Momento Saúde

São Paulo tem aumento de 48,7% em internações por Covid-19

Publicados

em

source
Covid-19: São Paulo tem aumento de 48,7% em internações pela doença
Vinícius Lemos – @oviniciuslemos – Da BBC News Brasil em São Paulo

Covid-19: São Paulo tem aumento de 48,7% em internações pela doença

Dados do Estado de São Paulo mostram que a região vive um aumento de 48,7% nas internações por Covid-19. De acordo com o monitoramento da Secretaria Estadual de Saúde, foram 391 novas internações nesta quinta-feira, levando a média móvel a 284 por dia. Há duas semanas, esse número era de 191. Desde o fim de abril, o estado, assim como o país, tem vivido um cenário de estabilização ou aumento nos indicadores da doença.

Embora a tendência de crescimento preocupe especialistas, que temem um aumento persistente que leve a pioras significativas da situação epidemiológica, o indicador de hospitalizações em São Paulo segue em patamares considerados baixos, semelhantes àqueles de dezembro de 2021, antes da chegada da variante Ômicron no Brasil.

Nos piores estágios da pandemia, em março de 2021, o estado chegou a cerca de 3.399 novas internações por dia, enquanto em seu melhor momento, no meio do último mês, esse índice chegou a 146. De lá para cá, quase dobrou. “Penso que essa piora agora teve a influência da retirada das máscaras com a entrada dos subtipos da variante Ômicron, que ao que parece provocam casos de reinfecção mais frequentes. A preocupação são os não vacinados e a Covid Longa em caso de contaminação”, afirma a epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Leia Também:  Fiocruz desenvolve índice para medir desigualdade social na pandemia

As taxas de ocupação dos leitos de UTI e enfermaria para Covid-19 no estado estão em 71,6% e 74,5%, respectivamente. Esses índices são levemente mais baixos na região metropolitana.

Em relação às mortes, embora a queda observada desde fevereiro no índice tenha sido interrompida, o aumento nas internações das últimas duas semanas ainda não se refletiu em um crescimento nos óbitos. Enquanto ontem foram registrados 65 mortes no estado, levando a média móvel a 36 por dia, há duas semanas esse cálculo era de 40, uma variação de 10% que indica estabilidade.

Para Ethel, o importante agora é reforçar a vacinação da dose de reforço entre os que ainda não receberam, completar o esquema vacinal das crianças com as duas aplicações e aumentar o número de idosos com a quarta dose.

“O esquema hoje é de 2 doses para crianças, 3 doses para adultos e 4 para imunossuprimidos e idosos, mas estamos muito longe da cobertura vacinal suficiente para minimizar nossos riscos”, diz a especialista.

Segundo dados do consórcio de veículos de imprensa, o estado vacinou apenas 59% das crianças de 5 a 11 anos com as duas doses e 60% da população geral com a dose de reforço. Nesta quinta-feira, a prefeitura de São Paulo solicitou ao Ministério da Saúde autorização para ampliar o público-alvo da campanha de imunização contra a Covid-19.

Leia Também:  Dormir mal é tão nocivo quanto fumar, segundo nova diretriz médica

O município quer estender a quarta dose para profissionais da saúde de todas as faixas etárias e para pessoas de 50 a 59 anos (hoje é permitido apenas a partir de 60). Além disso, quer que adolescentes de 12 a 17 anos sejam elegíveis para a terceira dose, hoje restrita no grupo aos imunossuprimidos.

Entre no  canal do Último Segundo no Telegram e veja as principais notícias do dia no Brasil e no Mundo.  Siga também o  perfil geral do Portal iG.

Fonte: IG SAÚDE

Propaganda

Momento Saúde

Vírus e bactérias originados na Amazônia podem causar 76 doenças

Publicados

em

Amazônia sendo desmatada
Sérgio Vale/Amazônia Real/Fotos Públicas

Amazônia sendo desmatada

A devastação da Amazônia ameaça à saúde pública global. Publicada hoje com destaque na revista Science Advances, uma pesquisa liderada por cientistas do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) alerta para o risco da emergência de epidemias e pandemias a partir do Brasil.

Revela, por exemplo, 173 tipos de patógenos (vírus, bactérias, vermes, parasitas, fungos) associados à caça e que podem causar ao menos 76 doenças em seres humanos. Ninguém está imune ao que acontece na Amazônia, mostra o estudo.

Os pesquisadores desenvolveram modelos para avaliar o risco de surgimento de zoonoses — as doenças transmitidas de animais para seres humanos — em cada estado brasileiro.

O risco existe em todo o Brasil, mas nenhuma região é tão vulnerável quanto a Amazônia, conclui o artigo. Ela abriga todas as condições para uma tempestade pandêmica perfeita. Tem a maior biodiversidade terrestre do mundo associada a taxas de desmatamento recordes — as maiores em 15 anos — e populações em cidades remotas e com baixo acesso a serviços de saúde.

Os pesquisadores destacam que o risco da emergência de doenças aumenta com a piora das condições ambientais e sociais do país. Segundo o estudo, os locais de maior risco de surtos são as cidades amazônicas remotas junto a áreas de desmatamento.

