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Tabagismo cresce na pandemia e gera alerta para onda de câncer de pulmão

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Fumantes declaram ter aumentado em até 20 o número de cigarros diários durante a pandemia
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Fumantes declaram ter aumentado em até 20 o número de cigarros diários durante a pandemia

O isolamento social , medida adotada pelas autoridades para frear o contágio do novo coronavírus (SARS-Cov-2), mexeu com o psicológico de muitas pessoas ao redor do mundo. Só no Brasil, segundo um levantamento da Universidade do Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), os casos de ansiedade aumentaram em 80%.

Além disso, a prática de ficar em casa ininterruptamente têm gerado outros comportamentos na população, como o aumento do tabagismo . De acordo com um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), feito em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais e a Universidade Estadual de Campinas, 34,3% dos que se declararam fumantes passaram a consumir mais cigarros por dia durante o período de isolamento social: 22,8% aumentaram em dez, 6,4% em até cinco e 5,1% em 20 ou mais cigarros.

Corroborando os estudos, em entrevista ao Portal iG , o Dr. José Rodrigues Pereira, pneumologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo – culpa o momento atípico. 

“Com o distanciamento, as pessoas ficaram mais apreensivas e inseguras em relação ao emprego, à possibilidade de contrair a doença, preocupadas com a manutenção da renda e com a saúde. Toda essa ansiedade acumulada foi descontada não só no cigarro, mas também na bebida alcoólica, que é uma combinação explosiva, visto que o consumo de álcool favorece o de cigarro”.

Lucca Santos, designer de 23 anos, fumava em média um maço de cigarro por dia, ou seja, 20 cigarros. Com a pandemia do coronavírus ele se viu em regime de teletrabalho e esse número saltou para quase três maços ao dia. 

“Antes eu tinha a rotina de trabalhar em um ambiente fechado, cumprindo horários, tendo toda aquela dificuldade de sair para o fumódromo. Com o trabalho remoto, adquiri o hábito de fumar enquanto trabalho, com o cinzeiro ao lado do computador”, relatou.

Para Felipe Rodrigues, auxiliar administrativo de 25 anos, a situação é um pouco diferente. Antes ele fumava de três a cinco maços (60 a 100 cigarros) em uma semana. Todavia, com o surgimento do isolamento ele se viu afastado do trabalho por 10 dias. Com isso, a ansiedade aumentou, sobretudo, quando o governo cogitou um lockdown . A partir daí ele passou a consumir de um a dois maços por dia – que equivale a quase 280 cigarros na semana.

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“Notei que meu consumo aumentou quando a situação da quarentena piorou, principalmente, quando cogitaram fazer um lockdown. Esse futuro [incerto] acho que atacou a ansiedade e quem fuma sabe como é, a gente acaba descontando no cigarro”, declarou. “Atualmente têm dias que eu fumo um maço (20 cigarros), têm dia dia que eu fumo dois maços (40 cigarros), mas é bem variável”, acrescentou.

Questionados sobre a que fatores atribuem o aumento do consumo, os entrevistados não pestanejam. “O fumo é atrelado, no meu caso, à ansiedade. E percebi que o consumo aumentou, principalmente quando passei a consumir muito mais informações sobre a pandemia. Decidi me distanciar um pouco do noticiário para controlar o consumo. E tem dado muito certo. Tem dia que fumo cinco cigarros. [Mas] quando tenho ansiedade mais aguda, tudo se descontrola e volto a fumar três maços”, avaliou Lucca.

Felipe, por sua vez, segue a mesma linha de pensamento. “Eu atribuo esse aumento ao momento que estamos vivendo, é um período muito ocioso, para minha pessoa pelo menos, causa muita ansiedade”.

Para Jacques Tabacof , médico do Centro Paulista de Oncologia, o consumo de cigarros é um problema de saúde pública que não pode ser ignorado, mesmo durante a pandemia. “É preciso reforçar que precisamos superar essa batalha contra a Covid-19 sem deixar de lado outros cuidados com nosso corpo”, ponderou. 

“A luta contra o tabagismo não pode ser abandonada, sob o risco de termos não apenas uma onda de tumores malignos, entre eles o câncer de pulmão – que tem íntima relação com este hábito nada saudável – mas de outras doenças respiratórias”, acrescentou ele.

Covid-19 x Cigarro

Consumo de cigarro pode gerra onda de câncer no pulmão em 2020
Divulgação/Banco Mundial/ONU

Consumo de cigarro pode gerra onda de câncer no pulmão em 2020

Segundo um levantamento realizado pela Instituto Nacional de Câncer (INCA), mais de 30 mil pessoas devem ser diagnosticadas com tumor no pulmão em 2020. De acordo com Jacques, essa realidade poderia ser modificada já que cerca de 85% desses casos estão ligados ao tabagismo.

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O oncologista ainda salientou: “além de ser fator de risco para o câncer e várias outras doenças, o tabagismo é certamente um dos hábitos que contribui para formas mais graves de infecção por coronavírus”.

Para piorar, o prognóstico de pessoas fumantes não é nada positivo. “Tabagistas costumam já ter sintomas como tosse, rouquidão, falta de ar e até pneumonias recorrentes, o que, somadas à infecção por Covid-19, levam a uma piora no quadro geral do paciente e sua consequente recuperação”, seguiu Tabacof.

Luz no fim do túnel?

Segundo dados da OMS%2C número estimado de fumantes no mundo é de 1%2C6 bilhão
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Segundo dados da OMS, número estimado de fumantes no mundo é de 1,6 bilhão

Ao falar sobre como pessoas podem diminuir o consumo de tabaco durante o isolamento, o pneumologista José Rodrigues – citando a retomada econômica – aconselha que as pessoas se adaptem à nova realidade e, caso fiquem muito apreensivas, que pratiquem exercícios físicos ao ar livre – sempre mantendo o distanciamento social.

