnin. Isso é visível não apenas pela perda de participação do setor no Produto interno Bruto (PIB), mas também na participação na indústria global e na fatia que os manufaturadores representam nas exportações, que é cada vez menor.

“A desindustrialização é multifacetada e aparece em todos os prismas”, diz o economista.

“Isso pode ser agravado de forma muito profunda com esse salto que pode ser dado agora (pela indústria global)”, ele completa.

Isso porque o uso cada vez mais intensivo de tecnologia na indústria e a transformação do setor devem ser acelerados no pós-pandemia, já que o mundo inteiro estará em busca de recuperar o mais rápido possível as perdas amargas de 2020.

Navio chinês

Arnaldo Alves/ ANPr
O ‘reshoring’ se caracteriza pela aproximação entre produção e mercados consumidores, que reduz custo financeiro e ambiental do frete

E não só isso. O pós-crise também deve intensificar, na avaliação do economista, um processo que vinha se consolidando nos últimos anos, o chamado ” reshoring ” — o contrário do ” offshoring “, o movimento de saída de muitas indústrias de países ricos para emergentes que marcou as últimas décadas.

A lógica do ” reshoring ” não é apenas trazer de volta empregos que foram “exportados”, mas atender a uma exigência cada vez mais forte dos consumidores para que o processo produtivo seja sustentável.

Aproximar a produção dos mercados consumidores reduz os custos de frete e permite que as empresas acompanhem de perto cada etapa da produção e adotem critérios rígidos tanto em relação às leis trabalhistas quanto ao meio ambiente.

“E o plano de recuperação da União Europeia tem claramente um ‘eixo de recuperação verde’, um ‘ green new deal ‘”, destaca, referindo-se ao programa anunciado no último dia 21 de julho, que dá as diretrizes para o orçamento do bloco para os próximos sete anos.

A tecnologia pode facilitar esse processo.

O custo de mão de obra mais elevado em países europeus e nos Estados Unidos está entre as principais razões que levaram à transferência de unidades produtivas para outras regiões, especialmente para o Sudeste Asiático. Agora, a robotização barateia a produção e abre espaço no orçamento para que as empresas arquem com os salários maiores dos trabalhadores localizados em seus países-sede. Em outras palavras, ela permitiria, do ponto de vista de custos, que uma fábrica que foi transferida para a China voltasse para a Alemanha, por exemplo.

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De maneira geral, o processo reduz o volume de empregos gerados pela indústria (daí o grande debate sobre o desemprego potencial gerado pela automação e pelo desenvolvimento tecnológico), mas passa a criar vagas nos países de origem das empresas.

“Quando você precisa acelerar crescimento econômico, esses movimentos todos se tornam convergentes.”

“E isso abre espaço para uma disrupção estrutural. Alguns países vão conseguir dar saltos de produtividade muito grandes e avançar mais rapidamente”, avalia.

Nesse cenário, o Brasil vai ficando para trás e sua indústria vai perdendo competitividade — o que contribui para que ela veja diminuir ainda mais seu espaço na estrutura produtiva global, aprofundando a desindustrialização.

Mulher trabalhando em uma fábrica

Getty Images
Entre 2011 e 2019, produção encolheu 15% no país e entrou em 2020 operando no mesmo nível de 2004

O desafio de ‘digerir’ uma crise após a outra

O desempenho da indústria brasileira em 2020 foi em parte poupado pelos programas criados para amortecer os efeitos da crise gerada pela pandemia.

De um lado, o auxílio emergencial sustenta uma parte da demanda dos consumidores. De outro, os programas de crédito dão algum fôlego para as empresas.

A Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF) do IBGE mostra, de certa forma, esses efeitos.

Desempenho da indústria*. Em países selecionados - janeiro a junho/julho de 2020. *Com ajuste sazonal frente a igual período do ano anterior (exceto China).

Entre os 25 segmentos acompanhados pela pesquisa, quatro chegaram a crescer no período entre janeiro e julho, em comparação ao mesmo intervalo do ano passado, sendo três deles diretamente ligados a esses fatores: a indústria de produtos alimentícios (4,9%), de produtos de limpeza (4,1%) e de produtos farmacêuticos (1,9%).

Os dados desagregados também expõem a dimensão do problema, especialmente de médio e longo prazo. Os segmentos de maior intensidade tecnológica, como de aparelhos elétricos, produtos eletrônicos e máquinas, recuaram mais do que a média (de 9,7%), assim como o ramo de bens de capital, que está diretamente ligado ao investimento.

Isso se soma ao fato de que o setor ainda tentava digerir a recessão de 2014-2016, cujos estragos ainda não haviam sido totalmente recuperados.

“A gente já tem feridas não cicatrizadas da crise anterior, e essa vai trazer novos problemas que podem se arrastar daqui pra frente.”


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Fonte: IG SAÚDE

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