Muitas espécies de animais perdem o habitat devido ao desmatamento e se aproximam de povoações. Com isso, é rompido o equilíbrio na dinâmica que mantém vírus e outros patógenos na segurança da floresta.

“Caça e derrubada da floresta são inimigos letais de seres humanos”, afirma a primeira autora do estudo, Gisele Winck, do Laboratório de Biologia e Parasitologia de Mamíferos Silvestres Reservatórios do IOC.

Apenas oito dos 27 estados brasileiros apresentam risco baixo de emergência de doenças infecciosas transmitidas por animais, mostra o estudo, chamado “Socioecological vulnerability and the risk of zoonotic disease emergence in Brazil” (Vulnerabilidade socioecológica e o risco de emergência de zoonoses no Brasil, em tradução livre).

Leia Também:  Losartana: saiba marcas de remédios que não tiveram que ser recolhidos

As regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste têm os maiores níveis de risco. Sudeste, risco médio. E Sul, baixo. O estudo revelou que plantar árvores e aumentar a cobertura vegetal de áreas urbanas reduz o risco de zoonoses.

“Essa é a primeira vez que se usa modelos estatísticos sólidos para analisar o risco de emergência de zoonoses. A partir de um modelo de avaliação que identifica diferentes interações entre os elementos que investigamos, observamos os processos que moldam o surgimento de zoonoses em cada estado brasileiro. Fica evidente que desmatamento e caça são graves problemas para a saúde pública. Conservar a floresta é proteger a saúde. Ninguém está imune ao que acontece na Amazônia”, afirma Winck.

Para fazer o estudo, os cientistas analisaram fatores como vulnerabilidade, exposição e capacidade de enfrentamento de doenças. Foram consideradas variáveis como espécies de mamíferos silvestres, perda de vegetação natural, mudanças nos padrões de uso da terra, bem-estar social, conectividade geográfica de cidades e aspectos econômicos.

Também autora do estudo, Cecília Andreazzi, do mesmo laboratório do IOC, observa que a Mata Atlântica, onde vivem cerca de 75% dos brasileiros, também tem imensa biodiversidade. Não à toa já foram identificados no bioma vírus como o Sabiá, causador de febre hemorrágica letal. Porém, a Amazônia está em maior risco porque é hoje vítima da maior pressão, sob intenso ataque de desmatamento, garimpo, caça e outras agressões ambientais.

“A Amazônia passa por intensa transformação, com abertura de novas frentes de desmatamento, agravamento da caça e garimpo. Tudo isso impacta na emergência e dispersão de patógenos”, enfatiza Andreazzi.

Amazônia e o crônico mal das queimadas

A carne de caça é um meio crítico para o “transbordamento” de patógenos de animais e causadores de doenças em seres humanos. Os cientistas descobriram 63 mamíferos que interagem com 173 patógenos que podem causar, pelo menos, 76 diferentes doenças. Todos estão associados à caça no Brasil.

Leia Também:  'As mulheres devem ter direito de escolher', diz OMS sobre aborto

Análises computacionais indicaram que as espécies mais caçadas no Brasil, como paca, gambá, tatu e capivara, estão associadas a patógenos que potencialmente causariam danos graves à saúde pública.

Caçadores funcionam como elos entre microrganismos da floresta e os centros urbanos, mostram cientistas. Eles podem carregar patógenos de doenças que, se não fosse isso, continuariam longe do ser humano, sob a guarda da floresta.

As cientistas explicam que a infecção de caçadores ocorre de várias formas. Na floresta, o caçador é exposto a picadas de mosquitos, carrapatos e outros vetores. Também pode se infectar por meio de cortes e até pequenos arranhões. Outra forma de contágio é o preparo e o consumo da carne de caça. Os cães de caçadores também podem ser contaminados e levar patógenos para fora da mata.

“Encontramos 76 doenças conhecidas, mas a Amazônia é imensa e apenas uma pequena parcela de sua biodiversidade foi estudada e muitos casos de doença não são notificados”, frisa Winck

Andreazzi acrescenta que de encefalite sem diagnóstico fechado, por exemplo, ficam invisíveis ao sistema de notificação. O mesmo acontece com febre hemorrágicas.

“Não existe rastreamento para febres hemorrágicas ou ação conjunta entre órgãos ambientais e de saúde. Enquanto isso, o desmatamento e a caça libertam patógenos que sequer conhecemos”, destaca Andreazzi.

Além do IOC, participaram do estudo cientistas de outras unidades da Fiocruz, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), da Universidade Estadual do Ceará (UECE), da Faculdade Maurício de Nassau (Sergipe), da União Internacional para a Conservação da Natureza e das universidades portuguesas de Coimbra e de Aveiro.

Fonte: IG SAÚDE

Continue lendo

MOMENTO POLICIAL

MOMENTO DESTAQUE

MOMENTO MULHER

MOMENTO PET

MAIS LIDAS DA SEMANA

Botão WhatsApp - Canal TI
Botão WhatsApp - Canal TI