“Como teremos que conviver com o vírus por algum tempo até que as diversas vacinas em desenvolvimento sejam disponibilizadas, é necessário se adaptar ao novo cenário. O que oriento, visto que está ocorrendo uma reabertura gradual de alguns setores da economia, é que essas pessoas ocupem mais o dia com atividades saudáveis como exercícios ao ar livre, por exemplo, sempre seguindo as medidas de segurança e mantendo o distanciamento social”, aconselhou.

“Claro que é necessário força de vontade também, pois não é fácil lidar com o problema. Mas é possível corrigi-lo, preenchendo o tempo com atividades prazerosas e seguras para não ficar ocioso. Assim, haverá diminuição do consumo do cigarro de forma gradual”, diz o especialista.

Apesar do alto consumo e das consequências, Lucca e Felipe não planejam deixar o vício tão cedo, talvez após a crise sanitária: “Eu como todo bom fumante já tentei controlar o consumo excessivo, mas no momento estou sem expectativa nenhuma para isso. Após o período de pandemia a minha intenção é parar mesmo”, pontua o auxiliar administrativo.

Lucca também não faz rodeios. “Minha ideia é parar de fumar de vez, mas não tenho me cobrado isso. Sei que é um processo que deve ser acompanhado com um especialista, que ainda não me senti à vontade para procurar. Distante da família e dos colegas de trabalho, o cigarro ainda é meu companheiro em meio à pandemia”, finalizou.

Fonte: IG SAÚDE

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Momento Saúde

Novos casos de covid-19 em Manaus não são 2ª onda, diz pesquisador

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Ainda é cedo para dizer que uma “segunda onda” do novo coronavírus atingiu Manaus, mas o momento é de atenção. A afirmação é do pesquisador Marcelo Gomes, coordenador do sistema Infogripe, desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com o Ministério da Saúde e ativo desde 2014. Segundo ele, o aumento de casos na cidade é um fato que deve ser encarado com atenção, mas sem pânico.

“Falar de segunda onda pode ficar mais claro mais à frente, caso volte a ter um crescimento descontrolado, uma aceleração no contágio. A gente não está nessa fase, é um crescimento lento. Não é uma situação de pânico, porque não estamos na situação anterior, mas inspira cuidados”, disse ele em entrevista à Agência Brasil.

Segundo o pesquisador, os dados mais recentes coletados pela Fiocruz mostram que a capital amazonense tem mostrado um crescimento no número de casos que, apesar de não ser rápido e intenso para caracterizar uma segunda onda do vírus na cidade, deve ser visto com preocupação.

“O que temos de dados apontam para esse cenário de ter, de fato, um sinal muito sugestivo de retomada de crescimento [nas contaminações], mas esse crescimento ainda é, felizmente, lento. É melhor aproveitar que ainda é lento e agir, reavaliar as medidas de flexibilização já tomadas e ver no que, eventualmente, deve se recuar”, opinou.

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Dados do governo do Amazonas mostram que o crescimento acentuado, ou a “primeira onda”, começou a se desenhar no fim de março, com pico no início de maio. Após uma forte queda em números de hospitalizações e óbitos pelo vírus, os números voltaram a subir a partir do início de agosto, mas ainda em uma proporção muito inferior ao registrado em maio. “Ainda não é uma situação catastrófica, mas os cuidados precisam redobrados neste momento para que a gente não chegue [ao estágio anterior]”, disse.

A prefeitura de Manaus já percebeu esse movimento ascendente de contaminações. Em 18 de setembro, o prefeito da cidade, Arthur Virgílio, decidiu fechar a praia do Complexo Turístico Ponta Negra, principal ponto turístico da capital. A prefeitura também ampliou, de 11 para 18, o número de Unidades Básicas de Saúde (UBS) para atendimento preferencial de casos de covid-19.

“Desde que os números de casos confirmados de covid-19 e de internações em hospitais da cidade por causa da doença cresceram, a prefeitura de Manaus vem tomando medidas para a proteção da população”, disse a assessoria de imprensa da prefeitura. 

O prefeito também é favorável a um lockdown (confinamento) na cidade por, pelo menos, duas semanas. Mas só adotará a medida se houver apoio do governo do estado, uma vez que o município não tem efetivo policial suficiente para fazer valer as ações, caso sejam tomadas.

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Imunidade de rebanho

O aumento de casos de covid-19 em Manaus põe à prova a tese de que a população da cidade já estaria, em sua grande parte, imune ao vírus, uma vez que muitos já tiveram contato com ele, a chamada “imunidade de rebanho”. Mais uma vez, o pesquisador da Fiocruz entende que é cedo para tirar essa conclusão.

“A gente não pode afirmar com certeza que Manaus já está com imunidade de grupo. Existem alguns trabalhos sugerindo isso, mas são resultados com limitações e incertezas e, portanto, devem ser interpretados com muita cautela. O risco de apostar todas as fichas na imunidade de grupo é relaxar e descobrir que não estava. E aí pode ser tarde demais”, afirmou.

Outras cidades que já passaram por um pico de contágio e reduziram esses números em seguida podem ter uma situação parecida com a de Manaus.

O Rio de Janeiro, por exemplo, tem experimentado um crescimento nos números de covid-19, mas sem o mesmo viés de alta de Manaus. “O vírus não foi embora e caiu porque a gente agiu. Atenção e cuidado ainda são extremamente necessários”, finalizou o pesquisador.  

Edição: Kleber Sampaio

Fonte: EBC Saúde

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